A casa de Quioto deve ser das poucas companhias de entretenimento com tantas personagens icónicas. Além de, claro, a Walt Disney, que tem em quantidade bastante superior, o que é normal visto o seu negócio girar à volta do rendimento máximo das suas criações. Contudo, esta não tem o mesmo problema que a Nintendo, que não sabe ou não tem tempo suficiente para se dedicar a cada uma delas. Prova disso mesmo é a nova entrega para a Nintendo 3DS com Kirby a liderar o protagonismo. Kirby: Planet Robobot quer dar as boas vindas ao público mais jovem, esquecendo-se dos elementos que o caracterizaram para ser tão apreciado. Além de extremamente fácil, a sua longevidade é bastante reduzida. E não são jogos extra que vão salvar este pequeno aspirador cor de rosa.

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Uma nave de enormes dimensões aterrou no planeta de Kirby. Ao aterrar plantou as suas cinco pernas metálicas para libertar, do centro desta nave esférica, máquinas e robôs que vão absorver os seus recursos naturais - um processo mais tarde conhecido como "Mechanising Occupation Project". Assim, a empresa "Haltmann Works Company" substituiu paisagens verdejantes pelo cinzento das frias placas de metal acabadas de instalar. Por muito que a narrativa tenha um interesse particular, esta nunca foi uma parte central de Kirby. Os quebra-cabeças e a jogabilidade única da personagem cor de rosa é que sempre marcaram esta licença.

Os sistemas da mecânica de Kirby são geniais. Este é uma pequena bola com membros praticamente vestigiais. Não obstante a sua figura frágil, uma vez frente ao inimigo este aspira-o e engole-o para absorver o seu poder. Há cerca de duas dezenas disponíveis. O que isto nos diz, é que existe potencial para uma miríade de possibilidades para introduzir puzzles desafiantes. Infelizmente, este não é o caso. O que nós temos são boas ideias mal aproveitadas e reunidas numa campanha. As que não couberam no conjunto, foram colocadas de parte em forma de minijogo. Nem dar a Kirby um fato mecanizado muito similar ao que vemos no filme Avatar, de James Cameron, o chamado MK6 AMP Suit.

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O objetivo do jogo passa por ir de nível a nível, distribuídos por seis localizações temáticas (cada um tem o seu encanto próprio), recolher cubos que estão escondidos. Estes abrirão a porta final, a do boss. Recolher estes objetos é muito simples, uma vez localizados basta descobrir o caminho a atravessar para os podermos apanhar. Este processo é todo muito óbvio. Nem com o uso do fato mecanizado consegue haver variedade suficiente.

À exceção de dois casos isolados, que transformam totalmente o veículo mecânico. Numa das vezes podem assumir a forma de um avião e dar a quem está a jogar a oportunidade de passar um nível como se fosse um autêntico arcade shooter. A outra situação ocorre quando o exosqueleto se transforma num carro de corridas. Nesta situação só acho que a diversão seria exponencialmente maior se a velocidade fosse aumentada.

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Planet Robobot não vai exigir muito da vossa massa cinzenta. São puzzles com a solução tão descarada que chegamos a um ponto em que ficamos praticamente em piloto automático a atravessar os seus níveis, tal é o estado de apatia que o título nos põe. Nem sequer as lutas com bosses são revigorantes. Na maioria das vezes podia encostar o inimigo, supostamente mais complicado, a um canto ou acompanhar os seus movimentos e descarregar o poder que tinha absorvido sobre este. Não, nem os bosses com uma sala própria foram desafiantes. A mesma técnica era aplicada (mesmo com o algum dano recebido) e o inimigo era dizimado de vez. Só os últimos dois níveis é que me acordaram para despertar a minha atenção e encontrar cubos mais escondidos e expulsar inimigos mais teimosos.

Ainda há outros modos desbloqueados desde que se começa o jogo. Kirby 3D Rumble que vos coloca em vários espaços abertos e vos desafia a eliminar os inimigos que aparecem no menos tempo possível. Aspiram e cuspam de forma a atingir o maior número de oponentes e serão recompensados com mais pontos. Já em Team Kirby Clash terão a hipótese de enfrentar bosses como se de um verdadeiro beat'em'up se tratasse. Podem assumir vários papéis para aniquilar o que vos exige cada demanda, entre quatro para escolher. É com muita pena que estes dois modos não tenham sido explorados tanto ou mais do que a própria campanha.

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Kirby continua em traços e tons muito bem desenhados neste novo capítulo. Sejam as criaturas, os sítios por onde a pequena bola aspiradora deambula ou as máquinas que enfrentam, há uma coerência estética absoluta por toda a obra. Não há muito que vá impressionar, afinal já estamos no quinto ano de uma consola portátil. Igualmente divertida são as melodias da música de Planet Robobot. Esta embala-nos pelos seus níveis temáticos, diferenciando-os perfeitamente uns aos outros.

Esta nova entrega de Kirby já mostra sinais de cansaço criativo na empresa japonesa, que atravessa sérias dificuldades. Fazer um título fácil, não é a solução a curto-prazo para aumentar o seu domínio no mercado. Kirby: Planet Robobot só é recomendado para quem quer passar umas sessões sem nada a atrapalhar, sem que haja uma única barreira que vos impeça de chegar ao fim. Um ótimo título para procrastinar sem se cansarem demasiado.