A Nintendo ainda tem muitas licenças que pode aproveitar para trabalhar na sua consola, para poder dar descanso a outras que precisam de algum tempo de produção. Kirby é uma dessas licenças, uma série que pareceu estar perdida, mas que recuperou fôlego criativo com Kirby Star Allies, depois de Kirby: Planet Robobot ter sido uma desilusão na Nintendo 3DS. A HAL Laboratory conhece bem a consola para a qual esteve a trabalhar e entregou um trabalho competente, apesar do design ficar aquém do que poderia ser feito.

O jogo tem em si concentrada uma jogabilidade muito refinada, apesar de se sentir que ainda se podia levar para além do que é oferecido com um design mais ambicioso. Porém, há sempre uma história que dá algum contexto ao objetivo que temos de conquistar. Não é algo muito desenvolvido, nem tão pouco emocional. Há um vilão que quer acabar com o mundo de Kirby e arredores, ficando a criatura esférica cor de rosa incumbida de erradicar esta entidade maléfica. E como já era de esperar, este vilão tem uma ligação aos restantes que aparecem ao longo da aventura.

Imagens Kirby Star Allies

Para entrar nos níveis, tal e qual como em Super Mario Bros. 3, percorremos o mundo como se fosse um mapa e selecionamos qual queremos efetivamente entrar. Já antes de começar um determinado nível, vemos que há, claramente, atalhos para outros lugares, um dos elementos que vai influenciar a nossa progressão no nível que acabamos de entrar. Além deste pormenor, há também outro: uma peça de puzzle especial para recolher. Em Kirby Star Allies andamos da esquerda para a direita, sempre à procura da última porta que nos vai dar saída para a conclusão do nível, ou a entrada para o boss que se impõe como o nosso último obstáculo a transpor. 

Para concluir todos os níveis é preciso saber que mecânicas é que a HAL Laboratory nos deu para brincar. Kirby é uma criatura esférica, cor de rosa, que tem a habilidade de poder aspirar os seus inimigos a uma certa distância com o seu enorme poder de sucção. Uma vez na sua boca, pode cuspi-los para infligir dano aos seus inimigos ou engoli-los para assimilar o seu poder. É uma característica intrínseca de Kirby, uma criatura que é capaz de imitar outras após as digerir. No entanto, esta é uma aventura jogada a quatro, pois repetir o que a série já faz há imensos anos seria inconcebível para captar o interesse do público. Assim, quer joguem acompanhados ou com a capaz inteligência artificial, este é um jogo onde se aventuram em desafios que requerem quase sempre entreajuda.

Imagens Kirby Star Allies

Um dos primeiros quebra-cabeças pede-vos para para acenderem um rastilho que fará disparar quatro canhões ao mesmo tempo. Porém, não se podem esquecer de todas as personagens estarem dentro de um dos canhões quando o rastilho chegar ao fim. O que fazer quando o poder de Burning Leo não chega? É preciso associar uma arma que tenha um longo alcance ao fogo da personagem que tem este elemento. Se colocarem o elemento de fogo com Burning Leo ao chicote de Wester, o puzzle resolve-se facilmente. Há muitos mais personagens com poderes que Kirby pode copiar, mas como esta esfera cor de rosa só pode assumir o trabalho de um, é necessário ir trocando de amigos para os outros puzzles poderem ser resolvidos.

Atirem um coração a um inimigo que tenha um determinado poder ou capacidade e este torna-se um amigo de viagem. Caso se enganem, virem-se para quem querem e troquem de amizade, afinal não podem ter mais de três melhores amigos. O problema do jogo, é que nunca sabemos qual o desafio que nos vai bloquear e quando estamos perante um puzzle que requer dois elementos específicos, estes estão sempre por perto para os escolher. Ou seja, temos sempre a solução ao lado do problema. O que retira algum prazer à descoberta por conta própria. 

Imagens Kirby Star Allies

Os próprios níveis foram desenhados meticulosamente para nos dar um sentido de progressão, um objetivo claro para encontrar o fim do nível. Há portas com uma estrela vermelha que são necessárias encontrar para aceder a mais níveis extra, para ceder à nossa sede por colecionismo. É que além de enfrentar bosses, temos de enfrentar o próprio nível para encontrar peças de um puzzle especial que temos construir com peças, tal e qual como o Troca-Puzzle da Praça Mii StreetPass da 3DS. 

Uma vez juntas, desvendamos painéis de arte de ilustradores ligados à série Kirby e, curiosamente, à série Pokémon Trading Card Game. Aqui vão encontrar trabalhos de Toshinao Aoki, Kouichi Ooyama, Ashura Benimaru Itoh, entre muitos outros artistas japoneses. Este objetivo motiva-nos a passar os níveis a pente fino e a recolher o máximo de peças possível. Com Story Mode terminado, só completei três painéis.  Por isso, procurei ver se os outros modos de jogo ofereciam outros meios para obter as peças que desejava.

Imagens Kirby Star Allies

Decidi iniciar primeiro “Guest Star”, um modo substancialmente melhor que a campanha principal. Aqui somos convidados a jogar sem Kirby, ou seja, com qualquer um dos seus inimigos que lhe conferem poder depois de os absorver. O que isto significa é que terão de ter um único poder do princípio ao fim, mas sempre com a possibilidade de adicionar elementos à vossa party. Este é um modo ótimo para quem faz speedrunning dos seus jogos. Serão avaliados, sobretudo, pelo tempo em que acabam os níveis que ultrapassam.

Outra adição excepcionalmente boa é “The Ultimate Choice”, uma espécie de boss rush em que lutam pela melhor pontuação, que é novamente condicionada pelo tempo que demoram a derrotá-los. O que o nome deste modo sugere, é de haver uma escolha essencial a fazer em determinadas alturas. Antes de enfrentar cada boss, passamos por uma sala com itens que nos fazem recuperar a saúde que perdemos, com a nossa decisão de manter estes itens para os bosses mais difíceis a ser fulcral para a nossa sobrevivência e conseguirmos ter a pontuação mais elevada possível.

Imagens Kirby Star Allies

Por último temos dois modos, independentes um do outro, que tiram partido das funcionalidades dos comandos Joy-Con, nomeadamente, dos seus sensores de movimentos. Star Slam Heroes pede-nos para que afastemos um meteorito em direção à terra de Kirby com o nosso bastão, como se um jogo de basebol se tratasse. E também temos “Chop Champs”, um jogo que nos pede para ser lenhadores e que estejamos atentos aos insetos que estão na árvore a ser abatida para não nos picarem.

São quatro jogos divertidos. Os primeiros a serem mencionados são o tipo de jogo excelente para quem não gostou da ausência de dificuldade da campanha, enquanto que os outros dois divertem em sessões de jogo com amigos que não costumam jogar videojogos. Assim, todos se podem divertir com Kirby, seja numa aventura casual ou em modos secundários que retiram aspetos do próprio jogo e da consola. Um excelente complemento para o vazio que a campanha pode deixar.

Imagens Kirby Star Allies

Kirby Star Allies é bonito, sem deixar a Nintendo Switch nos seus limites. É rico em cor, mas sem muitos detalhes gráficos exuberantes, tem um visual próprio para um jogo Kirby. Depois de um desapontante Robobot na Nintendo 3DS, a HAL Laboratory pode ter encontrado a casa perfeita para a criatura cor de rosa da Nintendo. Procurem ir para além da campanha principal, pois esta é apenas a entrada para o prato principal constituído por quatro divertidos e bons modos de jogo.