Pedro Martins por - Sep 5, 2017

Knack 2 – Análise

Knack não foi um dos melhores títulos que acompanhou a chegada da PlayStation 4 ao mercado. Contudo, sente-se que a comunidade o recebeu com um carinho muito próprio, como se o exclusivo PlayStation 4 tivesse ganhado vida própria, sendo ainda consecutivamente pedido no PlayStation Plus, quase quatro anos volvidos sobre o seu lançamento.

Amanhã, dia 6 de setembro, chega ao mercado Knack 2, uma sequela que tenta novamente oferecer algo minimamente interessante ao público juvenil sem esquecer a audiência mais testada. O jogo está totalmente localizado em português, uma aposta sólida da Sony que revela facilmente o tom da narrativa. Desde os timbres das vozes do elenco principal às palavras e expressões aplicadas, é uma história sem grandes ambições de ser confundida com The Last of Us.

Imagens Analise Knack 2

Serão poucos os jogadores que começarão esta aventura à espera de grandes encruzilhadas dramáticas ou de linhas de diálogo memoráveis. Se estavam nesse lote, Knack 2 será uma enorme desilusão narrativa. Os Goblins arranjaram forma de dar vida a uma fação de robots que há muito se pensava extinta. Sem grande surpresa, os robots querem apenas aniquilar a raça humana, algo que serve perfeitamente para Knack e companhia entrarem em cena, para serem os heróis novamente.

A caracterização das personagens é praticamente inexistente, com alguns membros do elenco a serem perfeitamente irritantes – especialmente porque, além de não fazerem nada, ainda nos perguntam porque demorámos tanto nas nossas investidas para que a jornada pudesse continuar, ou aparecendo por magia ao nosso lado sem o jogo explicar como é que chegaram lá. São vários momentos em que a irritação chega dos membros da nossa própria equipa, até mais do que os inimigos que temos que defrontar.

Imagens Analise Knack 2

No fundo, é um arco narrativo inofensivo que vai de cliché em cliché, mas que serve também para nos levar a vários locais do mundo. É uma pena que a maior parte do elenco seja facilmente descartável, sobrando poucos momentos em que o humor resulta ou em que as relações são elevadas a algo minimamente interessante. Não se trata de serem dirigidas para um público mais jovem, até porque há histórias para esse mesmo público que são charmosas e que têm uma mensagem a passar.

Este progresso é alimentado por uma jogabilidade decente. Tal como no primeiro jogo, em Knack 2 também começámos com o pressionar desmesurado de dois botões do DualShock 4, com o jogo a recompensar a nossa perseverança com várias habilidades a aprender e vários tipos de Knack que ajudam a diversificar minimamente a jogabilidade.

Imagens Analise Knack 2

Claro que quem não se quiser incomodar muito pode sempre colocar o grau de dificuldade no mínimo e abrir caminho apenas a soco, mas a verdade é que o jogo tem lá algumas ferramentas que merecem ser experimentadas. Quando mais não seja, saltar e atacar (Body Slam), levando Knack a estatelar-se no chão. Muitas vezes inútil, mas quase sempre divertido de se ver.

Levem o jogo mais a sério, contudo, e há uma árvore de habilidades que permite aumentar o poder. Utilizando o poder das relíquias que vamos apanhando no cenário, é possível ir melhorando o herói em quatro setores diferentes. Outro aspecto que recompensa a exploração dos cenários são os Aparelhos que podem ser assimilados e equipados quando recolhidas todas as peças necessárias. 

Imagens Analise Knack 2

Além disso, com o avançar da narrativa vão aprendendo habilidades com Ava, uma das personagens secundárias. Por exemplo, é aqui que ficam a saber como usar um ataque pesado ou um golpe de gancho – a maneira que o jogo encontrou para descrever puxar os inimigos para próximos de vocês, ou ainda o ataque boomerangue, por exemplo. Tudo isto pode – e deve – ser estudado, pois é a forma que têm para diversificar a vossa estadia pela longa campanha.

Finalmente, importa ainda mencionar que o próprio Knack vai sofrendo algumas mutações ao longo da campanha. Sim, continua a crescer consoante o que for apanhando pelo caminho até ser um verdadeiro colosso, mas é também possível voltar à forma inicial pressionando apenas um botão. Aliás, a campanha tem incontáveis trechos – alguns obrigatórios, outros que levam a tesouros escondidos – que nos obrigam a jogar com Knack pequeno.

Imagens Analise Knack 2

Há, por exemplo, o Knack Furtivo, que permite passa por raios laser sem perdermos energia, ou o Knack Gélido, que como o nome indica apresenta um Knack feito de gelo que é capaz também de ataques de sopro. O meu preferido, porém, é o Knack Metálico, não só porque é o esteticamente mais interessante, mas porque esta habilidade é usada para resolver alguns dos puzzles menos desenxabidos, desenhando linhas no chão e unindo vários pontos do cenário.

Ainda que o grosso da jogabilidade seja andar de cenário em cenário a lutar contra os inimigos, como já foi mencionado, há também alguns puzzles que fazem os enigmas de Uncharted parecerem irmãos de Witness, e há também secções de plataformas, claramente mais inspiradas que os dois pontos anteriores. Além da campanha ter alguns Quick Time Events, existem igualmente trechos de plataformas mais tradicionais, que apenas pecam por não serem mais frequentes.

Imagens Analise Knack 2

Mas o melhor de Knack 2 é a forma como pode ser desfrutado em modo cooperativo. Basta pegar num segundo comando e controlam um segundo Knack (vermelho e azul). Não só é uma implementação sem falhas, como sente-se que foi algo pensado. É verdade que ocasionalmente a câmara, tal como a solo, tem momentos simplesmente parvos, mas garanto-vos que Knack 2 é melhor quando partilhado com outro jogador de carne e osso.

E sente-se que foi algo que precisou de alguma consideração porque há processos de jogabilidade exclusivos para este modo. Há ataques que são amplificados pela presença de um segundo jogador e há alguns que estão ali só para causar caos. Por exemplo, um pontapé pesado é excelente para quebrar armaduras dos inimigos, contudo, se um Knack aplicar um pontapé destes ao segundo Knack, além do inimigo, também ele vai disparado pelo cenário.

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Não é preciso muito para que os dois jogadores, pelo menos por experiência própria, comecem a lutar entre si, tentando, tal como já escrevi, causar caos, levando o outro jogador para cima dos inimigos ou para longe, sorrindo antes da resposta o apanhar desprevenido. É útil, mas simplesmente divertido. Ou a habilidade de “pedir emprestado” relíquias ao segundo jogador. Não demora muito até que a batalha campal seja contra os inimigos e contra o segundo jogador. Mas em vez de haver uma batalha acérrima, dada a natureza geral de Knack 2, é simplesmente em nome da diversão.

E se tiverem um amigo(a) ou familiar mais hábil em determinadas zonas dos cenários, podem sempre teletransportar-se para a sua proximidade. Knack 2 leva ao limite a máxima que afirma que ninguém fica para trás. Mas o modo cooperativo pode também ser legitimamente útil na batalha, com um jogador a usar os ataques rápidos e o outro a ficar, por exemplo, com os ataques mais potentes. Como há ainda a possibilidade de defesa e de esquivar, surpreendentemente, quando os participantes estão apostados em dar o máximo da concentração, podem gerar-se cenas de luta verdadeiramente imbuídas no espírito cooperativo.

Imagens Analise Knack 2

Tal como com a jogabilidade, Knack 2 é competente nas áreas técnicas. O grafismo é variado – mesmo que as áreas não sejam propriamente díspares em termos de design, pelo menos os locais são diferentes entre si. É um jogo assente em cores vivas, em criaturas que parecem saídas de uma série animada, tal como o grupo de heróis, que se apresenta com traços exagerados, quase como se fossem caricaturas.

Não é detentor de um grafismo de fazer cair o queixo no seu cômputo geral, mas tal como o jogo original, o sistema de partículas torna a transformação de Knack em algo bem executado, que nos incita a usar a mecânica. Jogado numa PlayStation 4 Pro ligada a uma TV 4K com HDR, convêm mencionar que há várias opções: Podem bloquear a framerate nos 30FPS, ligar ou desligar o HDR, assim como escolher dois modos de exibição – um que dá prioridade à resolução e outro que aumenta o número de fotogramas, reduzindo obviamente a resolução. Foram testados os modos para chegar à conclusão que, especialmente no modo que dá prioridade aos FPS, o jogo é bastante fluído, mesmo com bastantes inimigos em cena.

Imagens Analise Knack 2

Knack 2 oferece muito para fazer numa campanha longa. Há vários pontos para melhorar, vários colecionáveis, várias processos de jogo diferentes e um modo cooperativo que é um dos principais destaques. O problema é que, mesmo sendo melhor que o jogo original, não é uma obra obrigatória, não é um exclusivo irrecusável. Talvez a Sony o saiba, talvez esteja, juntamente com Cerny, a usar Knack para mostrar que está atenta à comunidade, que a PlayStation 4, milhões e milhões – e milhões! – de consolas vendidas desde que Knack chegou ao mercado, continua a ser “para os jogadores”.

veredito

Apesar de não ser obrigatório, Knack 2 é melhor que o título de estreia. Quando faltar vontade para continuar a extensa campanha, chamem um segundo jogador, pois o modo cooperativo torna tudo isto mais divertido.
7 Localização completa em português ajudará o público mais jovem Modo cooperativo. História descartável e algumas personagens mais irritantes que úteis. Vários capítulos repetitivos.

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Knack 2

para PlayStation 4

Lançado originalmente:

05 September 2017