É notável como Langrisser I & II me deixaram totalmente investido nas tácticas RPG que entregam. É um conjunto de dois jogos tão polidos que as nossas escolhas tácticas refletem a nossa personalidade, enquanto jogadores, como se fossem um espelho.

Em 1987, ainda antes do primeiro Fire Emblem chegar às lojas, a nipónica Masaya criou Elthlead Senshi, um RPG estratégico para computadores pessoais. Estavam lá as bases de qualquer RPG moderno, como estatísticas, habilidades e diferentes classes de guerreiros, incluindo variedades aéreas e navais. Quatro anos depois, a Masaya lançou Langrisser I na Megadrive, um RPG que se define pela sua simplicidade, curta longevidade e também pela intensidade dos combates tácticos.

A mitologia criada em Elthlead Senshi foi aproveitada em Langrisser I e foi lançada no ocidente como Warsong, porém, os dois primeiros títulos da série Langrisser andaram muitas vezes de mãos dadas em relançamentos. Com o cunho da NIS America, o ano passado, a compilação Langrisser I & II chegou à PlayStation 4, este ano foi a consola da casa de Quioto e a loja digital da Valve a receberem este par de jogos.

Tal como qualquer bom RPG, a narrativa é uma parte importante, quase indissociável, para assim ficarmos investidos naquilo que o jogo propõe. O argumento é protagonizado por Ledin, um príncipe que tem de fugir do seu reino visto que este está prestes a ser invadido pelo império regente. Juntamente como os amigos que fará na sua jornada, Ledin consegue recuperar uma espada lendária, a Langrisser, para poder combater um entidade maléfica que foi ressuscitada.

É uma premissa bastante linear dos contos de fantasia, todavia, nem as personagens, nem a própria história são aprofundadas. Este remake, tem muitos caminhos que divergem da história principal, que dependem totalmente das vossas ações durante o combate. Esta novidade permite estender a curta longevidade do título, para um RPG, que dura pouco mais que doze horas.

Langrisser II, a sequela, originalmente lançada em 1994, melhorou consideravelmente os aspetos mais frágeis do primeiro jogo, além de ter um elenco muito mais memorável que o original. Há muito mais desenvolvimento narrativo nos primeiros capítulos de Langrisser II do que na totalidade do jogo anterior. E apesar do sistema de batalha não se ter alterado, há muito mais variedade nos mapas, situações de batalha e objetivos. Além de Langrisser II ter uma longevidade muito maior, ainda mais ramificações nos caminhos narrativos que podem tomar, assim como níveis escondidos.

Em ambos os jogos podem recomeçar qualquer capítulo para assim ver outros trilhos que não foram atravessados e averiguar de que forma se altera a história, mantendo o vosso nível e os itens que recolheram. Se querem um desafio adicional, também podem optar por começar uma nova campanha com o New Game+ e manter também o vosso nível ou começar do zero.

O conjunto Langrisser I & II está totalmente vocalizado em japonês, onde se denota um trabalho bem feito, visto que quem ouve sente as emoções de cada momento, mesmo que tenha de ler a tradução em inglês para entender realmente o que está a acontecer. No departamento da sonoplastia, os novos arranjos das composições musicais são bastante agradáveis de ouvir. Porém, quem quiser uma experiência ainda mais purista pode ligar a banda sonora da versão Megadrive para assim ouvir o labor musical de Hiroshi Fujioka.

Um dos aspetos mais louváveis da proposta são os modelos originais das personagens  desenhados por Satoshi Urushihara, artista nipónico conhecido pelos livros manga Legend of Lemnear, Plastic Little: Captain's Log, Chirality. Porém, os desenhos de Urushihara têm que ser selecionados nas opções, porque é o trabalho de Ryou Nagi que faz parte do remake. Infelizmente, o labor de Nagi nem sempre resulta e confirma-se nas duas versões da personagem Betty, pois perde detalhe e, por sua vez, alguma personalidade.

De uma forma geral, esta compilação Langrisser I & II é uma das melhores formas de conhecerem este RPG nipónico tão pouco divulgado, ocultado pelo mediatismo alcançado por gigantes como Final Fantasy, Dragon Quest ou a saga Tales. Mal se ouviu falar da série Langrisser durante a década que acabou de passar. E a falta de qualidade da última entrega na 3DS não ajudou em nada a popularizar a série ou a encontrar, pelo menos, um nicho de jogadores. Felizmente, alguém na produtora pode tomar a atitude correta e dar a visão que a série necessita para progredir no mercado ocidental.