Depois de alguns anos passados pelas ruas da amargura, com entradas pouco inspiradas e genéricas, a série protagonizada por Lara Croft renasceu recentemente das cinzas com a obra da Crystal Dynamics, intitulado simplesmente Tomb Raider. Para muitos, o título lançado em 2013 representou o regresso da série aos seus melhores dias, mas a verdade é que o renascer de uma das personagens mais icónicas da indústria dos videojogos começou três anos antes.

O lançamento do brilhante Lara Croft and the Guardian Light voltou a colocar o nome da protagonista no radar dos jogadores e preparou-os para o que viria a ser a confirmação da qualidade futura da série com o título de ação e aventura em mundo aberto. Enquanto meio mundo ainda chora com a exclusividade, ainda que temporária, de Rise of the Tomb Raider na Xbox, a produtora lança no mercado Lara Croft and the Temple of Osiris, a sequela do título de 2010.

Tal como o nome indica, o título coloca a famosa personagem numa aventura em busca do Templo de Osiris. No interior do mesmo, o seu explorador rival Carter tenta tomar posse do bastão de Osiris, ação com consequências graves. Não só os exploradores ficaram presos no interior como demónios foram despertados, entre os quais Set, um Deus há muito emprisionado.

Depois de escaparem do templo, Lara e Carter têm de explorar os vários túmulos que rodeiam o templo para recuperar os fragmentos de Osiris e dessa forma conseguir trazer o Deus à vida novamente para os ajudar a derrotar aquele que ameaça toda a humanidade.

Como certamente já perceberem, a narrativa está longe de ser o ponto forte da obra, servindo apenas como uma justificação para as nossas ações durante a aventura. Apesar de não ser a força que motiva o jogador a continuar a jogar, é impossível negar que a história de Temple of Osiris é completamente desinteressante. Para além disso, é também extremamente curta podendo ser concluída em pouco mais de 5 horas.

Ao contrário das entradas principais da série Tomb Raider, Lara Croft and the Temple of Osiris é um atirador na terceira pessoa estilo arcada e com uma perspetiva isométrica que pode ser jogado cooperativamente com até 3 companheiros. Disparar, saltar e esquivar ataques são as únicas habilidades disponíveis, mas são mais que suficientes para manter a jogabilidade interessante e variada.

O combate consiste em enfrentar ondas de inimigos, utilizando o vasto arsenal de armas à disposição e recorrendo ao analógico direito e R2 para apontar e disparar, respetivamente. Para evitar que este caia num padrão repetitivo, o jogo incentiva o jogador a experimentar as várias armas disponíveis para perceber aquelas que melhor se adaptam ao seu estilo, sejam elas um lança granadas, uma caçadeira e as míticas pistolas da protagonista ou outra combinação que considerarem mais apelativa.

A personalização da vossa personagem é também realizada através da aplicação dos vários amuletos que vão recolhendo ao longo da aventura, cada um deles capaz de melhorar aspetos específicos do herói. Entre as opções destaca-se a possibilidade de aumentar os danos das armas e aumentar a resistência aos danos causados por inimigos, frio ou raios.

Felizmente, as horas que passarão com a aventura não serão apenas passadas a combater, uma vez que a obra possui uma forte componente de puzzles ambientais que exigem um pouco mais do intelecto do jogador. Sim, é verdade que, na sua grande maioria, não são particularmente exigentes, mas fazem um bom trabalho em abrandar um pouco o ritmo de jogo, obrigando as pessoas em jogo a trabalhar em conjunto em prol da sua resolução. Como é óbvio, estes adaptam-se ao número de jogadores que estejam a participar no túmulo.

Mesmo sendo uma experiência agradável a solo, Temple of Osiris torna-se bastante mais interessante quando partilhado com amigos. Embora em algumas sequências, o cenário parece um pouco reduzido para mais que dois jogadores, tornando o combate um pouco caótico. No entanto, se quiserem concluir os objetivos secundários de cada túmulo, o melhor será mesmo jogar com um amigo ao vosso lado.

Graficamente, a obra da Crystal Dynamics não deixará nenhum jogador de queixo caído, principalmente porque os modelos das personagens não tiveram a atenção ao detalhe que mereciam. Ainda Assim, pequenos pormenores como as personagens a moverem-se na água e e os efeitos de luzes, tornados ainda mais importantes pela quase completa escuridão dos túmulos, relembram-nos que estamos numa nova geração de consolas.

A banda sonora é interessante e acompanha convenientemente a experiência, acentuando o tom de exploração muitas vezes associado às entradas da série protagonizada por Lara Croft. Não é memorável, mas cumpre o seu principal objetivo. Já o trabalho de voz acompanha a qualidade da narrativa e deixa bastante a desejar.

Lara Croft and the Temple of Osiris é mais uma obra interessante nesta saga secundária às entradas principais da série Tomb Raider. O combate aliado aos puzzles oferece uma jogabilidade diversificada e interessante que é agradável tanto a solo como em modo cooperativo. É uma pena que a experiência seja prejudicada pela curta duração da aventura e pela história ser completamente desinteressante.