O jogo não tarda em por em cima da mesa aquilo que é. Nós somos moldados pelas nossas decisões, diz-nos Late Shift. O jogador é imediatamente informado daquilo que o jogo pretende, ou seja, realizar escolhas para que a aventura a que assistimos na terceira pessoa leve os desígnios escolhidos por nós. Infelizmente, não traz nada de designadamente substancial a este género denominado de FMV que fez algum furor, nos anos noventa, na era dominada pelo CD-ROM.
A Wales Interactive volta a publicar um novo "filme" após The Bunker, porque este título disponibilizado na Nintendo Switch tem mais características em comum com produções cinematográficas do que com jogos tradicionais. É um conceito que não é novo, mas que permite introduzir algumas inovações num género que vai, literalmente, num só sentido. Em Late Shift temos escolhas que tentam fazer-nos crer que têm uma enorme importância, como se fossemos o diretor do filme. Porém, estas escolhas convergem todas para o mesmo ponto, ou seja, um filme que gira em torno de um MacGuffin que acaba por esgotar rapidamente o seu interesse narrativo.
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O primeiro detalhe que sobressai deste filme é o orçamento que lhe foi disponibilizado. Há filmagens aéreas de zonas londrinas, algumas explosões e a utilização de carros de alta cilindrada. Todavia, isto por si só não vai melhorar significativamente o filme se não for usado de forma que haja uma coesão narrativa. Só que como jogo que tenta ser, necessita de ter o jogador envolvido em mais do que uma simples selecção de decisões chave. Vejam o excelente exemplo de Her Story, que com um orçamento muito menor fez muito mais do que The Bunker, ou agora este Late Shift.
Vocês controlam a vida de Matt Thomson, um estudante universitário que trabalha no último turno da noite a guardar carros de luxo num parque de estacionamento privado. Porém, uma das suas noites mudou totalmente a sua vida, pois viu-se forçado a participar numa organização criminosa para roubar um artefacto chinês da dinastia Ming que vale milhões de Libras. Esta força motriz da narrativa de Late Shift, obriga-o a estar centrado num patético MacGuffin que ditará as ações dos protagonistas e de todos que querem condicionar a progressão dos atores principais.
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O jogo bem tenta que evitemos entrar nesta teia de conspiração criminosa, mas uma vez lá metidos é praticamente impossível afastarmo-nos desta história, desenhada com o propósito de tomarmos opções com um, suposto, grande significado que vão comandar o destino de Matt e dos seus novos amigos. Felizmente, há ali um bom conjunto de atores, nada digno de ser mencionado para os Óscares, contudo, são interpretações bastante melhores do esperava para um título neste género conhecido como FMV.
As decisões são colocadas diversas vezes ao longo do filme. São cerca de cento e oitenta decisões que podemos tomar, para que consigamos encontrar quatorze capítulos, que nos levam a poder chegar a um dos sete finais diferentes. A primeira vez que acabei o jogo, as minhas decisões permitiram-me desbloquear dois finais e onze capítulos.
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Contas feitas, restaram-me descobrir cinco finais e três outros capítulos. Quando chega o momento de tomar um opção, temos duas hipóteses, enquanto se esgota um temporizador. Se ficarmos indecisos, o jogo tomará uma decisão por nós. É um estilo utilizado pela Telltale, que coloca urgência na nossa sentença para fechar um determinado momento do jogo. Misturado com a tensão de algumas situações, é raro querermos deixar o jogo escolher por nós.
Infelizmente, é por isso que Late Shift é mais filme que jogo. Podemos deixar que as escolhas sejam feitas todas por nós e vermos este título como se fosse um filme. É pena que não dê para desligar a função das escolhas e assim víamos Late Shift como aquilo que pretende ser: um filme de ação. A interatividade é mínima e não favorece em nada o género FMV. Se Her Story é o apogeu do género, Late Shift, tal como The Bunker, são o oposto. Nem sequer se esforça para tentar ser algo que poderia alterar a forma como vemos estes tipo de jogo.
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Neste tipo de jogo ou há alguma interacção entre o jogador e o decorrer das ações, ou caímos na monotonia de ver um filme à espera que este aproveite aquilo que um jogo pode fazer. É, na sua essência, um filme razoável. Enquanto, jogo fica muito aquém de outros grandes exemplos do género.

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