As horas iniciais de Layers of Fear 2 não deixam antever aquilo que a produtora Bloober Team tem na manga para os seus fãs. A sequela continua a pertencer ao género do terror, contudo, é bastante diferente do jogo que arrancou a série: a dosagem dos sustos consegue escapar-se a um chorrilho de truques fáceis, mas são mecânicas que só tinham a ganhar se fossem renovadas.
Se em Layers of Fear tínhamos que conviver com um pintor atormentado por uma mente que o iludia e traía, na nova obra somos convidados a subir a bordo de um navio, pois o protagonista é um ator que aceitou ser figura de proa numa nova película que deveria ser gravada no navio. Infelizmente, Layers of Fear 2 faz um trabalho paupérrimo a explicar os vários níveis do seu argumento.
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O jogo é uma carta de amor a vários filmes icónicos, piscando o olho a obras como Shining, O Feiticeiro de Oz, Viagem à Lua (sim, a cena com o rosto na lua) e Nosferatu, o Vampiro, entre outros. Obviamente, o que vão retirar destas referências será proporcional à paixão que nutrem pela sétima arte, mas estes segmentos, por muito que mostrem o quão fãs os produtores são, fazem muito pouco pela história e, sobretudo, pela forma como a mesma é explicada.
Há inúmeros videojogos que permitem aos jogadores uma interpretação própria do seu arco narrativo, porém, Layers of Fear 2 resolve fazer algo que já tinha sido feito, nomeadamente, chamar a personagem a um local que lhe é estranho e fazer com que a sua mente se vá deteriorando, tentando levar quem joga com ele. Na prática, é uma viagem de tormento e de dor, com as cenas no navio a serem ponto de partida para locais dantescos, com manequins aterrorizadores e perigos sem forma sólida que alimentam trechos em que somos perseguidos.
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É uma obra dividida em actos que são uma corrida progressiva ao arrepiante. Há vários sustos fáceis, ou seja, em que algo é atirado na nossa direção ou em que uma qualquer entidade aparece no nosso caminho, mas Layers of Fear 2 não exagera em demasia desses clichés. Aliás, alguns dos momentos mais marcantes acontecem quando há expectativa do que está para acontecer e não quando algo acontece - como uma cena em que há uma criança sentada perto do tecto e o jogador espera o seu salto ou o seu grito.
Nestas sequências, sentimos o peso de cada passo que é dado, porque contamos cada metro que deixamos para trás. No outro pólo estão momentos em que nada acontece, sobretudo quando estamos no navio. Corredores e corredores a abrir e a fechar portas, a vasculhar divisões e cada gaveta no seu interior. Entre estes momentos e os momentos em que olhamos para trás apenas para perceber que temos pelo menos uma dezena de manequins a respirar no nosso pescoço quando há segundos não estava lá nada, a produtora podia ter feito mais.
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Pelo caminho vamos encontrando alguns puzzles, mas nunca demoram muito a chegar às soluções. Seja procurar combinações no cenário próximo, seja compreender como um cofre funciona ou simplesmente alinhar em contas sem grande complexidade matemática, Layers of Fear 2 não quer prender os jogadores demasiado tempo aos enigmas que coloca no seu caminho.
Se excluirmos estes puzzles, a jogabilidade do título assenta sobretudo na exploração - e acreditem que querem explorar cada canto e recanto para absorvem o máximo de informação “secundária” possível - e as cenas em que o ator é perseguido. Obviamente que podemos correr e agachar-nos, sendo sobretudo uma questão de escolhermos o melhor caminho. Mesmo que sejam apanhados, os checkpoints são generosos. Isto não quer dizer que estas secções não acrescentem a urgência de chegar a algum lado, apenas que não são propriamente algo novo e não adicionam nenhuma camada dimensional ao jogo.
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Por muito mal explicada que seja a trama e por pouca inovação que apresente a jogabilidade, Layers of Fear 2 conta com uma atmosfera inspirada em diversas cenas. É verdade que ocasionalmente não há qualquer ligação entre cenas que parecem ter saído de vários jogos diferentes, porém, com o passar das horas a obra da Bloober Team vai aprofundando o seu tom consoante vamos descendo na mente desta personagem. Os pormenores de cada divisão do navio invocam outra época, que nunca é uma condicionante para o lado criativo da produtora.
Os meus testes foram realizados na Xbox One X, sendo visíveis inúmeros soluços na framerate quando se roda a câmara. Não quebra a imersão, mas estão lá, especialmente nas parte das obra que nos colocam no barco. Esta atmosfera desoladora está intrinsecamente ligada à qualidade das texturas usadas, que são um salto qualitativo claro face à obra original. O jogo não se escusa a alguns clichés do género, como obrigar-nos a percorrer inúmeros corredores e condutas estreitos, porém, olhando para o cômputo geral nota-se que a produtora sabia o que estava a fazer.
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De destacar ainda que esta viagem atormentadora fica marcada sonoplastia. Desde os efeitos que acompanham a tensão, ainda que algo repetitivos com o acumular de horas, à voz de Tony Todd, ator que participou em obras como O Assassino em Série e O Corvo, passando pela banda sonora. O tom de Todd é assertivo, com o destaque dos efeitos sonoros, mais do que a originalidade, a ser a temporização em crescendo com que são usados durante o jogo.
No fundo, apesar de ser uma obra inequivocamente diferente do título original, Layers of Fear 2 acaba por sofrer de alguns males idênticos. A essência está lá, mas a produtora parece não conseguir criar algo derradeiramente eficaz com aquilo que edifica sobre ela. Deixar tanto do argumento entregue às metáforas é um atalho para que o sentido da história seja diluído. Numa série com tantas camadas, a Bloober Team precisa de encontrar um processo para que as camadas superiores e mais finas sejam tão seguras como aquelas que servem de alicerces.

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