Este novo título da notável série da nipónica Level-5 não marca apenas o regresso de Layton, através da sua filha Katrielle, como também a entrega mais débil desde que o primeiro título saiu em 2008 para a Nintendo DS. A mudança de protagonista e a estruturação da narrativa são, possivelmente, as razões mais fortes que determinaram o fracasso deste título. Porém, o que é nuclear à série, os quebra-cabeças, continua a oferecer bons desafios.

Com uma alteração de tão grande impacto no jogo e no futuro da série, seria de esperar uma maior atenção às personagens, nomeadamente à estrela do jogo. Katrielle ainda está no início da sua carreira de detetive, mas sempre sujeita a comparações com o excelente trabalho do seu pai. Uma vez que será ela a tomar conta da Layton Detective Agency, será a própria a decidir os casos que investigará. A Londres fictícia na qual se desenrola o jogo tem um conjunto particularmente interessante de indivíduos: os Seven Dragons. Infelizmente, o que começa a motivar-nos para explorar este jogo revela-se, mais tarde, previsível e maçador.

Imagens Analise LMJK

A estrutura da narrativa tem um fio condutor, mas este rompe-se e é-nos entregue uma história faseada, como se de pequenos episódios se tratassem. Isto não favorece em nada o arco narrativo. Temos nós de desenhar, mentalmente, um traço daquilo que nos diz o título “Katrielle and the Millionaires' Conspiracy” e das peripécias pelas quais passam as personagens principais nos vários casos policiais, acabando por servir as vontades fúteis dos milionários londrinos. 

Alguém perdeu o seu animal de estimação e somos chamados a intervir, mas o que acabamos por descobrir são as excentricidades de Madame Gretchin Doublée, nomeadamente a enorme mansão onde mora. Liza Wight chama-nos para que investiguemos a sua casa supostamente assombrada, o culpado da ocorrência dos eventos sobrenaturais é previsível desde o primeiro momento em que contactamos com Liza, a mais nova dos Seven Dragons.

Imagens Analise LMJK

Katrielle Layton faz uso da sua intuição de detetive, assim como pode contar com a ajuda do seu assistente, Ernest Greeves, e o seu cão, Sherl O.C. Kholmes, um nome claramente inspirado nas personagens dos contos de Sir Arthur Conan Doyle. É um trio bem construído, mas que não deixa de deixar em aberto as lacunas das suas personagens. 

Sherl é o refúgio da comédia, Katrielle também tem os seus momentos de humor e é dotada de uma intuição de uma autêntica vidente, já Greeves é o capataz com a personalidade mais equilibrada. A filha de Layton por vezes apresenta um raciocínio lógico que faz muito sentido no momento da revelação dramática do caso. 

Imagens Analise LMJK

Em Layton’s Mystery Journey, a Level-5 quis manter o drama da revelação do caso policial de forma tradicional, com todos os intervenientes presentes para ser revelada a verdade com efeito de surpresa. Contudo, a explicação para os fenómenos ocorridos são tão triviais que acaba por retirar o interesse em saber qual terá sido a razão da polícia ser chamada a intervir nos casos seguintes. 

Não há um elemento maquiavélico, uma verdadeira conspiração que mexa com a vida das personagens, não há o indício de qualquer perigo, nem sequer um sentido de aventura. A nossa função é seguir linearmente pelos diálogos em estilo de visual novel e sermos brindados com conclusões com uma grande carência de brilhantismo por quem as engendrou e, sobretudo, por quem as resolve.

Imagens Analise LMJK

Felizmente, o que salva este capítulo da série da nipónica Level-5 são os seus quebra-cabeças geniais. Neste jogo, tal como nos anteriores da série, tudo é desculpa para resolver mais um puzzle. Estes são compostos na sua grande maioria pela chamadas “adivinhas”. É-nos apresentado um problema com vários elementos, principalmente matemáticos e lógicos com os quais temos de trabalhar para chegar à resposta pretendida. 

Nem sempre é fácil chegar à solução, mas alguns são bastante óbvios, tudo depende do exercício mental que praticam no vosso quotidiano. Não podemos tratar números como simples algarismos, estes representam idades, tempo ou até datas. Cada um deles tem uma lógica e esta tem que ser respeitada, senão serão descontados nos Picarats recebidos - uma espécie de pontuação própria do jogo. 

Imagens Analise LMJK

Nas questões técnicas, sendo este um título da Level-5, os visuais tentam seguir a linha lógica da obra ser um autêntico desenho animado com a resolução de puzzles pelo meio. No quadro geral, a execução é razoável, pois existe uma discrepância notável entre os momentos de vídeo e os momentos de visual novel. Já a vocalização está uns pontos acima, com prestações bastante boas, que se encaixam no estereótipo da personagem que está a representar.

Esta aventura é, sem sombra de dúvidas, para os amantes de puzzles. Quem gosta da narrativa que a Level-5 costumava apresentar, aqui sairá muito decepcionado. A série Layton não representava apenas quebra-cabeças, mas uma narrativa que tinha personagens memoráveis e uma trama que honrava as suas inspirações nos escritores britânicos de literatura policial. Infelizmente, a homenagem que Katrielle parece querer dar é à comédia.