LEGO City: Undercover chegou ao mercado em 2013, conquistando uma legião de fãs com o seu charme de Grand Theft Auto de sábado de manhã. É uma desconstrução do videojogo em mundo aberto, removendo a malignidade sem o tornar uma obra bacoca, sem tratar os jogadores que o compraram em bacocos, mas sim apelando a um público sem discriminação por idades.

Podem ter dez anos e retirarão alguma diversão de Undercover, podem ter trinta anos e reviverão o prazer que tiveram a abrir caixas LEGO City em manhãs gloriosas. Agora, praticamente quatro anos depois, LEGO City: Undercover está a encontrar um novo público, deixando para trás a exclusividade Wii U e entregando-se de alma e coração aos fãs do PC, PlayStation 4, Switch e Xbox One. Também praticamente quatro anos depois, voltei a este mundo, trocando o GamePad pelo DualShock 4.

Imagens Análise LEGO City Undercover PS4

Apesar de continuar a ser uma obra com algumas falhas bem evidentes, soube bem regressar a vestir a pele de Chase McCain, o polícia que está novamente à caça de Rex Fury, o antagonista que continua a abrir o jogo naquela que deverá a perseguição mais lenta na história dos videojogos. Mudou a consola, mudou o comando, mas a essência permanece a mesma: uma linha de humor que vai acertando atirando-se pela ribanceira do exagero sem pensar duas vezes.

Nota-se que é uma obra que tem o coração no sítio certo, ou seja, caminha com alguma astúcia aquela linha entre o não se levar demasiado a sério e ser simplesmente parvo. Não é. Enquanto avançam no arco narrativo são várias as tiradas que assumem que o jogador tem alguma cultura geral para funcionarem - como a piada com Os Condenados de Shawshank pouco depois o arranque -, tal como já tinha mencionado na minha análise à versão original.

Imagens Análise LEGO City Undercover PS4

E por falar na versão original, se a detestaram, não pensem que é por estar presente em plataformas diferentes que LEGO City: Undercover vos vai fazer apaixonar. A espinha dorsal mantém-se a mesma, ou seja, terão um mundo interessante para explorar, um mundo onde decorrem algumas missões menos conseguidas. É mau? Não, não é. Mas nota-se, aliás, que o mundo progrediu nestes quatro anos, pelo que algumas mecânicas têm mais dificuldade em afirmar-se.

Mas há algumas diferenças. A mais óbvia é a remoção do segundo ecrã, que na versão original estava presente no GamePad que seguravam entre as mãos. Se ainda se lembram, o comando da Wii U era usado para mostrar o mapa da cidade e para as personagens comunicarem com vocês. Não tive acesso à versão Switch do jogo, mas posso escrever sobre a versão PlayStation 4.

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As comunicações e o mapa são agora apresentadas no televisor, o passo óbvio que todos esperavam. É parecido com os jogos da Rockstar, nunca tendo dado por mim a pensar que não ter o GamePad quebrava o cômputo geral da experiência. No caso da versão para a consola caseira da Sony, importa ainda salientar que o Touchpad é usado para abrir o mapa e para verificar como está a vossa situação de bricks recolhidos, por exemplo.

Todavia, a novidade de maior monta nestas novas versões é a inclusão da cooperação local, algo que devia ter estado na versão original. Há quatro anos escrevi que “existem algumas particularidades para as quais não arranjamos explicação, nomeadamente os tempos de carregamento penosos e a ausência de uma componente multijogador cooperativa”. 

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Não é uma revolução na jogabilidade, ou seja, não esperem que a raiz dos processos tenha sido retrabalhada para acomodar o segundo jogador. Em vez disso, há uma duplicação da personagem principal que é entregue ao vosso amigo ou familiar. Ainda assim, é uma adição bem-vinda, uma vez que permite explorar a cidade numa viagem muito mais social - “vamos ver o que acontece” é melhor do que “vou ver o que acontece”. 

E “ver o que acontece” levou-me a vários encontros com erros estranhos. As horas que dediquei a esta versão de LEGO City: Undercover foram passadas sempre no modo cooperativo e não foram precisos muitos minutos para a segunda personagem ter caído do mundo de jogo, um erro que fez lembrar Mafia 3, por exemplo. Posteriormente, a segunda personagem resolveu ficar presa no cenário. São situações que podem ser resolvidas com um respawn, mas que não deveriam acontecer.

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Voltando aquela citação do texto original, os tempos de carregamento continuam a ser mais longos que o desejável. Sim, é verdade que o mundo que está a ser carregado não é propriamente pequeno, mas estamos a falar de um jogo de 2013 a correr numa PlayStation 4 Pro. Não têm tempo de ir colocar uma chaleira no fogão, mas seria interessante ver alguma otimização que reduzisse consideravelmente estes períodos.

E continuando pelos capítulos mais técnicos, o jogo corre a 1080p e com uma framerate sólida. Pode não ser o jogo mais bonito do ano, porém, o tal charme LEGO aliado à vasta área que podem explorar e à destruição que podem lançar sobre incontáveis partes do cenário - incluindo veículos - dá uma classificação positiva ao jogo nesta área.

Imagens Análise LEGO City Undercover PS4

Não é, todavia, notória uma revolução neste departamento, ou seja, não esperem encontrar uma versão remasterizada do original, pois não é isso que está em cima da mesa. Se encararem o jogo como algo com quatro anos, então o aspeto não vos incomodará muito, mesmo sem o impacto positivo que teve quando chegou à Wii U. 

Se já tiverem comprado e esgotado tudo o que havia para fazer na versão Wii U de LEGO City: Undercover, estas novas versões podem não ter argumentos suficientes para justificar uma nova compra - a não ser que queiram matar saudades de uma experiência agora partilhada com outro jogador -, mas para todos os restantes fãs de LEGO e de jogos em mundo aberto que não compraram a consola caseira da Nintendo, continua a ser uma boa proposta.

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Aliás, ainda parece haver interesse em Undercover, com o jogo a figurar no Top 10 semanal dos videojogos mais vendidos no Reino Unido. Será interessante perceber se a Traveller’s Tales estará também a aferir o mercado para uma eventual sequela. Têm vários pontos para corrigir, sim, mas têm também os alicerces para o que poderá ser uma saga com qualidade.

Como nota de rodapé importa salientar que foi confirmado ao VideoGamer Portugal que o jogo continua completamente localizado em português.