Pedro Marques dos Santos por - Nov 14, 2018

LEGO DC Super-Villains – Análise

Tal como já se vem tornando tradição, as obras LEGO da TT Games continuam a suceder-se em catadupa e já são raros os anos em que o estúdio britânico da Warner Bros. Interactive não coloca no mercado mais do que um lançamento. Depois de LEGO The Incredibles no verão, título que adaptou as populares e aclamadas películas cinematográficas da Pixar ao formato videojogável através da marca LEGO, o outono traz consigo mais um jogo assente nos moldes com os quais aqueles que jogaram qualquer um dos muitos lançamentos dos últimos anos já estarão mais do que familiarizados.

Ao contrário do seu antecessor, LEGO DC Super-Villains não é uma adaptação de um trabalho já feito, mas sim uma aventura completamente original. Como é explicitado pelo próprio título, este é um título protagonizado pelos icónicos – e outros não tão icónicos – vilões da DC Comics, ou seja, o foco não está nos atos de heroísmo de Batman, Super-Homem e companhia, mas sim nos planos para semear o caos e/ou dominar o mundo daqueles que vêem quase sempre os seus projetos redundarem no fracasso absoluto.

Embora o título nos permita criar e posteriormente personalizar o nosso próprio vilão, um vilão cuja principal característica passa pela absorção de superpoderes, tornando-o numa útil arma para os seus aliados, o foco da narrativa está obviamente direcionado para os nomes mais conhecidas das bandas desenhadas. Lex Luthor, Joker e Harley Quinn são de longe os que têm direito a maior tempo de antena, mas há ainda a destacar a presença de Catwoman, Clayface, Reverse Flash e Deathstroke, entre tantos outros.

Infelizmente, LEGO DC Super-Villains não abraça por completo o lado mau da força, uma vez que acaba por fazer dos seus vilões uma espécie de heróis de substituição perante um grupo ainda mais maquiavélico, isto é, temos uma narrativa que coloca vilões a lutar contra outros vilões e não contra super-heróis. Sim, existem cenas de combate contra Batgirl e Nightwing, por exemplo, mas esses momentos não são o grosso da obra. Mais do que assumir o controlo de vilões para fazer malvadezas, assumimos o controlo de vilões para impedir que outros não levem os seus planos até um ponto de não retorno.

Com o súbito e misterioso desaparecimento dos membros da Justice League, uma nova equipa de supostos super-heróis, o Crime Syndicate, provenientes de uma realidade paralela, mais concretamente da Earth-3, apresenta-se ao serviço da humanidade na ausência dos tradicionais defensores da Terra. Obviamente, nem tudo é o que parece e as intenções deste novo grupo de personagens estão longe de ser as mais honradas. Na verdade, estamos perante vilões a fazerem-se passar por heróis para poderem vasculhar o planeta sem quaisquer impedimentos em busca de um artefacto perdido.

Não é, de todo uma história brilhante ou surpreendente, mas faz o suficiente para manter o jogador ligado à aventura ao longo dos seus vários capítulos. Contudo, pedia-se claramente um melhor aproveitamento do elenco em questão, sobretudo quando a narrativa e as personagens são elementos tão fundamentais para a diferenciação das inúmeras entradas da série LEGO. A própria vocalização tinha qualidade quanto baste para suportar uma história mais substancial, com mais reviravoltas e traições pelo caminho.

Isto acaba por se revelar uma oportunidade desperdiçada, porque mais uma vez a jogabilidade não traz nada de verdadeiramente novo à fórmula habitual. Misturando momentos de combate simplista com a resolução de puzzles assente nas habilidades únicas de cada personagem, a experiência de LEGO é de tal forma tradicional que o facto do jogo insistir constantemente em mostrar dicas no ecrã se torna quase ridículo. Como sempre, existe uma enormidade de conteúdo secundário para os que quiserem espremer ao máximo o seu tempo com a obra, seja missões secundárias no mundo aberto ou colecionáveis escondidos e que só podem ser obtidos jogando novamente níveis já superados com outras personagens.

No campo técnico, o novo título mantém o estilo visual bastante aprazível das obras recentes da produtora, sendo capaz de combinar a estética de peças LEGO com efeitos de alta qualidade, cenários diversificados que exploram competentemente todo o espectro de cores e animações sólidas. De referir, no entanto, que encontrei alguns bugs que me forçaram a reiniciar checkpoints durante as minhas cerca de oito horas com a obra. A banda sonora é igualmente competente, optando por sonoridades mais ritmadas para acentuar o facto de estarmos perante personagens que se deleitam no caos.

Não, LEGO DC Super-Villains não é o jogo que reinventa a roda. É, novamente, mais uma adição sólida ao catálogo de obras LEGO disponíveis no mercado, uma entrada que satisfará sobretudo um público mais jovem e aqueles que pretendem uma experiência cooperativa sem grandes complicações. Se não gostam ou já se fartaram entretanto da fórmula utilizada pela TT Games em todos os seus lançamento, então não há nada aqui que valha a pena uma segunda oportunidade.

veredito

Apesar de não trazer nada de significativo para revitalizar a fórmula tradicional destas obras, LEGO DC Super-Villains oferece, ainda assim, uma interessante experiência protagonizada pelos antagonistas do universo da gigante de bandas desenhada.
7 Bastante conteúdo secundário. Leque alargado de vilões à disposição. Narrativa carece de momentos marcantes. Fórmula já bastante reciclada.

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LEGO DC Super-Villains

para Nintendo Switch, PC, PlayStation 4, Xbox One

Lançado originalmente:

16 October 2018