Sempre que é lançada uma nova entrada LEGO em formato de videojogo, questiono-me e traço as minhas próprias teses sobre qual será a próxima série em que o grupo TT Games se inspirará. Mas desta vez fui apanhado completamente de surpresa, não foi uma saga cinematográfica ou de um universo de heróis de banda desenhada que serviram para a criação de um novo título construído nos blocos de plástico mais conhecidos do mundo. Mas sim um mundo de fantasia imaginado pela própria LEGO, Legends of Chima. Assim a TT Games entrega-nos uma aventura para as plataformas portáteis - Nintendo DS, Nintendo 3DS e PlayStation Vita -, LEGO Legends of Chima: Laval's Journey. Avaliamos a versão para a portátil da Nintendo e fomos expormo-nos ao mundo de Chima.

O reino de Chima é um paraíso virgem com vários ecossistemas para albergar as oito principais espécies animais - leões, crocodilos, águias, rinocerontes, corvos, ursos, lobos e gorilas -, com características humanas, que vivem harmoniosamente em tribos. E neste mundo puro existe um recurso comum por qual todos lutam, o CHI; a fonte dos problemas que ameaça a estabilidade de Chima. A tribo dos leões sempre esteve responsável pela sua proteção pelo extremo respeito que têm a esta fonte de poder.

Um dia, quando Cragger, príncipe da tribo dos crocodilos ganha uma esfera dourada de CHI num campeonato, este fica sedento por mais e começa com a sua irmã a pôr em marcha um plano para recuperar uma armadura que lhe dará o poder CHI a triplicar. Como cedo se apercebe a tribo dos leões este objetivo dos crocodilos destruirá a ordem natural de Chima, incumbindo assim Laval, o príncipe da tribo dos leões, para impedir o plano dos crocodilos de ter sucesso. Esta é a premissa principal do jogo.

Passando por locais deslumbrantes de cada tribo de Chima, Laval vai ter de convencer todos os seguidores do plano maléfico de Cragger que este só será mau para Chima. Como é habitual nos jogos LEGO temos uma imensidão de locais para explorar e com áreas apenas desbloqueáveis com personagens a que teremos acesso mais tarde. As secções de plataformas continuam muito originais, com cada característica própria dos prinicipais protagonistas a destacar-se claramente no seu habitat natural; nas suas respetivas aldeias. No entanto se quiserem mergulhar de cabeça neste mundo terão necessariamente de explorar com as personagens das diferentes tribos áreas onde só elas conseguem aceder devido às suas habilidades especiais.

O combate é uma parte integral do jogo, infelizmente é bastante superficial. Atacamos com o Y e desviamo-nos das investidas inimigas com o botão deslizante. Uma mecânica muito básica, mas, em certas ocasiões podemos usar o poder do CHI e termos uma personagem praticamente invencível. Os bosses também não nos colocaram uma grande dificuldade ou testar-nos a nossa aprendizagem que amealhamos ao longo do jogo. Pressionar desenfreadamente no botão Y serve perfeitamente para serem bem sucedidos. Talvez por termos muitas personagens - podemos cumular um máximo de nove - a TT Games não pôde aprofundar esta área, o que é pena. Seria muito mais satisfatório termos manos personagens para usar e o combate muito mais sólido e entusiástico, lamentavelmente acaba por ser entediante quando esgotamos as personagens todas. O ecrã tátil não é propriamente uma parte integrante do jogo, mas prova ser útil para mudar rapidamente de personagem ou para ver o mapa de Chima e das suas aldeias.

As várias localidades que temos para explorar foram muito bem imaginadas para a Nintendo 3DS. Os pequenos detalhes dos edíficios e enormes estruturas são maravilhosas. Nunca pensei que a pequena coqueluche da Nintendo ainda conseguisse apresentar algo tão belo. Mas quando a câmara se aproximou do rosto das personagens, veio o reverso da medalha: texturas muito fracas, por vezes até se notavam os seus píxeis. A TT Games poderia ter aproveitado com a mesma perícia que teve em exibir mundos fantásticos e aplica-lá nos modelos das personagens. O efeito 3D é interessante mas este é um caso em que o melhor é estar desligado, pois em batalhas em que muitos inimigos aparecem ao mesmo tempo cria alguma turbulência.

Já na parte da sonoplastia a vocalização está bem conseguida, porém em alguns momentos, quando executamos determinadas tarefas, Laval tem a tendência para repetir algumas onomatopeias. Quanto à banda sonora o trabalho foi bem realizado. As melodias que vamos ouvindo dão um tom épico a Legends of Chima.

Igualmente a outros tantos títulos da LEGO a longevidade é enorme. Só para terem uma pequena ideia, terminei a campanha principal em aproximadamente nove horas com apenas pouco mais de um quarto do jogo completado. Legends of Chima: Laval's Journey está recheado de informação para recolher sobre personagens, localidades e muitos outros pormenores sobre a série. Os jogadores com veia de colecionador sentir-se-ão em casa. Mas fiquei perplexo com o acesso a arte e vídeos extra do jogo. Se quiserem ter acesso a estas pequenas prendas terão de aceder ao site oficial da LEGO e trocar códigos com a consola.

A TT Games prova que é exímia a produzir títulos dos blocos de plásticos mais famosos do mundo, seja qual for a plataforma visada. Legends of Chima: Laval's Journey é bom título, mesmo para quem não conhece a série animada que passa no Cartoon Network, ou, obviamente, os sets de construção com blocos LEGO. Aliás, este título serve como condimento para querermos mergulhar nesta elaborada aventura. Se sempre gostaram de aventuras LEGO em videojogo provavelmente já compraram este título, mas se ainda têm dúvidas sobre este mundo que serviu de inspiração a este título então podem ir confiantes que este título não vos vai desapontar.