A série LEGO, produzida pela Tt Games, tem providenciado algumas das melhores adaptações para videojogos de universos que se afirmaram noutros meios de entretenimento. Depois de já se terem aventurado com sucesso pelas adaptações cinematográficas da trilogia original da saga Lord of the Rings, a produtora britânica tenta agora a sua sorte com os dois primeiros filmes da trilogia The Hobbit e diga-se, com toda a sinceridade, que a tarefa de os traduzir para videojogos não poderia estar em melhores mãos.

Como seria de esperar, a narrativa do título segue os eventos dos filmes The Hobbit: An Unexpected Journey e The Hobbit: Desolation of Smaug e faz muito poucas alterações ao material que lhe serve de inspiração, mostrando o respeito e apreço pela qualidade do mesmo. Quem leu os livros ou assistiu aos filmes conseguirá facilmente identificar os pontos chaves de cada uma das obras recriados no jogo, bem como aquilo que foi colocado de parte. No entanto, considero importante referir que o final da obra deixa bastante a desejar, sendo um pouco anticlimática.

Fãs do universo apreciarão, por certo, a história contada ao longo das cerca de oito horas de duração da campanha, enquanto que os mais céticos em relação ao universo não encontrarão nada de novo ou diferente para alterar a sua opinião. Aliás, a principal falha do título passa pela presença em menor quantidade do humor clássico da série LEGO, sendo raras as ocasiões em que a obra levará o jogador a esboçar um sorriso.

No que diz respeito à jogabilidade, as novidades são mínimas e nenhum jogador deverá ter qualquer tipo de dificuldade em perceber as mecânicas fulcrais do título. Ao longo da campanha, terão momentos de combate, cujas mecânicas permanecem básicas; exploração e plataformas, bem como alguns puzzles bastante simples. Tudo o que seria de esperar de um jogo da série está presente e continua a servir de alicerce a uma fórmula que continua a oferecer aquilo que se pede num jogo LEGO, ou seja, uma experiência divertida e sem complicações.

Tal como outros títulos da série, LEGO: The Hobbit conta com um vasto leque de personagens jogáveis, cada uma com a suas próprias habilidade especiais necessárias para o avanço na campanha, sendo que principal desafio do jogo passa por perceber qual o momento certo para utilizar uma personagem específica de forma a chegar à resolução dos frequentes puzzles ambientais que abrandam o ritmo de jogo entre sequências de combate e exploração.

Uma mecânica que regressa do recente LEGO Movie: The Videogame é a construção de objetos mais complexos, através de um minijogo que passa pela correta correspondência entre várias peças possíveis e a peça desejada. No entanto, ao contrário do que acontecia no título anterior, estas construções não são conseguidas através de manuais de instrução, mas sim através de diversos materiais que são recolhidos pela destruição de objetos nos vários cenários de jogo.

Apesar de a recolha de studs continuar a fazer parte integral da experiência, a recolha destes materiais - que podem passar por cristais, cordas, madeiras e minerais - acaba por assumir um papel de maior importância, uma vez que são absolutamente essenciais para o nosso progresso na campanha.

Ainda assim, por muita diversão que a jogabilidade possa oferecer, ver o universo de Lord of the Rings e, mais concretamente, Middle-Earth, recriado em formato LEGO é sem dúvida o elemento mais apelativo do título. É absolutamente impressionante o tamanho do mundo de jogo criado pela Tt Games e a atenção quase religiosa ao mais ínfimo detalhe. Mas não é só o tamanho que impressiona, também a quantidade de missões secundárias e grutas por explorar é igualmente de assinalar.

LEGO: The Hobbit é, graficamente, um deleite para os olhos dos jogadores, apresentando cenários simplesmente arrebatadores que retiram o máximo partido do poder gráfico oferecido pelas novas consolas. A já referida atenção ao detalhe e a qualidade das texturas dos ambientes que nos rodeiam dificilmente passarão despercebidas a alguém. Para além disso, o estilo visual assenta que nem uma luva à série, ao universo e a toda a experiência.

Por último, há que salientar a enorme qualidade do trabalho de voz dos atores, embora seja importante esclarecer que todos os diálogos das cinemáticas do título foram retirados diretamente dos filmes e talvez por esse motivo o humor não tenha sido uma componente tão forte da obra. Também a banda sonora é partilhada com os filmes e acompanha na perfeição toda a experiência.

A mais recente entrada da série LEGO é uma adição de qualidade ao seu palmarés, mas conta com várias falhas que a impedem de se afirmar como um obra obrigatória para os fãs destes títulos e do universo em questão. A pouca utilização do humor a que a série já nos habituou e a ausência de novidades e melhorias significativas na sua jogabilidade são problemas que nem a brilhante recriação de Middle-Earth consegue disfarçar.