Jogar Life is Strange 2 continua ser uma experiência peculiar. Desde o seu anúncio que tive bastantes reservas relativamente às bases narrativas em que a Dontnod queria assentar a sua nova história neste universo que gosta de piscar o olho ao sobrenatural. Três episódios depois, isto é, concluída já mais de metade da aventura, essa cautela continua bem presente e colide quase sempre de frente com os seus momentos mais inspirados, momentos que contrariam a noção de estar em constante movimento a partir da qual a história é construída.
No primeiro episódio, Roads, o movimento foi constante com os seus diferentes atos a colocarem-nos num novo local com novas personagens secundárias ou com os irmãos Diaz isolados. No segundo capítulo, Rules, a viagem de Sean e Daniel dividiu-se por dois locais distintos. Mais uma vez, cada um dos locais contou o seu próprio fio narrativo e personagens independentes, ou seja, não existe grande transporte de um momento para o outro para lá da evolução da relação entre os jovens com ascendência mexicana.
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Em Wastelands, o título do terceiro episódio de Life is Strange 2, a produtora mantém-nos do princípio ao fim no mesmo local e rodeado pelo mesmo elenco secundário. Talvez de forma pouco surpreendente, esse facto acaba por resultar no melhor pedaço de conteúdo do jogo até à data e aquele que mais impacto provoca no momento da despedida. Tal como nos capítulos anteriores, é quando os irmãos Diaz estão acompanhados por terceiros que a narrativa consegue os seus momentos mais eficazes, mesmo sem nunca perder de vista o foco principal da obra.
Com os meses passados na estrada a acumularem-se, também os momentos de confronto entre Sean e Daniel se vão multiplicando. Inseridos num grupo com uma média de idades bem mais próxima do irmão mais velho do que do jovem de nove anos, essa divisão entre os dois acaba por se exacerbar. Ainda que possam facilmente ser depreendidas como irritações desnecessárias de Daniel, a verdade é que estas não são estranhas vindas de um rapaz nesta tenra idade, sobretudo, quando por força das circunstâncias, têm em Sean a única pessoa com a qual têm uma verdadeira ligação.
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Wastelands leva-nos também pela primeira vez de volta ao passado para nos mostrar como era a relação entre os dois antes dos eventos fatídicos do primeiro episódio. É a partir desta sequência que o jogo traça as semelhanças e também a evolução desta relação. Será interessante perceber se a obra nos voltará a dar vislumbres do passado em episódios futuros e de que forma isso poderá enriquecer as duas personagens. Continua a faltar algo difícil de precisar para que esta relação seja capaz de suportar por si só o arco narrativo de um episódio, mas o investimento na viagem dos dois está lá.
Como já referi, o segredo para o sucesso deste episódio está na pequena comunidade nómada a que Sean e Daniel se juntam, uma comunidade que inclui Cassidy e Finn, personagens que já tínhamos conhecido de forma breve em Beaver Creek. Num grupo composto por vidas com um passado disfuncional, Wastelands é rico em interações marcantes à medida que vamos conhecendo melhor cada um deles, de onde vieram, como e o porquê de estarem onde estão atualmente. São histórias e personalidades distintas, mas unidas por uma existência à margem da lei.
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Cassidy e Finn são efetivamente aqueles que têm mais tempo para brilhar, até porque estão integralmente ligados aos atritos entre os irmãos, contudo, o episódio como um todo faz um trabalho assinalável para estabelecer um grupo alargado de personagens em relativamente pouco tempo. Aliás, esse tem sido um dos principais méritos de Life is Strange 2, isto é, a forma como nos consegue cativar para as personagens que vão surgindo ao longo desta viagem.
É precisamente por esse motivo que o facto dos protagonistas estarem em constante movimento não parece fazer grandes favores à construção de uma narrativa ainda mais impactante. Criar personagens cativantes para serem utilizadas durante pouquíssimo tempo é um desperdício e deixa sempre o jogador com a sensação de que mais tempo lhes devia ter sido dedicado. Por outro lado, a obra consegue colocar jogador e as personagens em plano de igualdade, com ambos a serem imediatamente atingidos por um sentimento de saudade no momento da despedida e que se prolonga muito depois dos créditos terem rolado.
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O terceiro episódio de Life is Strange 2 é assim um bom prenúncio para o que ainda falta, mesmo que me pareça um erro abandonar, como o próprio jogo dá a entender na cena pós-créditos, este grupo de personagens. De referir ainda que Wastelands conta com um final bombástico que é influenciado pelas vossas decisões. Dito isto, há também alguns segmentos com Quick Time Events que não parecem servir grande propósito para além de realçar a monotonia de algumas tarefas. Ainda assim, o cômputo geral é bastante positivo.

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