Na criação de um jogo de plataformas acredito, sinceramente, que seja possível fazer praticamente tudo - o limite é mesmo a imaginação. Este é um dos géneros mais antigos dos videojogos e quem os produz, nomeadamente os criadores independentes, tem injetado criatividade, inovação e originalidade. Posso citar uma boa lista de grandes jogos deste género sem mencionar um único título protagonizado por Mario: Super Meat Boy, Shantae and the Pirate's Curse, Splasher e Shovel Knight servem como alguns exemplos. Enfim, os jogos de plataformas, graças à sua particularidade de se incorporarem bem com outros elementos, forma um género bastante maleável, onde se encontram grandes títulos.
![]()
A Bishop Games tentou fazer um jogo de plataformas único, como estes que acabei de mencionar. Light Fall é o resultado desta tentativa. Infelizmente, fica-se pela tentativa porque não consegue aproveitar a ideia original que apresenta: a vossa personagem conseguir criar uma plataforma onde aterrar em pleno salto. Esta possibilidade leva-nos a encarar o jogo de outra forma, se não somos capazes de dar um salto para atravessar um longo abismo, basta-nos criar algumas caixas e estamos, novamente, a pisar o chão.
Obviamente que é necessário haver um factor limitativo da produção de caixas, ou a dificuldade seria inexistente. Só podem criar um máximo de quatro caixas, para voltar a utilizar este poder basta estarem, novamente, no chão. Se for necessário também podem criar caixas onde quiserem com o analógico direito que servirá, sobretudo, para que perigos como raios laser não vos atinjam. Esta nossa personagem ainda consegue dar murros graças ao seu poder de semi-deus.
![]()
Vocês são uma pequena sombra de olhos brilhantes em Numbra, um mundo que foi engolido pela escuridão e devastado por uma praga de formações cristalinas cor de rosa. Para a normalidade regressar a este mundo de fantasia, vocês terão de explorar, aprender e ultrapassar todos os desafios que serão colocados no vosso caminho, incluindo bosses. Só assim poderão salvar Numbra da desgraça.
Grande parte do jogo é feita a correr e a saltar entre plataformas, até nas próprias que vocês criam. E é precisamente aqui que nos deparamos com a primeira dificuldade de Light Fall: o movimento. Depois de ter jogado tantos títulos de plataformas, esta é a primeira vez que a superfície do jogo oferece um atrito significativo, sobretudo nas aterragens. Na prática, foi uma nova realidade à qual tive, obrigatoriamente, de me habituar. Um novo jogo, com novas regras, tem que ser coerente na experiência e neste caso concreto não favorece absolutamente nada a deslocação do nosso pequeno herói.
![]()
Na sua essência Light Fall é um jogo clássico de plataformas, sem aquela sacudidela enérgica dos excelentes jogos de Terry Cavanagh. É por esta razão que aquela aderência ao terreno ser tão estranha. Não há nada que nos faça sentir confortáveis, ainda por cima quando há tantos perigos a evitar ou enfrentar. Quando existe um sentido de urgência para fugir de qualquer perigo, temos de nos conformar com esta abordagem à deslocação.
Também será preciso estar atento a tudo que o jogo pode esconder, porque há alguns colecionáveis para recolher. São pedras preciosas que encerram em si fragmentos da história de Light Fall. Apresentar a narrativa desta forma, que neste caso está escondida, não é a melhor abordagem para dar a conhecer todos os detalhes de Numbra e dos seus habitantes. Obviamente que o foco da obra é a jogabilidade, mas se tem uma história para contar, é bom que o faça da melhor forma, porque esconder ficheiros áudio quando o nosso problema principal são as plataformas ou a ausência destas, talvez estes fiquem de lado para uma segunda volta.
![]()
Light Fall tem um jogo de sombras e de leve luminosidade que apresenta um estilo gráfico muito interessante. Há sombras, escuridão e sítios com bastante mais luz que contrastam entre si para revelar locais magníficos. É um jogo tecnicamente competente, que está longe de fazer com que se ouça a ventoinha da Nintendo Switch. Tem muito estilo e é forma perfeita de não entregar tudo de bandeja, forçando quem joga a explorar.
Se querem um jogo de plataformas competente, têm aqui um em Light Fall. Mas caso queiram um jogo que vá exceder as vossas expetativas, como os trabalhos do já mencionado Terry Cavanagh (VVVVVV), Edmund McMillen (Super Meat Boy) ou Jonathan Blow (Braid) o melhor é adquirir Celeste ou Shovel Knight. Mas se procuram de títulos que aproveitam ao máximo o que uma grande editora oferece, têm o recente Donkey Kong Country: Tropical Freeze, Rayman: Legends ou o excelente Super Mario Odyssey.

/https://s.videogamer.com/meta/859d/8cd05a35-71ff-4e0e-bf78-9a211d80e022_Light_Fall_Analise_Topspot.png)
/https://s.videogamer.com/meta/05c3/23d781ac-73fb-4e9b-9e66-4f6485e9e254_5c06fb02-b8fd-445e-8ca0-b960c4327f77_300_(3).jpg)
/https://s.videogamer.com/images/b7eb/6cf7177e-b486-4f8f-bd50-105fcd37735e_Screenshot_-_City_View_-_IMAGE_297897.jpg)
/https://s.videogamer.com/images/11e9/191719e2-6eb0-489f-b383-3d68fef7e73f_28113313378_abac80049d_o.jpg)
/https://s.videogamer.com/meta/15b9/79fd80f3-3944-4003-9376-eb02772cdc28_Xbox.jpg)
/https://s.videogamer.com/images/13c3/f031cb3c-80bf-47c9-973b-09c0a5b33b85_DaysGone_2019_03-06-19_008.jpg)
/https://s.videogamer.com/images/5a12/masquerada_1.jpg)
/https://s.videogamer.com/meta/8378/65f4c741-3b3c-4343-89ce-4485c7660862_51b9b9f6-e1a7-4042-bd24-c10343c4eb0e_MortalKombatTrilogyRemaster.jpg)
/https://s.videogamer.com/meta/2d78/8c94f466-d8a6-4736-acb1-189a68509d8a_Star_Wars_Jedi_Fallen_Order.png)
/https://s.videogamer.com/images/9f77/c59d2c7e-27a3-40c0-9b53-a3984422899d_Vane_2018_12-08-18_010.png)
/https://s.videogamer.com/meta/4f00/a4d3f7d2-9a93-4303-a974-f7fbb70671ea_Star_Wars_Jedi.jpeg)
/https://s.videogamer.com/meta/8680/04f9d924-ec6e-47a0-8bc5-71f72611ff6f_Tiny_Tina.jpg)