Quando me deparei com este jogo da canadiana Asteroid Base, que recompensa quem consegue ser hábil em multitasking, fiquei maravilhado, frustrado, sorridente; mas acima de tudo, saí das minhas sessões de jogo, com o meu irmão, bastante satisfeito pela diversão que me foi entregue. Lovers in a Dangerous Spacetime oferece não só um divertido atirador cooperativo, como uma experiência intensa que deixa pouco espaço para o jogador sequer respirar, com tudo o que lhe atira para lhe impedir o caminho à vitória.

Lovers in a dangerous

Refiro-me a atiradores cooperativos, normalmente, como muitos daqueles que joguei em máquinas NeoGeo, que me esvaziaram completamente os bolsos de escudos. Com algumas variações ligeiras, uns e outros, com a temática de combate aéreo como constante movida provavelmente pelo sucesso de Top Gun - Ases Indomáveis, filme onde Tom Cruise rasgava os céus.

Lovers in a Dangerous Spacetime evoluiu desse conceito já muito usado e reciclado. Se por um lado, quando jogava com um amigo num salão de jogos do café da minha rua, a tática resumia-se a "tu ficas com os desse lado e eu fico com os deste", em Lovers in a Dangerous Spacetime tem de haver um fluxo contínuo de comunicação para controlar a nave partilhada pelos dois.

Este é o ingrediente especial da obra canadiana em análise. A própria produtora obriga os jogadores a assim procederem, pois se optarem por jogar a dois - sozinho é uma experiência aborrecida - terão de o fazer localmente. Tem de haver uma entrega total dos jogadores, caso contrário, preparem-se para a desgraça chegar rapidamente, de tantas tarefas necessárias para manter a barra de energia da nave cheia.

Lovers 2

Num futuro longínquo, onde a população é constituída apenas por coelhos e sapos adoráveis que parecem ter saído do mundo da gata criada por Yuko Shimizu, os cientistas construíram uma máquina para recuperar e armazenar a energia mais pura e fantástica do universo: o Amor. Esta foi levada para outros cantos do vasto universo, unindo os povos de diferentes galáxias. Porém, certo dia um erro na matriz XOXO permitiu que a força Anti-Amor fosse levada para a nossa realidade, provocando uma explosão do reator espalhando as suas peças pelo espaço. A vossa missão será recuperar essas peças e reconstruir a máquina para que possa resumir a produção de Amor e restabelecer a paz e harmonia no universo.

As forças sombrias Anti-Amor prenderam a maior parte do povo em jaulas, situação que vão inverter destruindo-as e abrindo caminho para novos níveis. Serão auxiliados na vossa aventura com a nave que se encontra alojada no ventrículo oeste do reator. As vossas viagens terão de ser sempre feitas a dois, seja ela com um animal de estimação (controlado parcialmente pela IA) ou, preferencialmente com um amigo vosso.

A nave de forma circular que controlam tem vários locais que controlam - quatro canhões fixos, um escudo, um canhão Yamato mais poderoso e o próprio leme para se assumirem como pilotos. Os acessos não são automáticos, terão de deslocar-se através de escadas pelos vários compartimentos com as suas respetivas funções. No começo do jogo, enquanto está tudo calmo, é fácil fazer o que se deve atempadamente, mas se não forem decorando as formas mais rápidas para os aceder, a vossa taxa sucesso poderá ficar debilitada.

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Se optarem por jogarem a solo, terão de escolher entre um cão e um gato, que responderão imediatamente as vossas ordens: disparar os canhões, conduzir ou controlar o escudo. Conforme a resposta da inteligência artificial de cada um, vocês terão de tentar adaptar-se às suas limitações, como por exemplo o inimigo que escolhem a ser eliminado em primeiro lugar, ou de que projécteis se defendem primeiro. O melhor é jogar com um amigo, mesmo que isso possa colocar em causa o futuro da vossa amizade. Basta serem comunicativos, como já frisei, e tudo correrá pelo melhor. Pelo menos, na maioria das vezes.

Podem sempre fazer o mínimo em cada missão - completar o salvamento dos animais e saírem do sistema galáctico onde se encontram. Porém, se passarem o nível a pente fino, serão recompensados. Receberão presentes que melhoraram as diversas partes da vossa nave. Os melhoramentos são muito divertidos - seja um aumento do poder de fogo, da defesa ou da velocidade da nave.

Mas claro, quanto mais tempo passam naquele ambiente hostil, mais susceptíveis estão às forças sombrias do Anti-Amor. Inimigos de várias formas e tamanhos com certos cuidados a ter. Por vezes, o melhor é fugir. Não por cobardia, mas pela situação ser impossível de controlar por haver tantos inimigos a rodear-vos. Avaliem sempre bem a situação, seja a pôr sempre um a controlar a barreira defensiva, ou sempre alguém com as mãos no leme, e recebem mais satisfação pelo jogo. Sejam teimosos e o jogo responde-vos à letra.

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Um dos grandes pontos técnicos a salientar é, sem dúvida, a sua direção artística. Por momentos pensei estar a passar por Las Vegas, com tantas cores garridas do brilho de luzes néon. Este estilo assenta bem no jogo, principalmente por ter aliada uma música electrónica acelerada, como se tivessem numa autêntica festa privada.

Contudo, como nota pessoal teria preferido que os produtores tivessem feito dois pequenos ajustes. O primeiro teria sido nos controlos do teclado, que não incluem o uso do rato - que daria uma muito maior precisão do que a lentidão das teclas. Percebo que a decisão de não o incluir é para que dois jogadores possam jogar no mesmo teclado, mesmo assim poderia ter lá estado como opção. A segunda é a imposição de jogar apenas localmente, sem a possibilidade de nos aliarmos a alguém através da Internet. Com o rebuliço do dia a dia, é mais do que normal que amigos fiquem separados por uma longa distância e socializem através dos videojogos. Uma oportunidade desperdiçada pela Asteroid Base.

Com o crescente número de títulos com vontade de tomar conta da vossa sala de estar - liderado há alguns anos por Tower Ascension -, nomeadamente, quando têm visitas em casa, é normal que alguns percam qualidade para poderem entrar na onda enquanto esta tendência ainda está voga. Felizmente, este não é o caso. Lovers in a Dangerous Spacetime é uma excelente proposta que poderá retirar muitos risos e sorrisos, tal como descontentamento e frustração. Basta escolherem os amigos certos, ou avisá-los com antecedência para aquilo que vão experimentar. Seja como for, se têm amigos para passar por vossa casa - ou pela deles se usarem Family Sharing no Steam - esta é uma escolha acertada para longas noites de divertimento.