Quem compra um jogo em que "Mario" está no título, não espera uma história com grande substância, mas uma motivação ou justificação para a aventura na qual embarcamos. Mario é sinónimo de plataformas, mas a criatividade da Nintendo alargou os horizontes de Mario em corridas com veículos motorizados, em desportos coletivos e em aventuras RPG. São estas últimas nas quais vamos falar hoje, mais concretamente na mais recente reedição de Mario & Luigi Bowser's Inside Story na Nintendo 3DS. 

Esta é uma série que poderá ter caído no esquecimento, sobretudo quando a Nintendo lança este jogo numa portátil em fim de vida. Seja como for, ainda há milhões de portáteis Nintendo 3DS nas mãos dos jogadores, mesmo que o tempo reservado para jogar seja também dividido com a Nintendo Switch. Assim, a casa de Quioto volta a apelar aos jogadores a comprar um jogo da série Mario & Luigi com um conteúdo adicional semelhante a Bowser's Minions, incluído na nova edição de Mario & Luigi: Superstar Saga. Falta agora ver se este é motivo suficiente para voltar a um RPG invulgar, mas muito característico da Nintendo. 

Fawful é, novamente, o vilão da série RPG. Este malfeitor pensou em tudo para conquistar o Reino Cogumelo, até ludibriar Browser a cair na sua armadilha meticulosamente preparada. Bowser, tal como o próprio título indica, é uma peça central do jogo. Fawful, ao conseguir convencer Bowser a ingerir um cogumelo especial, fez com que o eterno inimigo de Mario se transformasse num autêntico aspirador. A potência de sucção era tanta que uma boa parte do Reino Cogumelo foi parar ao seu estômago e a diferentes partes internas do seu corpo. 

Obviamente que nesta situação caricata, os irmãos Mario e Luigi - tal como os habitantes de Toad Town - procuram desesperadamente uma saída do organismo de Bowser. Contudo, Bowser tem um objetivo próprio: salvar o seu castelo das mãos de Fawful. E por muito que os irmãos queiram sair das entranhas de Bowser, têm de cooperar com o vilão que já combateram vezes sem conta. 

Há todo um conjunto de atividades a fazer no interior de Bowser, sobretudo para ajudá-lo a recuperar forças quando mais precisa. E na altura que conseguirem sair do interior de Bowser, terão de impedir que Fawful possa apoderar-se de uma Dark Star, estrela que confere um poder maléfico a quem a detiver. No cômputo geral, a narrativa gira em torno do bem vencer o mal, ou seja, mais do mesmo. Todavia, é o tom cómico invulgar que faz deste jogo uma aventura surpreendente, principalmente por dar voz - apesar de ser através de texto - a personagens que ficam em absoluto silêncio na maioria dos jogos que protagonizam. 

Mario & Luigi Bowser's Inside Story + Bowser Jr.'s Journey tem duas vertentes principais: a exploração e o combate por turnos. Nenhum deles é particularmente difícil, basta terem um bom sentido de ritmo visual. A exploração dentro de Bowser é feita num plano bidimensional, ou seja, andam com Mario e Luigi da esquerda para a direita e vice-versa. Do lado de fora, no Reino Cogumelo propriamente dito, a perspetiva muda para um plano tridimensional onde vemos as personagens de cima para baixo. E é nesta perspectiva que controlam, na grande parte da campanha, Bowser. 

Há diferenças notórias no controlo do par vermelho e verde e do histórico vilão da série da casa de Quioto. Bowser pode mandar murros e cuspir fogo durante a fase de exploração para abrir caminhos onde estão objetos para destruir ou que se desfazem como combustível para o calor abrasador das chamas expelidas da boca de Bowser. Depois do caminho aberto, há interruptores para ativar que nos abrem as diversas portas que bloqueiam o alcance do nosso objectivo. Também há encontros com inimigos que iniciam as inúmeras batalhas espalhadas pelo jogo e que acabam por ocupar a maior parte das sessões que temos com o jogo. 

A grande falange da jogabilidade são minijogos de ritmo. Em termos mecânicos, não há muita variedade. Temos de pressionar os botões A e B no caso de Mario e Luigi, respectivamente. Enquanto que Bowser é controlado com o X. Por isso, caso saltem de um combate para o outro não há enganos, é tudo coerente e com uma interface fácil de entender. Os ataques básicos são o salto e o martelo no caso de Mario e Luigi, enquanto que Bowser pode dar murros e cuspir fogo. Embora pareçam ataques simples são eficazes para os lacaios mais fracos de Fawful. 

Porém, a parte mais apelativa do jogo está nos Bros. Attacks (de Mario e Luigi) e no Brawl Attack (de Bowser). É aqui que o ritmo dos minijogos é posto à prova e não interessa se o ataque em si é forte, pois se falharem o ritmo dos saltos com os botões ou com o stylus, não infligem o dano máximo que vos é permitido atingir. Os ataques são, sinceramente, divertidos, mas não deixa de ser frustrante errar o ataque por uma pequena distração. Estes ataques gastam BP, os pontos necessários para efetuar estes golpes técnicos mais exigentes. Por isso, quando sobem de nível é sempre útil atribuir alguns pontos no aumento da quantidade máxima de BP.

Infelizmente, o que acaba por diminuir o interesse dos combates é o elemento que, ironicamente, devia aumentar esse mesmo interesse: os bosses. Estes inimigos mais temíveis são apenas mais resistentes que os inimigos que encontramos ao longo da aventura. O que acaba por revelar uma maior curiosidade com os bosses são os minijogos que, por vezes, os antecedem ou a sua personalidade cómica exposta nos vários diálogos. Assim, o jogo acaba por ser uma ótima descoberta gradual de novos ataques e de novos detalhes à narrativa.

O grande complemento a esta nova edição é “Bowser Jr.’s Journey” - uma narrativa paralela aos eventos ocorridos no jogo original. Com alguns Goombas transformados em Blorbs no castelo de Bowser, o jovem Bowser Jr. parte numa demanda para encontrar a cura para esta enfermidade cómica, pois transforma as vítimas em grandes esferas que mal se podem mexer. A jogabilidade define-se, sobretudo, por uma luta estratégica de sumo (o desporto japonês). São colocados oito lacaios numa grelha e vence quem se conseguir sobrepor à lógica do jogo “pedra, papel e tesoura”. É um jogo divertido, mas que se revela demasiado superficial a longo prazo. 

Tecnicamente, o jogo é muito mais polido que o original, mas que não transporta nada de efetivamente benéfico à jogablidade. Não é propriamente fácil recomendar este jogo a quem já jogou o título da Nintendo DS, que foi lançado em 2009. Não há nada de novo que justifique o gasto de mais uns Euros nesta versão, “Bowser Jr.’s Journey” não é uma adição de grande valor, mas sim a desculpa ou manobra de marketing para incentivar os jogadores a voltar a comprar o RPG da Nintendo.