"Calma, calma, lembra-te o quanto custou a 3DS XL. Calma, vai ficar tudo bem. Shhhh, vai ficar tudo bem."

Esta foi a frase que repeti interiormente inúmeras vezes durante o tempo em que Mario and Donkey Kong: Minis on the Move me ocupou as horas de jogo na portátil da Nintendo. Foi a forma encontrada de não atirar a consola contra a parede ou pela janela fora. Mas antes de chegarmos aos meus ataques de cólera suburbana, convém explicar o que é Minis on the Move.

Na sua essência, Minis on the Move usa um processo muito simples para prender a atenção do jogador: brinquedos de dar corda têm que percorrer um percurso do ponto A até ao ponto B pelo caminho que desenhámos com as peças que nos vão chegando por um tubo, tal como as peças em qualquer jogo de Tetris aparecem no ecrã. Com as peças que nos calharem em sorte temos que fazer com que nunca falte caminho à miniatura. O jogador nunca chega a controlar diretamente as personagens, sendo a sua única tarefa criar os mencionados caminhos. É simples, não? Não. Com a progressão pelos níveis o jogo certifica-se que a dificuldade nunca fique estagnada.

O caminho nem sempre está desimpedido de obstáculos e no modo principal temos três moedas que podemos apanhar para receber uma estrela no final do nível, que -como já é tradição nos jogos Nintendo - servirá posteriormente para desbloquear novos modos de jogo, minijogos e algumas funcionalidades, ou seja, apesar de não ser obrigatório apanhar estes itens, certamente serão um desafio a que a maioria dos jogadores vai aceder facilmente, fazendo com que o mencionado caminho entre o ponto A e o ponto B sofra alguns desvios e complicações.

Além destes desvios opcionais, existem outros que são obrigatórios, uma vez que alguns níveis obrigam o jogador a apanhar uma chave para desbloquear o local onde o nível termina. Como se não bastasse, o percurso propriamente dito não é um passeio no parque, sobretudo devido aos inúmeros obstáculos que estão entre o tubo em que a personagem aparece no início de cada nível e a sua conclusão. Do lado direito do ecrã vão aparecendo as novas peças para construírem o caminho, contudo, existe um número máximo de peças que podem acumular sem serem utilizadas. Para tal, algumas etapas do jogo têm à vossa disposição um local onde podem eliminar as peças indesejadas, o que não só liberta espaço para as novas, como também vos fornece peças especiais sempre que destruírem um determinado número de "lixo".

Depois de chegar a alguns níveis mais avançados, comecei a sentir que as mãos não acompanhavam o pensamento. Não sei se já vos aconteceu enquanto experimentaram um jogo de puzzles, mas eu sabia perfeitamente o que tinha a fazer, porém, a coordenação do melhor caminho, a recolha das três moedas e a pressão implacável de arranjar espaço para as peças novas, começou-me a provocar aquela sensação de incapacidade de conseguir conjugar tudo em tempo útil. Provavelmente estarão a pensar que isso é um ponto negativo na análise e não poderiam estar mais enganados. Sempre que perdia um nível - e acreditem que vão perder muitas vezes - aparecia o botão para desistir ao lado do botão para tentar novamente.

O problema do cérbero humano é que não gosta muito de perder, sobretudo quando fica com a impressão que foi por não ser suficientemente rápido. Tentativa atrás de tentativa, o jogo começou a ser uma luta pessoal e quase intransmissível, o que rapidamente levou a pensar que era apenas mais uma vez, só mais uma vez e a acreditar na percepção que sabia perfeitamente onde tinha errado. Não, não foi apenas mais uma vez e sobretudo não sabia onde tinha errado. Todavia, sempre que um nível é conquistado - sobretudo com as três moedas apanhadas - a sensação de júbilo esteve sempre presente acompanhado daquele direito de me poder gabar - "eu sabia que conseguia passar este nível" - nem que tivesse errado dez ou vinte vezes.

Minis on the Move oferece quatro modos diferentes entre si, apesar da fórmula principal ser transversal ao quarteto. Além do Mario's Main Event disponível no início do jogo, existem três modos que são desbloqueados conforme fomos progredindo, nomeadamente, Many Mini Mayhem, que faz com que o jogador não se preocupe com as peças a colocar, mas que o obriga a controlar várias miniaturas, o que é especialmente difícil porque cada uma delas se move numa direção própria; Puzzle Palace e Giant Jungle, que são modos praticamente antagónicos, sendo que o primeiro é mais relaxado e o último se encarrega de pegar no modo principal e aumentar ainda mais a dificuldade.

Apesar de serem apenas quatro modos diferentes, a Nintendo soube equilibrar o que cada um deles oferece, ou seja, não olhei para cada um deles como secções diferentes, mas sim como partes que completam a experiência que tive com o jogo como um todo, o que ajuda a aumentar a longevidade do jogo consideravelmente. Ainda assim, se quiserem apenas pensar no modo principal, convém explicar que têm à vossa disposição 60 níveis diferentes, o que por si só garante várias horas de entretenimento. Mas a jogabilidade não é perfeita, sobretudo na segunda parte dos níveis. Tal como disse, existem inúmeros acontecimentos em simultâneo, o que pode deixar os menos destreinados assoberbados e o mais certo é fecharem a portátil da Nintendo antes de a atirarem contra uma parede.

Fora dos quatro modos principais existem alguns brindes para os jogadores, como por exemplo uma coleção de minijogos que são o oposto do que está disponível nos modos principais, recorrendo muito mais à ação direta, seja atirando as miniaturas contra inimigos que vão aparecendo no ecrã, ou por exemplo atirar um Mario em miniatura contra um cubo colorido, lascando algumas das suas peças a cada lançamento. No total são quatro conjuntos de minijogos para serem desfrutados.

Finalmente, se são daqueles jogadores que se queixam do desenho dos níveis, Minis on the Move coloca um editor de níveis à vossa disposição, para darem azo à vossa veia criativa produzindo e partilhando novos traçados com a comunidade online. Tecnicamente o jogo é competente, tanto o grafismo como a banda-sonora certificam-se que estamos perante um jogo colorido e vibrante com uma música calma que serve sobretudo para criar ambiente.

Mario and Donkey Kong: Minis on the Move é um jogo bastante interessante. Há uma linha entre a diversão e a frustração muito ténue durante uma boa parte dos puzzles oferecidos e ainda que seja pisada por várias vezes, o seu charme fez-nos regressar para mais uma tentativa, mais uma oportunidade de provar que somos mais inteligentes que um jogo de consola. É certo que os menos persistentes vão fechar a consola muito antes de terem conquistado todos os níveis e é provável que a urgência de espatifar a consola no chão apareça por diversas vezes, mas se forem mais fortes que essa vontade e preservarem a vossa consola, cada nível conquistado terá o sabor de uma pequena vitória.