Curiosamente, das propostas apresentadas para a Nintendo 3DS na Electronic Entertainment Expo deste ano, na transmissão online por parte da casa de Quioto, fiquei apenas intrigado por dois títulos. Ambos partilhavam uma característica peculiar: a aventura seria composta por três heróis, porém, uma seria melhor desfrutada com amigos ou desconhecidos online, já a outra seria exclusivamente jogada a solo. A primeira análise, The Legend of Zelda: Tri Force Heroes, já foi publicada, enquanto que agora trago a segunda, Mario & Luigi: Paper Jam Bros.

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O que me arranhou a curiosidade quando estava a ver a apresentação de Mario & Luigi: Paper Jam Bros. foi a junção de dois mundos diferentes que a Nintendo criou para a mesma família de personagens. Dois spin-off à série principal de plataformas, o RPG Mario & Luigi produzidos desde sempre para as plataformas portáteis da Nintendo e o título de plataformas Paper Mario que abriu uma perspetiva diferente na resolução de puzzles no Reino Cogumelo. Acho que não haveria modo de ser trilhado o caminho errado para uma boa aposta que junta dois géneros que sempre motivaram os jogadores adeptos de novos desafios, sejam estratégicos ou da descoberta de soluções diretas.

Estava um belo dia, quando Toad e Luigi, dois trapalhões medrosos, decidiram visitar o Castelo da Peach para ver de onde surgia uma corrente de ar numa das divisões mais recônditas do castelo. Aí estava uma pequena biblioteca que tiveram de subir para averiguar a localização da saída de ar, assustados com um rato que de lá saiu caíram com tal força que fizeram abanar a estante e tombar um livro em particular que deu início à aventura do título da AlphaDream - produtora japonesa responsável pela saga Mario & Luigi.

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O livro que Luigi fez cair era o do mundo de Paper Mario. Quando este abriu-se depois da sua queda, todas personagens que lá se encontravam foram libertadas para o mundo de Mario, incluindo os vilões e lacaios que Bowser tem sobe o seu comando. Por isso, caberá a Mario e Luigi, com Paper Mario a juntar-se mais tarde ao duo, recuperar todas as personagens e devolvê-las ao livro a que pertencem, mas como é claro, Bowser não fará a vida fácil à dupla de irmãos canalizadores. Bowser e a sua cópia de papel vão usar o seu método clássico para atormentar Mario e companhia: raptar mais uma vez a princesa Peach para as masmorras da sua fortaleza.

Começa a jornada e o mundo de Mario é vosso para explorar. Tal como um verdadeiro JRPG com combates por turnos, vão deambular pelo Reino Cogumelo à procura de personagens de Papel para regressarem ao seu lar representado no livro que tombou. Vão ver cedo que muitas passagens só estarão abertas mais tarde, pois terão de aprender novas técnicas ou objetos que vos vão permitir ultrapassá-las.

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Como é apanágio em muitos RPG, não serão apenas vocês a vaguear pelos cenários, vão se cruzar com vários inimigos do grupo de malfeitores que trabalham para o Bowser. Inevitavelmente, terão de combatê-los e Mario & Luigi: Paper Jam Bros. tem um rico leque de opções para derrotar os vossos inimigos, sem nunca vos deixar entediados.

Primeiro está a forma como abordam a batalha: ou são diretos e tentam infligir dano com um ataque antes de entrar no modo de combate, ou se tentarem evitar o confronto, poderão ser abordados pelos próprios inimigos sem vantagem inicial. Na batalha propriamente dita, terão as opções tradicionais: usar itens e vários tipos de ataque, uns de dano físico normal e outros de ataque especial. Podem saltar em cima de inimigos ou atingi-los com um martelo, isto nos ataques considerados mais básicos. Os ataques especiais são muito mais fortes e requerem um ataque conjunto dos irmãos, denominado "Ataque Bros." ou das três personagens, usado por Mario de Papel com a designação de "Ataque Trio".

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Como se pode verificar, existem muitas opções para escolher a melhor abordagem ao inimigo. Mas se conhecem bem a lista extensa de inimigos de Mario, sabem que alguns serão imunes a certos ataques. Por exemplo, Spiny, uma tartaruga de carapaça vermelha coberta de espinhos não irá obviamente sofrer dano caso escolhemos um ataque que implique saltar em cima dela.

Neste caso dá-se uso ao martelo. Contudo, o próprio martelo não pode ser usado em inimigos voadores que se desviam sempre deste ataque específico. Mas se querem ter vantagem sobre inimigos de papel usem o Ataque Bros. de Luigi "Flor de fogo" e terão logo um dano adicional por ser uma fragilidade única desse adversário.

Um dos aspetos mais originais do jogo é o papel ativo do jogador durante as batalhas. Vocês não serão apenas generais de combate que ditam as ações de cada interveniente e ficam recostados a ver o desenrolar das vossas decisões. Neste título terão que participar em minijogos em todos os ataques que escolherem, e até mesmo nos contra-ataques - um ponto crucial se não quiserem ver o ecrã de Game Over muitas vezes.

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Estes minijogos são praticamente todos baseados em premir os botões no momento correto, um jogo de ritmo e de antecipação. Repetir estas ações inúmeras vezes seguidas pode parecer cansativo, mas não o é pela variedade de inimigos existente e, sobretudo, pela cadência de introduções de novos ataques. Não há momentos mortos nem aborrecidos. Só perdem pela falta de atenção, ou pela falta de sensibilidade no ritmo, caso pousem o jogo por demasiado tempo.

Ainda em ocasiões pontuais irão lutar com Gigapapelões, que são estruturas de cartão das personagens, transportadas por Toads e Goombas. São simples e muito divertidas e, apesar de não existir um grande lado estratégico, são eficientes para quebrar o ritmo do combate. Para terminar esta secção sobre combate, ainda convém mencionar os confrontos com bosses verdadeiramente desafiantes. Não vos vão deixar em paz, mas será uma conquista justa em caso de vitória. Não há a sensação de facilitismo durante o embate, mas se forem novatos por estas andanças do género RPG terão sempre a opção de ajuda para ser ativada.

O departamento técnico capturou bem o que representa um jogo da mascote da Nintendo, em todos os capítulos desta área. Os modelos, animações, a paleta de cores está de acordo com o que se espera de um jogo Mario e da 3DS, sem nunca se limitar ao minimalismo e sem nunca ceder à ganância de um grafismo mais ousado que a 3DS não seria capaz de reproduzir em condições adequadas.

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Uma nota muito importante a fazer à Nintendo Portugal sobre a localização do jogo. Este título está muito bem traduzido ao ponto de conseguir ser cómico e disparatado nas situações em que tem de o ser. Não houve uma única vez em que vi um erro de ortografia ou de uma expressão mal implementada. E não foi apenas diálogo que foi traduzido para português de Portugal, muitos capítulos de tutoriais e explicações que foram submetidos à conversão para o nosso idioma, até os nomes de personagens icónicas do jogo.

Mario & Luigi: Paper Jam Bros. é mais uma obra a recomendar para a plataforma que a Nintendo trata com tanto respeito. A longevidade está assegurada para incontáveis horas que ultrapassam facilmente as várias dezenas. Se são apreciadores de bons RPG e de quebra-cabeças têm aqui uma excelente opção para a vossa Nintendo 3DS.