Filipe Urriça por - Dec 9, 2021

Mario Party Superstars – Análise

Aparentemente, a Nintendo acha que temos saudades ou a necessidade de jogar mais um Mario Party. Por incrível que pareça, com Mario Party Superstars, a casa de Quioto conseguiu renovar o interesse pela série, comprovando que continua a ser divertido jogar um “novo” título da série que nasceu na Nintendo 64. O uso das aspas na palavra “novo” na frase anterior não foi por acaso, porque os minijogos de Superstars vêm dos clássicos Mario Party, até aos mais contemporâneos publicados na Wii U.

No fundo, a Nintendo fez uma curadoria de minijogos da série Mario Party, nomeadamente dos títulos que foram lançados na Nintendo 64 e na GameCube. Como há um adaptador oficial para se ligar comandos GameCube na Switch e foi posto à venda, recentemente, um comando da Nintendo 64 compatível com a consola híbrida, percebe-se o conceito por detrás de Mario Party Superstars e do lançamento ter sido próximo da disponibilização do serviço Nintendo Switch Online + Expansion Pack.

Não devem ser muitas as razões para se ter um comando GameCube, para além de o usar em Super Smash Bros. Ultimate. Nem devem haver grandes motivos para se comprar um novo comando Nintendo 64, dado que o catálogo de títulos de clássicos que foram lançados na aplicação Nintendo 64, para quem tem a nova subscrição da Nintendo, é bastante reduzido. Apesar de Mario Party Superstars ser uma espécie de reciclagem, que aproveita o melhor que se fez na série em termos de minijogos, a sua existência é justificada pela forma como apresenta Superstars para uma nova geração de jogadores que não conhecem as consolas domésticas mais antigas da empresa nipónica. Uma outra razão que válida o lançamento deste jogo são as opções existentes que permitem moldar a experiência do jogo – até jogar sozinho é divertido, o que considero surpreendente para um jogo deste género.

Depois de jogar umas valentes horas de Mario Party Superstars, em várias partidas pelos cinco tabuleiros disponíveis (vindos de títulos da Nintendo 64), acho que esta é uma boa abordagem para aproveitar os periféricos da Nintendo Switch. Também é uma excelente introdução à série Mario Party para os jogadores mais novos, tal como a outros que tenham perdido a oportunidade de jogar as obras na sua janela de lançamento original, dado que a GameCube não foi uma consola que gozou do mesmo sucesso da Wii. Mario Party é sinónimo de diversão e não há como negar os bons momentos que estes jogos proporcionam num contexto familiar ou social.

Uma das funcionalidades que leva Mario Party Superstars a ser um jogo moderno é de ter a possibilidade de jogar online, útil para a realidade em que vivemos atualmente. Para jogos Nintendo, isto é quase revolucionário, visto que a casa onde nasceram as personagens mais icónicas dos videojogos é um bocado retrógrada no que toca à implementação de funções – para as suas consolas e jogo – que utilizam a Internet, bastando ver como é que funciona a comunicação entre jogadores na Switch. É por isso que o ecrã inicial me deixou perplexo, mas satisfeito por ver a que a casa de Mario está finalmente a adaptar-se à realidade daquilo que é possível fazer com videojogos ligados à Internet. Assim, quando ligamos o jogo só temos de escolher uma de três opções: multijogador online, multijogador local ou jogar sozinho.

Não se pode considerar Mario Party Superstars um jogo justo, porque para vencer é preciso ter sorte – em grande abundância por vezes. Não é por acabarem uma partida com mais estrelas que têm, garantidamente, a vitória no bolso. Há ainda toda uma fase final de atribuição de estrelas adicionais mediante o cumprimento de objetivos aleatórios. Por muito que terminem o jogo em primeiro lugar, é muito provável que levem com o equivalente a uma carapaça azul de Mario Kart, visto que as estrelas extra podem ir todas para os vossos adversários enquanto vocês ficam a ver navios e a descer na tabela classificativa.

A diversão de Superstars passa precisamente por estarmos iludidos com o primeiro lugar e de sermos competitivos com os nossos amigos, quando o jogador mais fraco da partida pode ser catapultado para o pódio, num abrir e fechar de olhos. Para termos uma maior hipótese de vencer convém utilizar todas as mecânicas que temos ao nosso dispor, para assim amealhar a maior quantidade de estrelas possível. Não é só lançar os dados e estarmos à mercê do número que nos calhar, isto não é o jogo da glória e aqui não se aplica a conhecida expressão latina – alea jacta est. Temos de tomar decisões cruciais que podem mudar, por completo, o rumo do jogo.

Em Superstars, temos de percorrer um tabuleiro em busca das estrelas que Toadette tem para nos entregar. Portanto, o nosso objetivo passa por ir até à casa onde se encontra a estrela que tanto queremos ganhar. Dependendo dos tabuleiros, Toadette vai trocando de casa depois de um jogador recolher a sua estrela, o que torna toda a partida dinâmica e divertida. Imaginem que alguém acabou de mudar de direção para chegar a Toadette quando, na jogada seguinte, há um jogador que utiliza um tubo dourado para chegar instantaneamente a Toadette, o que faz esta personagem mudar de local. O resultado é a gargalhada geral, porque a decisão de mudar de direção revelou-se um azar. Quando a sorte não está do nosso lado, o jogo evidencia-o bem. A chave para se ser bem sucedido é rir do nosso infortúnio e tentar usar tudo o que está ao nosso alcance para chegar ao nosso objetivo, para fazer mais do que o simples número que sai no dado.

Também é muito importante apanhar a maior quantidade de moedas possível, por várias razões essenciais para saírem vitoriosos do jogo. Primeiro, se quiserem estrelas têm de pagar vinte moedas de ouro de cada vez que conseguirem cruzar-se com Toadette. Há uma casa que é, essencialmente, uma loja para comprar diversos itens que vos podem dar uma grande ajuda a chegar ao que pretendem, mais rapidamente. Os exemplos mais notáveis são: um dado duplo (que vos permite lançar o dado duas vezes seguidas e avançar até um máximo de doze casas numa única jogada), um dado amaldiçoado para darem aos vossos adversários (este dado não permite obter um número maior do que três) e o já mencionado tubo dourado (que vos possibilita irem ter, na próxima jogada, com Toadette, por mais longe que estejam dela). Por conseguinte, ter o bolso cheio de moedas é, quase, ter meio caminho andado para a vitória.

É aqui que entra o grande motivo pelo qual é crucial ser bom nos minijogos, porque quem os vence recebe a maior fatia de moedas que é possível ganhar. Porém, mesmo que não fôssemos recompensados em ouro, os minijogos são a grande parte da diversão de Superstars – aliás, quem compra um Mario Party é pelos minijogos, ponto final. São alguns segundos de desafio até um máximo de quatro jogadores, seja um contra três, dois contra dois ou, na maioria dos casos, é cada um por si. Superstars é realmente divertido, onde é possível atingirmos níveis de pura alegria equivalente a um bom WarioWare. Estes momentos de divertimento também vão enervar algumas pessoas, porque quando têm de prejudicar alguém para saírem vitoriosos de um minijogo qualquer, devem fazê-lo sem cerimónias. Têm de lutar pela conquista do minijogo, porque uma única moeda a mais do que um oponente vosso pode fazer toda a diferença entre serem derrotados ou erguerem a taça de campeão do tabuleiro.

Num mundo em que a saúde pública está em risco, é bom ver que a Nintendo se lembrou de incluir multijogador online num jogo que é tradicionalmente restrito ao multijogador local. É bom terem incluído esta funcionalidade de raiz e não numa atualização posterior. O jogo é muito bonito, com as cores, formas e grafismo que já se esperam de um jogo inserido no Reino Cogumelo, assim como tem doses bem generosas de humor, nomeadamente durante a realização dos minijogos. Se têm o novo comando Nintendo 64 ou o adaptador para comandos GameCube e um comando, então têm bons argumentos para adquirir Mario Party Superstars, mesmo que os minijogos sejam reaproveitados de títulos antigos. Até podem selecionar um conjunto de jogos que vieram exclusivamente de títulos Mario Party publicados na Nintendo 64, ou outro de minijogos de títulos da GameCube, antes de iniciar uma partida. Se querem um jogo para jogar com amigos ou familiares, mesmo que afastados pelas circunstâncias da saúde pública, então não procurem mais: Mario Party Superstars é o jogo ideal.

veredito

Superstars aproveita o melhor que se fez na série Mario Party e apresenta-o novamente aos jogadores com uma Nintendo Switch.
8 Excelente seleção de minijogos. Uma centena de minijogos. Personalização das partidas. Ausência de conteúdo novo.

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Mario Party Superstars

para Nintendo Switch

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Lançado originalmente:

29 de outubro, 2021