Filipe Urriça por - Jul 4, 2022

Mario Strikers: Battle League Football – Análise

Este novo jogo da casa de Quioto, Mario Strikers: Battle League, é surpreendentemente complexo nas duas mecânicas. Não é que seja difícil jogar; rematar à baliza, passar a um colega de equipa ou cortar a bola ao adversário são pequenas técnicas fáceis de executar, mas isto é só a ponta do icebergue das mecânicas do jogo. Por isso, quando entrarem nas partidas online ou nos torneios para jogar contra a Inteligência Artificial do jogo na dificuldade mais elevada, vão ter que saber jogar muito bem. É pena que não haja muito a fazer neste jogo que junta as personagens do Reino Cogumelo a praticar o que conhecemos como Desporto Rei.

Em Battle League só vão ter dúvidas na forma de jogar se o quiserem, porque aqui é tudo explicado tintim por tintim em várias lições onde vos é informado tudo o que têm de fazer e como é que têm de o fazer. Porém, este método de dar-vos todas as aulas teórico-práticas sem apresentar uma situação contextual para as usar acaba por ser difícil de assimilar tudo, nomeadamente as técnicas mais avançadas. Quem se adaptar bem às mecânicas oferecidas vai saber quando é que terá de cancelar um Hiper-Remate e fazer uma consequente finta, fazer passes certeiros ou ainda executar o que o jogo considera Ações Perfeitas.

Quando entramos no menu, segundos após termos iniciado o jogo, os modos para jogar sozinhos são escassos. Podem participar num Jogo Rápido, a mais básica de todas as opções disponíveis, ou selecionar os torneios intitulados de Taças numa série de jogos com quatro equipas em eliminações duplas. É apenas e só isto, não há nenhuma campanha com narrativa própria, nem uma série de eventos com um nível de dificuldade cada vez maior e nem sequer um modo com regras alternativas às clássicas do futebol profissional. Os pilares basilares estão lá, foi só adaptar o que se faz na vida real mas com mecânicas divertidas, contudo falta-lhe a magia tradicional de um jogo Nintendo no Reino Cogumelo.

Os torneios Taças são o mais próximo que existe de uma carreira a solo, por isso são o conteúdo principal para quem quer este Mario Strikers para jogar sozinho. Cada equipa que vão defrontar até à final do torneio tem oponentes com uma Inteligência Artificial especializada em características como velocidade, passe ou técnica. Francamente, estes torneios acabam por ser um bom complemento ao tutorial pelo qual passaram, além de ser uma boa fonte de rendimento para amealharem moedas.

Obviamente, jogar Mario Strikers: Battle League Football é uma festa por si só é não pelo simples ato de jogar futebol, mas pelas pequenas particularidades de um universo como o de Mario que estão ali encaixadas. Este título faz do futebol um desporto caótico e, portanto, muito divertido. Os campos de futebol são relativamente pequenos se os formos comparar à escala de um real. As partidas são cheias de ação e tensão, porque há sempre decisões que temos de tomar numa fração de segundo. Rematar ou fintar, passar e rematar à primeira ou esperar que o inimigo nos dê uma abertura para conseguirmos efetuar um Hiper-Remate; o que não faltam são hipóteses que se podem criar casos as saibamos aproveitar. É precisamente nesta tensão que está a diversão, mas também pode estar aqui a fonte de maior frustração.

Por muito que Mario Strikers exija muita habilidade por parte de quem joga, se jogarem com alguém que tenha a mínima noção de tudo o que é possível fazer para mudar a partida ao seu favor, não é garantido que ganhem a partida. Imaginem jogar Mario Kart 8 e cair-vos uma carapaça azul, sem hipótese de ripostar, é frustrante; em Mario Strikers há ainda mais particularidades mecânicas para vos causar frustração. Os guarda-redes, seja qual for a equipa que escolherem, são sempre os mesmos e vocês não podem controlá-los em qualquer momento do jogo para além de lançarem a bola depois de uma defesa. Não há nenhuma forma de saber se vão defender bem ou mal, se a sorte vai estar do nosso lado ou não. Por isso, dado todos estes fatores, jogar Battle League Football com uma mentalidade competitiva é uma perda de tempo.

Como é óbvio, um jogo destes não é futebol como se vê nas principais ligas europeias, aqui pode-se é deve-se usar tudo o que está ao nosso alcance para vencer, nomeadamente os Hiper-Remate, pelo simples facto de um golo com um remate destes vale o dobro do que um remate com uma força normal. Para poder rematar com uma força mais elevada do que o normal é necessário recolher uma esfera brilhante, executar a técnica especial na baliza adversária e ter um bom desempenho no processo mecânico de chutar o esférico para que este seja quase impossível de bloquear. Se não estiverem atentos pode ser também o vosso oponente a apanhar a esfera brilhante para obter este poder especial, assim temos mais uma camada de mecânicas que provocam mais tensão ao jogo. É divertido jogar com uma atenção redobrada, mas é cansativo estar sempre em modo de alerta.

Para evitar esta tensão que nos coloca quase no limiar do stress acabamos por estar a optar por uma estratégia mais defensiva e a arriscar o mínimo possível. É claro que podemos jogar com as particularidades de Mario Strikers desligadas, ou seja, sem itens especiais ou hipóteses de realizar um Hiper-Remate, mas jogar assim é retirar a personalidade de Mario Strikers: Battle League Football, para isso joga-se FIFA ou algo similar. É aqui que vemos, durante a execução com sucesso de um Hiper-Remate, toda a direção artística única do jogo – o resto é um comum jogo Nintendo com toda a beleza que os jogos no mundo de Mario têm.

Infelizmente, fazer remates especiais perdem a sua magia ao longo do tempo, se pudesse na minha enésima partida teria desligado as animações que já estava farto de ver. São animações bonitas e bem trabalhadas, mas são sempre as mesmas e quando queremos despachar o jogo, estamos presos neste momento de remate, quando o jogo não se resume a isso. É importante defender e fazer bons passes, porque se não os fizermos não estamos a caminhar para o golo, mas para a derrota.

Mario Strikers: Battle League Football peca pela sua falta de conteúdo, mas é suficientemente bom como jogo para festas – apesar de haver opções mais interessantes por parte da própria Nintendo. Este jogo é para os jogadores que se querem dedicar a explorar todas as mecânicas que o jogo tem e como este Mario Strikers é complexo no capítulo da jogabilidade há bastante habilidades para melhorarem até que se aborreçam e passem para algo mais completo.

veredito

Um jogo bastante divertido e mais mecanicamente profundo do que o desejado. Peca pela escassez de modos de jogo.
7 Jogabilidade profunda. Personalidade do jogo. Poucos modos. Repetição dos Hiper-Remates.

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Lançado originalmente:

10 de junho, 2022