Há jogos que não têm piada nenhuma quando jogados de forma solitária. Overcooked (assim como a sua sequela) é o exemplo perfeito para este tipo de situação em que é claramente indicado para multijogador, porque acaba por ser aborrecido jogar sem ninguém. Marvel Ultimate Alliance 3: The Black Order é semelhante, mas tem a vantagem de poder ser jogado online, caso não tenham ninguém disponível para partilhar o ecrã.

O jogo foi bastante trabalhado no que à jogabilidade diz respeito, mesmo que se vejam algumas lacunas que não deveriam existir. A Team Ninja, a nova produtora responsável pelo terceiro capítulo, depois da nova-iorquina Vicarious Visions ter lançado o segundo jogo há uma década, quis certificar-se que havia heróis para jogar em grande quantidade. Há heróis de várias origens e grupos, como por exemplo Luke Cage e Iron Fist dos Defenders; Thor e Iron Man dos Avengers; assim como Gamora e Star Lord dos Guardians of the Galaxy. Sente-se claramente que a produtora esteve atenta às produções cinematográficas e televisivas mais relevantes destes últimos cinco anos.

 

Os grandes fãs da Marvel que acompanham a banda desenhada também foram brindados com personagens menos conhecidas, como Crystal acompanhada do seu cão Lockjaw e Ms. Marvel dos Inhumans. Há personagens para todos os gostos, mas o que o jogo faz bem é entregar novas personagens com uma frequência que não aborrece a nossa progressão. A forma ideal de se jogar Marvel Ultimate Alliance 3: The Black Order é a trocar de personagem sempre que uma nova aparece, porque é muito provável que tenham uma na vossa equipa que não evouliu de nível como era desejado até àquele momento e o novo herói, que acabaram de receber, está sempre ao nível necessário para aquele momento.

As Infinity Stones espalharam-se no planeta Terra e a Black Order, os super vilões ao serviço de Thanos, quer recuperar estas pedras preciosas para que encaixem na luva de Thanos, para este obter assim o poder que tanto almeja. Porém, nem tudo é tão simples como recuperar as Infinity Stones e afastá-las de Thanos. Ao longo do jogo ficamos a saber que vários vilões se vão tentar apoderar destas fontes de poder. O elenco de vilões é quase tão grande como o dos heróis e os que assumem um papel mais importante são os que temos de defrontar em grandes batalhas. Este jogo da Team Ninja não é nada sem os seus vilões, porque para cada personagem moralmente correta, tem de haver outra do lado oposto da escala da moralidade.

A jogabilidade é o cerne deste jogo exclusivo para a Nintendo Switch, até porque é a própria casa de Quioto encarregue de publicá-lo. Os ataques ditos normais, um forte e outro mais leve, são a ponta do icebergue do que este jogo tem para nos oferecer. Os dois ataques básicos estão relegados para dois botões, com uma combinação cada um a pressionar só e apenas o botão com a mesma função. Um light combo faz-se a carregar três vezes no Y, enquanto que para um golpe mais forte temos de pressionar duas vezes seguidas o botão X. É tão simples quanto isto: são os ataques mais básicos do jogo que são o início para uma cadeia de combinações para derrotar bosses cada vez mais fortes.

Os inimigos mais temíveis absorvem uma enorme quantidade de dano, pelo simples facto de terem uma barra adicional para além dos pontos de vida. Há inimigos mais pequenos e bosses com uma barra roxa que o jogo denomina de Stagger. Essa barra funciona como um escudo protetor, porque quando se encontra vazia é a altura certa para continuar a golpear o inimigo para ser a barra de saúde a ficar cada vez menor. É aqui que entram em jogo as nossas habilidades especiais, que desferem golpes poderosos e acabam por sublinhar a necessidade de um outro jogador, visto que a Inteligência Artificial age, normalmente, de forma errática. 

Para quebrar mais rapidamente a barra de Stagger e a saúde dos inimigos, é de extrema importância deferir golpes em grupo, como também é bem pensado precaverem-se de eventuais ataques que o boss possa infligir-vos, se não adoptarem uma postura defensiva. Porém, não é só pressionar nos botões que vos permite executar os ataques mais exuberantes do jogo. É necessário um certo timing, para causar dano máximo, tirando proveito das aberturas que os inimigos vos dão momentaneamente. Caso não tenham a vossa barra de energia ao máximo, podem não conseguir eliminar o inimigo num momento oportuno e terem de adiar o ataque para uma nova altura.

Há todo um conjunto de sistemas para vos facilitar a vida. Porém, se se esquecerem de os usar vão notar uma maior dificuldade em acompanhar os inimigos, cada vez mais fortes, que aparecem. O sistema principal permite-vos aumentar as capacidades dos vossos heróis em conjunto, ou seja, se aumentam uma vez, é tanto para o Spider-Man, como para o Wolverine. Quanto mais aumentarem estes números e estatísticas, mais capazes se tornam para enfrentar novas ameaças. Isso é muito importante caso queiram trocar constantemente de personagens. E, caso não seja suficiente recorrer aos incrementos dos vários sistemas, podem sempre recorrer ao grinding dos desafios extra que encontram ao longo dos níveis.

Jogar sozinho não é a melhor forma de aproveitar o que Marvel Ultimate Alliance 3 tem para oferecer. Não foram poucas as vezes que foi difícil emparelhar os meus poderes com um dos meus três parceiros controlados pela Inteligência Artificial. Aliás, esta IA tem pouco de inteligente. É raro que os nossos companheiros assumam uma posição defensiva, portanto, se tiverem um nível mais baixo que o normal vão tombar e acabar por morrer rapidamente. E se precisamos que os outros heróis se coloquem a jeito para ataques mais fortes, para haver uma combinação de ataques eficaz, por vezes, decidem não querer participar nos ataques que iniciamos. E, mais uma vez, gastamos energia sem ser preciso.

The Black Order é um jogo que não é graficamente impressionante, mas que tem bom trabalho artístico. Há personagens com uma enorme variedade e, como é sabido, o mundo da Marvel está cheio de cor, ou não fosse este um entertenimento que nasceu nas bandas desenhadas. A maior desilusão é o cenário estático e banal que apresenta. É praticamente impossível destruir paredes ou até mesmo mobiliário que está perto de nós. O pior é a reciclagem de inimigos constante numa determinada área. Se estiverem em Shadowlands, por exemplo, só vos aparecem ninjas que pertencem ao grupo maléfico The Hand. No início, quando estão com os guardiõoes da galáxia, só aparecem as criaturas denominadas de Kree. Enfim, o que vale é que o combate é cada vez mais interessante.

Se estão à espera de terem aqui um dos melhores videojogos com super-heróis, há muito mais sítios por onde escolher. Se quiserem um jogo de ação com o mesmo estilo, Diablo III é muito mais interessante do que Marvel Ultimate Alliance 3. Contudo, se têm amigos que vos visitam regularmente, ou uma boa forma de falar com eles se utilizarem uma ligação à Internet, este título da Team Ninja vale a pena o investimento. Caso contrário, há jogos multijogador bem mais interessantes do que este no mercado.