Os jogadores da Nintendo aguardam pacientemente por um novo Pikmin que faça a estreia da série na Nintendo Switch. Todavia, que não seja a desilusão que foi Hey! Pikmin na portátil da casa de Quioto. São estes hiatos que os produtores independentes tentam aproveitar da sua maior fonte de inspiração: a Nintendo. Masters of Anima, da produtora gaulesa Passtech Games, sediada em Lyon, vai beber inspiração precisamente a essa que é uma das séries mais apreciadas pelos fãs da casa de Mario.

Assim, enquanto estamos neste jejum da série de estratégia em tempo real que tanto queremos, temos uma proposta francesa que tenta uma aproximação ao apogeu da série criada por Miyamoto. Se o podemos aproximar de um dos títulos, em termos qualitativos, este ficava bem ao lado de Hey! Pikmin. O grande problema, típico dos títulos RTS em consolas, são os controlos mal adaptados à Nintendo Switch.

A narrativa não é propriamente original, querendo destacar-se por dar um objetivo motivacional ao herói que os jogadores já estão cansados de ver nos seus videojogos: salvar uma personagem de um destino fatal. Neste caso concreto, temos o protagonista Otto que tem como objetivo salvar a sua noiva de uma morte certa.

Nós vamos conhecendo Otto gradualmente. Começa por ser um aprendiz de feiticeiro forçado a obter o conhecimento, o mais rápido possível, dos feitiços com Anima. Neste mundo de fantasia, os feiticeiros usam uma magia para dar vida àquilo que chamam de Guardians. Estes seres, de movimento mecanizado, protegem quem os invoca e obedecem, fielmente, a todas ordens que lhes são dadas.

Por isso, quando conseguimos vencer os nossos inimigos, o mérito é inteiramente nosso. Caso venhamos a perder, que não são raras as vezes, é porque não demos as ordens corretas à nossa equipa de Guardians. É por este motivo que a diversão que retiramos de  Masters of Anima está totalmente dependente da nossa capacidade de ler os inimigos que nos são colocados à frente.

Não nos basta invocar estas criaturas mecânicas para enfrentar os inimigos, muitos deles autênticos bosses em ponto reduzido. É preciso saber que classes chamar ao nosso serviço, assim como a quantidade que cada classe deverá ter. É, assim, imperativo ter o Anima restabelecido ao máximo. Se erraram na vossa escolha podem fazer desaparecer as criaturas invocadas e recuperar o Anima gasto para as criar.

Ter a mistura certa de criaturas é fulcral para a nossa vitória. Quase que me senti um barman a criar cocktails para clientes extremamente exigentes com as quantidades de cada líquido utilizado para a bebida perfeita. Percam e o processo de combate repete-se, pelo que talvez seja melhor focarem-se nos Guardians que façam investidas corpo-a-corpo para manter o inimigo longe, por exemplo, de arqueiros que vão baixando gradualmente a barra de saúde do nosso oponente.

Masters of Anima leva-nos a percorrer cenários lineares, quase sem rotas para nos desviarmos, apesar de haver algumas para recuperar Anima e itens necessários à evolução da nossa personagem. É um jogo mais frustrante do que devia e se não acertarmos na estratégia previamente delineada para os nossos Guardians, vamos repetir a mesma área vezes sem conta. Para o jogo ser ainda mais complicado, há um intervalo de tempo definido no qual devemos eliminar o inimigo, caso contrário começam a cair meteoritos que impedem a nossa mobilidade e abrem trechos onde a nossa saúde baixa drasticamente se por lá passarmos.

O melhor de Masters of Anima vem na forma de puzzles. Não são demasiado complicados, nem em quantidade exagerada que chega a incomodar pelo excesso da repetição das mesmas mecânicas. Em muitos casos temos de abrir um caminho que está bloqueado, arranjar uma forma de voltar a marchar para o nosso objetivo: salvar a nossa amada. E é aqui que é mais fácil perceber como funcionam as diferentes classes de Guardians, sobretudo a simbiose que podem desenvolver entre eles e o jogador.

O design do jogo é interessante, apesar de não ser nada de deslumbrante, é operacional para funcionar sem soluços na Nintendo Switch. Mas, como muitos dos inimigos são feitos de pedra, a cor do mineral que apresentam não tem um leque alargado de alcance. Há, ainda no capítulo técnico, uma vocalização melhor do que a esperada para um título deste calibre, apesar dos diálogos não serem os mais espantosos, pois revelam uma falta de cuidado no argumento.

A fórmula Pikmin funciona, com certeza, na Nintendo Switch, tal como esta foi viável na GameCube, Wii e Wii U. Contudo, pela falta de cuidado nos controlos dos Guardians e por um combate que se torna frustrante por tão exigente que é, Masters Of Anima não é o “Pikmin indie” que poderia ser. Apesar destes percalços, vê-se que é um jogo inspirado, pelo mundo que apresenta e por algumas mecânicas interessantes. A jogabilidade deveria ter parado primeiro no mecânico para uma boa afinação.