Os jogos mais surpreendentes são os que têm as suas mecânicas bem desenhadas e, acima de tudo, simples - onde qualquer pessoa percebe o que é preciso fazer sem grandes explicações. Mini Metro consegue este feito com o seu design minimalista onde convida o jogador a construir uma rede ferroviária para circular um metro para levar os seus passageiros aos seus destinos. 

O objetivo de Mini Metro é de satisfazer as necessidades da população. Se alguém quer ir do ponto A ao B temos de desenhar a linha que liga essas duas estações. Passando alguns minutos, já levam pessoas que querem ir ao ponto K, depois de trocarem várias vezes de linha até ao local que querem chegar. 

A complexidade não se revela só em forma de novas estações, mas pelo mapa em si e nas restrições que temos num determinado momento. Temos de ter noção do número de pontes ou túneis que podemos construir para atravessar rios. Se só temos uma ponte, então vamos fazer ligações diferentes do que se tivéssemos duas ou três. 

Pela aparência minimalista do jogo, não parece estarmos perante um título de estratégia, contudo, Mini Metro é claramente um jogo pertencente a esse género, que acontece em tempo real. Podemos pausar o jogo sempre que aparece uma nova variável, todavia, é absolutamente necessário ver o comportamento dos passageiros em tempo real. Temos de observar quais os pontos de maior afluência e, caso tenhamos uma carruagem disponível ou um novo veículo, adicionar algo que possa aliviar as paragens mais frequentadas. 

Este título também é um bom exemplo de como  temos de nos adaptar à realidade que nos é imposta. Não nos vão faltar momentos em que todas as linhas parecem confusas, que não conseguem levar os passageiros onde querem. Assim, temos de pausar e repensar o projeto inicialmente construído, para que os nossos passageiros continuem a dar-nos pontos. 

O objetivo de Mini Metro é acumular pontos para poderem afirmar a vossa presença nos lugares cimeiros das tabelas de classificação. Não são só os passageiros que chegam ao destino que faz parte da avaliação, o tempo que vocês aguentam até ao Game Over também conta. Quanto mais tempo conseguirem adiar o momento em que vão inevitavelmente perder, melhor. Conseguir adiar esta situação requer a tal capacidade de adaptação às adversidades que referi. 

Não há uma história a contar, mas existe uma linha de progressão que vos desbloqueia várias cidades, como Paris, Nova Iorque, Estocolmo e Osaka. Estas encerram em si desafios próprios, que estão condicionados pelo mapa. Montar as linhas conforme as localizações que aparecem é muito desafiante, principalmente quando nos impõem muitas limitações. 

Caso o queiramos, podemos aumentar o desafio para um modo Endless, ou seja, só acaba quando perderem, onde o limite é colocado pela nossa capacidade estratégica e adaptativa. Se isso não vos satisfaz, ainda têm o modo Extreme onde as linhas colocadas não podem ser retiradas ou alteradas, o que coloca mais um nível de complexidade. 

Esta obra, que nasceu através do Early Access do Steam, entregou uma experiência que nos motiva a continuar, onde estamos horas a fio a construir linhas para passar o metro. Quando o jogo acaba por termos perdido, não queremos desistir e voltamos imediatamente para uma nova partida, até encontrarmos uma solução para o nosso problema. 

Por muito estranho que seja, Mini Metro não tem música. Mas tem uma vibração muito suave do metro a passar nos carris, assim como um efeito sonoro que nos avisa quando é que estamos em apuros e há uma estação a juntar muitos passageiros em contestação por não terem uma forma mais eficiente para irem para o seu destino. 

Podem jogar tanto com os Joy-Con, como através do ecrã táctil. Sinceramente, jogar com os comandos tradicionais é muito mais fácil por termos tudo à distância do pressionar de um botão. Mas o ecrã táctil também é bastante útil se o que queremos é rapidez dos comandos. 

Posso recomendar Mini Metro com muita facilidade. É um jogo de estratégia minimalista, mas que rapidamente nos faz entrar em pânico em níveis mais avançados. Porém, é a gestão deste mesmo pânico e a tentativa de o transformar em momentos de normalidade que faz deste jogo uma experiência fantástica.