Filipe Urriça por - Aug 16, 2022

Mini Motorways (Switch) – Análise

Quando joguei Mini Metro pela primeira vez, não sabia que havia em mim um engenheiro ferroviário, doutorado em gestão de trânsito e mobilidade urbana. Um académico disponível para os diferentes desafios do trânsito ferroviário e fluxo de pessoas que não podem parar às suas vidas, que se verifica após a instalação da primeira linha de metro. Felizmente, a produtora de Mini Metro não ficou satisfeita com o sucesso alcançado e fez Mini Motorways. Como é óbvio, dado o nome do jogo, já não somos gestores do trânsito ferroviário, agora gerimos o caos do trânsito automóvel – e continua a ser fantástico.

Aqui desenhamos estradas para que quem sai da sua casa chegue à loja da cor correspondente à sua habitação. Ou seja, estamos a ligar casas a diferentes destinos, onde ambos aparecem de forma aleatória, ao longo da partida, pelo mapa de uma cidade conhecida como capitais europeias, grandes cidades norte-americanas ou cidades de outros continentes. O número de estradas que podemos colocar é limitado, portanto temos de ser eficientes de forma a poupar este recurso, que poderá fazer falta em momentos mais avançados da partida. O que é verdadeiramente divertido é termos de estar a fazer pequenos ajustes e afinações à planta rodoviária da nossa cidade, para podermos responder às novas necessidades que vão surgindo. É a própria aleatoriedade do jogo que vai causar caos e desorganização, cabe-nos a nós ser o agente da arrumação das estrutura urbana da mobilidade automóvel.

A cada semana que passa no jogo, são-nos fornecidos mais blocos de estrada, assim como ferramentas essenciais para escoar o trânsito que se acumula em pontos estratégicos. As ferramentas a que me refiro são, obviamente, rotundas, semáforos, túneis, pontes e autoestradas, que podem ditar a vossa continuidade no jogo caso não sejam bem aproveitados. Para fazerem um bom aproveitamento de tudo o que está ao vosso dispor devem ajustar a velocidade do tempo do jogo, convém sobretudo pausá-lo quando algo está a correr mal. É bastante recompensador conseguir perceber como funciona um semáforo e aplicá-lo corretamente quando a situação assim o exige – normalmente deve-se colocá-los em cruzamentos ou entroncamentos com bastante afluência.

Como já devem ter percebido, o objetivo de Mini Motorways é de manter a cidade operacional quanto às suas necessidades rodoviárias. Cada partida começa muito vagarosa, mas à medida que o mapa fica cada vez maior e mais preenchido, com novas casas e novos destinos, é claro que o que começou calmo vai progredir para algo inevitavelmente mais agitado. Portanto, para que possamos responder aos desafios que o jogo nos propõe, convém que os controlos sejam precisos.

Felizmente, controlar Mini Motorways com o par de comandos Joy-Con é bastante intuitivo. Porém, o jogo está feito para que seja controlado através do toque e a Nintendo Switch, no modo portátil, permite que o seu ecrã tátil seja utilizado. Lamentavelmente, jogar com os dedos no ecrã não é a experiência mais confortável, porque são demasiados os toques que fazemos como os dedos para fazermos uma determinada ação. Assim, ainda bem que os controlos como se fazem num comando tradicional funcionam bem. Contudo, é pena que não tenha sido implementado um sistema de controlos em que se usam os Joy-Con em conjunção com o ecrã tátil.

Comparativamente a Metro, Motorways tem menos mapas. Contudo, para alargar as sessões de jogo os jogadores podem muito bem tentar alcançar pontuações cada vez maiores nos diferentes mapas, assim como participar nos desafios semanais e diários. O que é interessante nestes dois modos de jogos é que há condicionantes curiosas para inserir ainda mais dificuldade no jogo. Por exemplo, houve dias em que se fizesse diagonais consumia o dobro dos blocos de estrada, numa outra altura só me deram acesso a a apenas duas pontes num mapa com um rio e o seu afluente que ocupam uma boa porção do mapa. É pena que não possamos ser nós a criar estes desafios.

É impossível ficarmos confusos ou com a vista cansada de olharmos para Mini Motorways. Além do design minimalista muito fácil de ler, há um modo para quem sofre de daltonismo e também há o modo noturno (imaginem o Google Maps a ficar com o modo noturno, é muito similar), assim estão asseguradas partidas que não vão ser penosas para a vista caso estejamos horas a fio a jogar a obra da Dinosaur Polo Club.

Sinceramente, se gostam de um jogo que vos desafie com um bom puzzle, em que a aleatoriedade é a sua característica principal, então vão ficar bastante satisfeitos com Mini Motorways. O ponto mais negativo é a escassez de mapas, mas também não posso deixar de mencionar a má implementação do ecrã tátil dado que o jogo foi claramente pensado para o toque como controlo principal. Enfim, fiquem em Mini Motorways com os Joy-Con ligados, não se vão arrepender.

veredito

Um jogo desafiante e muito divertido, mas peca por não ter mais conteúdo e controlos táteis decentes.
8 Bons puzzles. Desafiante. Design minimalista. Controlos táteis.

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Mini Motorways

para Nintendo Switch, PC

Em Mini Motorways, têm os problemas rodoviários, de várias cidades, para resolver…

Lançado originalmente:

20 de Julho 2021