Pedro Martins por - Mar 22, 2013

Monster Hunter 3 Ultimate Análise

Existem alguns jogos que são extremamente fáceis de descrever a quem não os conhece. “Tens que saltar de plataforma em plataforma”, ou “dispara contra tudo o que aparecer no ecrã”. Todos percebem o que têm pela frente e começam o jogo precavidos. A saga Monster Hunter não se enquadra nesse lote. Seja qual for a descrição, é garantido que estão a faltar pormenores. Isto porque o seu mundo não é estanque, ou seja, é como um fole que se contrai e expande de acordo com o que estão a fazer.

No seu âmago, Monster Hunter é um jogo de caça, de captura, de aventura por cenários enormes à procura de monstros ainda maiores, fazê-los tombar à força da vossa arma e recolher os seus despojos. Parece fácil e extremamente direto, mas não é. As caçadas são apenas o fim que justifica todos os meios. Sempre foi assim e não é em Monster Hunter 3 Ultimate que a premissa muda. O jogo da Capcom acaba de chegar à Nintendo Wii U e à sua irmã portátil, a Nintendo 3DS, e é um aprimorar do que tinha sido oferecido aos jogadores em Monster Hunter Tri, um exclusivo Nintendo Wii que chegou a Portugal em 2010.

Ultimate é um jogo metódico: antes e depois de caçarem um monstro existem tarefas vitais a fazer. Primeiro têm que se preparar para a batalha, escolhendo de entre doze armas disponíveis e vários itens para tentar salvaguardar ao máximo a vossa energia. Depois da batalha, não é menos importante recolher os itens deixados pela presa, que serão usados para melhorar ou fazer manutenção ao equipamento, o que não é tarefa ligeira. Friamente, a verdade é que se negligenciarem este aspeto do jogo não chegarão muito longe. Ervas para cozinharem poções, metal para as armas, restos de carne, enfim, são mais de 2000 novas peças de equipamento e 500 itens novos. Sim, as combinações são infindáveis, mas vão passar tanto tempo a trabalhá-las que se torna um procedimento natural.

Apesar de muitos acharem os jogos Monster Hunter demasiado complexos, o jogo demora o seu tempo para pacientemente explicar as suas mecânicas até que o jogador as domine e faça o resto do percurso sozinho.

O ritmo de evolução é lento mas sempre seguro de si. O jogo evolui com quem o joga, incrementando a dificuldade das caçadas, os monstros que vão caçar: um modelo de jogo que não estagna e se torna monótono quando começarem a dominar as suas técnicas. Para que não fiquem demasiado atrasados em relação à dificuldade e empreendedorismo das missões, nem sempre saem da aldeia para apanhar monstros do tamanho de arranha-céus. Além desses objetivos, podem ter que matar um determinado número de animais de porte reduzido ou irem apenas recolher itens. Obviamente estes dois últimos tipos de missões não são tão motivantes como a primeira, contudo, isto é apenas mais uma técnica usada para certificar a vossa aprendizagem. Quando terminarem uma missão recebem uma recompensa monetária e, obviamente, o desbloquear das próximas.

À semelhança de qualquer outro Role Playing Game, com o passar das missões a vossa personagem vai mudando de escalão. Como é norma, as missões estão distribuídas por escalões, até chegarem às missões de escalão G, introduzido pela primeira vez em Ultimate e com uma dificuldade tão grande que apenas os catedráticos no jogo serão capazes de matar as criaturas que aqui se inserem. São mais de 170 missões novas, o que oferece uma enorme longevidade. Aliás, a Capcom quer que o disco do jogo não saia da vossa consola, de tal maneira que estão prometidas novas missões todas as semanas. Se a promessa for cumprida e as missões foram apelativas, a vida útil de Ultimate poderá chegar às centenas de horas.

Grande parte das batalhas começa com o avistamento de um monstro novo. Mesmo que já o tenham visto em vídeos ou em imagens, sempre que a criatura a abater aparece no ecrã é impossível não sentir a sua opulência, o que nos reduz, quase sempre, a uma insignificância digital. Depois do deslumbramento passar, é hora de agir. E é aqui que os recém-chegados à série vão ter mais dificuldades de habituação. Independentemente do estilo e arma que escolheram, dominar os controlos durante as batalhas vai demorar algum tempo. O esquema de controlos não são particularmente complexos, apenas têm que conjugar os diferentes ataques com o consumo dos itens já mencionados, como por exemplo as poções. Muitos enfrentarão as primeiras batalhas como uma invasão napoleónica, quando as deviam encarar como partidas de xadrez. Se quiserem prevalecer, têm que estudar a criatura, aprender-lhe os passos e o maneirismo. Esqueçam a sua envergadura, é muito mais eficaz um golpe no momento e no sítio certo do que dezenas de ataques cegos.

Os confrontos nem sempre decorrem em apenas uma área do mapa, o que é algo frustrante. Por diversas vezes, quando estava finalmente a dominar o monstro e tudo que o rodeava, ele fugiu para outra área, obrigando-me a persegui-lo e a recomeçar o procedimento. E por falar em áreas de jogo, Ultimate tem seis áreas enormes, com cenários que vão desde as planícies às montanhas, passando por áridos desertos. É natural que com o acumular das horas a diversidade comece a faltar, dando um sentido de familiaridade a cada mapa. Ainda assim, existem inúmeros recantos que passam despercebidos à primeira exploração, o que funciona a favor do jogo.

Mesmo quando estão a jogar sozinhos, a solidão não dura muito tempo. Existem dois companheiros de viagem: Cha-Cha e Shakalaka. A sua ajuda é algo limitada e servem mais para dar um colorido às missões do que propriamente lutar ao vosso lado. Vão distraindo os monstros, o que vos dá alguns segundos cruciais para ajustarem o vosso esquema de luta.

Mas Monster Hunter 3 Ultimate faz os possíveis para que não joguem sozinhos. Com até outros três jogadores, a exploração e caçadas ganham outra dimensão. Todas as mecânicas de jogo não sofrem nenhuma alteração drástica quando comparadas com o que fizemos sozinhos, porém, é o sentido de camaradagem que aumenta a diversão. Nem é preciso chegar às missões de escalão G, mesmo a derrota de monstros muito mais pequenos é algo divertido de partilhar. Resta saber como é que a Wii U vai lidar com o peso de milhares de jogadores ligados ao mesmo tempo. É ainda possível jogarem localmente contra outros três jogadores. A versão Wii U do jogo é compatível com a edição 3DS, o que torna possível jogar localmente interligando as duas plataformas. Debaixo do mesmo tecto o multijogador local funciona perfeitamente. Basta deslocarem-se ao Port Tanzia e em segundos estarão a jogar com os vossos amigos.

Um dos pontos distintivos mais fortes entre Ultimate e Tri é o redesenho gráfico. Retirando partido do poderio gráfico que a Wii U oferece face à sua antecessora, foi prometido um grafismo em alta definição com uma resolução de 1080p. Infelizmente, as melhorias não são homogéneas. É verdade que alguns cenários ou parte deles estão deslumbrantes e as texturas dos animais estão melhores que nunca, todavia, parece que a “tinta” não chegou para o quadro todo e a reformulação gráfica ficou pelo caminho. Não digo que seja fácil polir um universo deste tamanho, digo sim que não esperem um salto gráfico universal ao jogo todo. A epopeia sonora ajuda bastante a definir a época de Ultimate. Tudo serve para ajudar a criar uma aventura grandiosa, de proporções épicas. E resulta, a sonoplastia ajuda a motivar o jogador a seguir em frente.

Versão Nintendo 3DS

Monster Hunter 3 Ultimate tem o mesmo conteúdo nas duas versões, o que é um feito para uma portátil. Se na versão Wii U o GamePad é usado para consultar informações vitais e selecionar itens, a utilidade vital do ecrã inferior da 3DS é controlar a câmara de jogo. Se não estiverem contentes com o que está a ser mostrado no segundo ecrã (ou no GamePad) podem personalizar a informação exibida. O efeito 3D é quase sempre competente, mas mesmo sem ele, esta versão tem um arrojo gráfico que é assinalável atendendo à consola onde está a correr.

Fica a ideia que a Capcom e a Nintendo quiseram fazer desta versão a extensão da aventura na consola caseira, ideal para continuarem a vossa estadia no jogo quando não estão à frente da televisão. Felizmente é possível transferir o ficheiro com o progresso do jogo da Wii U para a 3DS (e vice-versa). Um dos pontos mais negativos da versão portátil é não poderem jogar online sem a presença de uma Wii U.

Depois de seduzir os jogadores japoneses, eis que Monster Hunter 3 Ultimate chega finalmente ao ocidente. Ultimate é uma boa atualização ao jogo original lançado para a Wii. Além do retocar gráfico, a Capcom criou alguns conteúdos exclusivos, o que é capaz de deixar quem já jogou Tri à exaustão com algo novo para fazer ou colecionar, resta saber se terão paciência para começar tudo de novo. Apesar de ser extremamente competente localmente, é uma pena que a versão 3DS não seja autónoma a aceder ao online. Se ainda não jogaram Tri, esta é sem dúvida a versão a comprar.

veredito

Monster Hunter 3 Ultimate é uma boa maneira de entrarem na série. A versão contemporânea de Tri é ainda mais divertido quando jogado a quatro.
8 Vida útil de dezenas e dezenas de horas Preparar, matar e colecionar – um trio de atividades recompensadoras Versão Nintendo 3DS sem online próprio Quem esgotou o Tri poderá não ter motivação para chegar ao conteúdo novo

Comentários

0 Comments
Inline Feedbacks
View all comments

Monster Hunter 3 Ultimate

para Nintendo 3DS, Wii U

Monster Hunter 3 heads onto Wii U and 3DS making use of…

Lançado originalmente:

22 March 2013