Jogar Monster Hunter Generations é saciar o meu apetite em superar desafios. Porém, desta vez tenho outras formas de o fazer. O jogo abre-se a uma maior audiência com uma curva de aprendizagem mais suave, com estas novas técnicas de caça de monstros gigantescos. É disso que a Capcom se pode orgulhar: conseguir abrir portas a novos jogadores sem facilitar totalmente a jogabilidade que a série oferece há já tantos anos. O lema podia muito bem ser "profundidade ao serviço do jogador" - existem agora muitas mais formas de deitar abaixo um inimigo gigantesco explorando um mar de possibilidades graças a quatro novas formas de combate.

Monster hunter generations

Ao oferecer novas formas de abordar cada batalha, com os grandalhões, obviamente, a Capcom teve que cortar alguns golpes do leque que cada arma oferece. É uma jogada arriscada, mas que torna o jogo mais empolgante, desafiando os jogadores a procurarem novas formas de suplantar os desafios apresentados. Assim, com os novos estilos de combate, ou Hunting Styles, não temos tudo facilitado. Estamos sobretudo perante uma adição que não retira tudo, mas reorganiza o que pode entregar para assim a experiência ser fresca e continuar familiar para que os veteranos da série não se sentirem traídos.

Esta entrega continua a ter um vasto arsenal, que terá garantidamente pelo menos uma arma que vai reter a atenção do jogador. Seja pelo leque de golpes permitido, pela sua dificuldade em ser dominada (colocando aqui um novo objetivo pessoal), ou pela combinação com um dos novos estilos de combate. São catorze armas que podem ser combinadas com quatro dos Hunting Styles. Algumas são muito rápidas como as Dual Blades, outras requerem uma abordagem muito mais cuidada como a Great Sword e outras exigem que estejam a uma certa distância para abater os vossos alvos como é o caso das armas de disparo.

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Para jogar de uma forma mais tradicional, o melhor é escolherem Guild na lista dos Hunting Styles. Esta é a opção que vos permitirá utilizar mais sequências de golpes e combos mais frequentes. Também aqui terão algumas opções para acomodar algumas Hunter Arts. Já Striker, é o estilo mais ofensivo.

É certo que os golpes efetuados com os botões estão reduzidos, mas uma vez preenchida a barra de energia para efetuar uma das Hunter Arts terão a hipótese de infligir imenso dano ou potenciar o vosso estilo caso apostem mais na defesa ou em esquivarem-se eficientemente dos ataques. É o estilo essencial para poderem ter a barra de energia a encher com maior velocidade e o maior número de Hunter Arts disponível.

Caso sejam jogadores que já se dão muito bem com a jogabilidade de Monster Hunter, aconselho que escolham Adept ou Aerial. O primeiro é utilizado para contra-ataques. Se têm uma boa destreza para pressionar os botões na altura certa, então este é um estilo ideal para vocês. Adept deixa-vos realizar contra-ataques muito fortes ao desviarem-se, no último momento, das investidas dos vossos adversários.

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Uma vez que deixam uma janela de oportunidade bem flagrante, é a vossa oportunidade para lhes acertar com toda a energia acumulada na vossa arma. Aerial também é uma opção muito interessante, de longe a minha preferida, pois conseguem efetuar ataques aéreos, ou seja, têm a gravidade do vosso lado, o que aumentará o dano que será dado no monstro que têm à vossa frente.

Em Generations, não faltam opções para diversificar a jogabilidade. Contudo, Monster Hunter Generations, não é apenas combater autênticos bosses. É explorar o mapa, saber todos os seus caminhos para que mal tenham de olhar para este caso se esquecerem de uma Paintball para marcar o monstro.

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É aqui que recolhem materiais, que sabem em que locais está o que vocês querem para poderem pedir ao ferreiro da aldeia para criar aquela espada tão poderosa que tanto querem. Afinal Monster Hunter é uma procura constante pela melhor arma, pelo melhor equipamento e pelo ranking mais elevado que reflete o nosso nível de perícia e dedicação. Este patamar tão elevado está ao alcance de todos, e caso o querem só depende de vocês e do que investem em Monster Hunter. Invistam no jogo e o título investe em vocês.

Aniquilar monstros não é uma tarefa que existe pela simples razão de os derrotar, mas sim para demonstrar ao mundo que são grandes exploradores destemidos e que aceitam um grande desafio. Serão recompensados com armas novas, ou a possibilidade de melhorar a que já possuem. Poderão optar por um jogo defensivo e equiparem-se com as melhores armaduras produzidas pelo esforço dos vossos triunfos. É empolgante podermos ser reconhecidos desta forma. É a forma correta de aplaudir os esforços de um jogador.

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Sim, explorar e recolher materiais diversos, como plantas, pedras preciosas e fungos pode ser aborrecido. Todavia, é esta tarefa que coloca uma pausa oportuna às emoções fortes da luta anterior ou daquela que ainda está para chegar. Dá oportunidade ao jogador de pensar na sua próxima jogada. Falem com os habitantes das aldeias que têm acesso e conheçam os pontos fracos dos vossos inimigos, criem alianças no multijogador, e fora deste. Serão estes pequenos momentos que vos vão fazer ver que cada pormenor do jogo existe para complementar toda esta aventura entusiasmante que é caçar monstros que nos tornam insignificantes quando estamos na presença deles.

O carinho que a produtora nipónica tem pelos gatos continua bem presente. Os vossos fiéis ajudantes podem agora ser convocados e controlados por vocês para irem em quests próprias. Não é uma novidade realmente necessária de ser introduzida, mas é uma forma alternativa de recolher materiais. Um único ponto mais negativo do jogo é a das novidades não serem bem-apresentadas em termos de conteúdo. Acabamos por ter uma reciclagem de monstros clássicos, com poucos que foram criados de raiz para este jogo.

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Generations na 3DS é impressionante graficamente. Os monstros são temíveis e de dimensões bem generosas. Contudo, as texturas apresentam-se um pouco modestas e com uma certa idade para um jogo de 2016. É nesta altura que a Capcom deveria apostar na série na consola doméstica da Nintendo para alargar não só os seus horizontes técnicos, mas expandir a série e salvá-la de uma potencial estagnação.

Não é com a mudança das regras do jogo nos títulos seguintes que a Capcom conseguirá manter a série relevante. A Banda Sonora é entusiasmante, principalmente, quando os seus instrumentos de sopro fazem soar a entrada de um grande adversário. Os nossos sentidos entram em alerta e sabemos que está à nossa espera uma luta pela frente, ou caso não estejamos preparados para tal, a altura de fugir chegou.

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Monster Hunter Generations abre a suas portas a todos os jogadores com um tapete de boas-vindas bem estendido para que não tenham dúvidas que a produtora se esforçou para os receber. Os novos estilos de combate não só recebem um novo público de braços abertos, como convida os seus veteranos a regressarem para caçadas empolgantes. Contudo, espero sinceramente que este seja o ponto de viragem para a série e que na próxima entrada que já esteja a pensar na NX e a preparar monstros totalmente novos.