por - Apr 7, 2021

Monster Hunter Rise – Análise

A obra da Capcom é um milagre técnico na consola híbrida da casa de Quioto. É óbvio que Monster Hunter Rise não é equiparável às paisagens do mundo aberto de World, embora o que o jogo lançado na Switch oferece tenha uma continuidade, vê-se que a produtora japonesa manteve o cuidado e o brio nos detalhes técnicos e no grafismo em particular. O mais importante é a movimentação da nossa personagem, à qual foi dada a capacidade de subir inclinações, encostas e até ao cume de autênticas montanhas sem grande esforço. Acredito que é graças ao motor gráfico RE Engine que a produtora japonesa, conhecida por Resident Evil e Street Fighter, conseguiu fazer algo tecnicamente tão bem executado.

A primeira impressão é importante para estabelecer uma ligação emocional forte com o jogador. Rise consegue criar este elo de ligação com quem joga graças à sua personalidade muito própria. Sentem-se inspirações nipónicas vindas do cinema, da gastronomia e da arte; a arquitetura da aldeia do jogo, Kamura, é bela e transborda charme. O facto da narrativa se centrar na proteção de Kamura contra temíveis monstros torna as nossas ações ainda mais recompensadoras – acaba por ser natural querermos defender aquilo de que gostamos.

Não é só o aspeto gráfico e artístico que impressiona na nossa aldeia. As próprias personagens são o coração de Kamura. Vocês vão se sentir na obrigação de defender Hamon, Kagero e Yomogi, assim como vários outros aldeões que vão interagir convosco. O diálogo e os relacionamentos que se desenvolvem dão forma e personalidade às personagens de Kamura, são mais do que simples linhas de código que respondem e reagem às vossas ações. 

A Capcom quer agarrar-vos emocionalmente através dos animais de estimação que agora estão presentes em Rise. Os gatos são os animais que conquistaram a Internet e já estão há bastante tempo na série Monster Hunter. Em Rise, além de um companheiro felino, um Palico, têm também um amigo canino, que no mundo de Monster Hunter chama-se de Palamute – um cão de dimensões bastante generosas. Ainda têm um terceiro animal de estimação: um Cohoot, uma coruja bastante útil, pois esta ave são os vossos olhos para encontrar monstros e é graças a este animal que veem a vossa presa no mapa. O animal de estimação que mais vos vai ajudar na caça será o Palamute. O vosso animal canino pode ser utilizado como se fosse um equídio para cavalgar e percorrerem o terreno muito mais rapidamente.

Existem tantas camadas de jogabilidade em Rise que os outros jogos da série ficam, de certo modo, desatualizados. Por exemplo, o que destaquei no paragráfo anterior, o Palamute, engloba em si um conjunto de mecânicas que afinam a jogabilidade a um ponto em que nunca se torna aborrecida. Além de ser bom para fugir e perseguir, o Palamute permite-vos afiar a vossa arma, se for caso disso, ou que vocês se bebam poções para fazer subir as barras de saúde e de resistência física, tudo enquanto estão montados no seu dorso. 

Uma das várias e importantes camadas de jogabilidade é o que Monster Hunter Rise chama de Endemic Life. Esta vida animal (insetos, peixes ou aves em tamanho reduzido) pode ser recolhida para vos dar melhoramentos nas vossas diferentes estatísticas que constituem a vossa condição física ou habilidades. Também vão poder usar um colar chamado de Petalace que tem como função absorver espíritos aviários que vos fornecem ainda mais poder. Portanto, o caminho até à vossa presa poderá passar por esta Endemic Life para o confronto com o monstro, da demanda que aceitamos, não ser tão penoso. 

Os monstros são, e sempre foram, o centro nevrálgico de Monster Hunter e Rise comprova-o com todas as suas mecânicas meticulosamente desenhadas para tornar a jogabilidade excecional. O design, o comportamento e o realismo dos monstros continuam fantásticos, cada um deles tem um peso e uma opulência que estão sempre de acordo com as suas características físicas. Quer seja o icónico Rathalos ou o novo Magnamalo, o monstro da capa de Monster Hunter Rise, estar cara-a-cara com estes monstros é um acontecimento por si só; estas criaturas magníficas são a grande razão pela qual os jogadores vão querer adquirir o exclusivo temporário da Nintendo Switch.

A experiência essencial da caça é, como o próprio dicionário o define, “procurar ou perseguir (animais) para os matar ou apanhar vivos”. Em Monster Hunter Rise, esta definição não se aplica na sua totalidade, nem sequer nos mesmos processos de jogabilidade que foram usados em jogos anteriores, visto que conseguimos saber sempre onde é que a nossa presa se encontra. Já não é necessário marcar o monstro que estamos a caçar com tinta para saber onde está quando este foge, basta espreitar o mapa no canto inferior direito e perseguir o bicho.

Também desapareceram as bebidas quentes e frias, assim é mais um espaço aberto na vossa bolsa onde carregam os vossos itens. Minar é uma atividade que foi simplificada ao pressionar de um único botão, em vez de se carregar repetidamente. Todas estas mudanças não alteram por completo a experiência Monster Hunter, o que acontece é que a tornam mais linear e focada na caça 

Sinceramente, o que se perde não enfraquece – de todo – a experiência, até porque a casa de Resident Evil fez questão de incluir mecânicas que tornam esta nova forma de caçar numa atividade bastante divertida. Primeiro, como já referi, temos o Palamute que nos leva à nossa presa num ápice. Segundo, temos a movimentação providenciada pelos Wirebugs, como se fossemos o aranhiço da Marvel. 

Contudo, os Wirebugs não fazem do nosso caçador um Homem-Aranha, primeiro há que ganhar prática na sua utilização, até porque não podemos utilizar esta técnica dos Wirebugs continuamente, só podemos utilizá-los três vezes seguidas. Cada Wirebug gasto precisa de um tempo de carregamento, assim não abusam deste sistema, até porque os Wirebugs não servem só para movimentação vertical, também servem para fazer alguns ataques especiais. 

Os Wirebugs também vos permitem montar monstros, o que o jogo apelida de Wyvern Riding. Basta acertar com um ataque especial no monstro em questão, ou enfraquecê-lo para poderem montar uma criatura de grandes dimensões. Não foi algo que me convenceu à primeira, porque uma vez em cima de um determinado monstro, controlá-lo é bastante complicado, porque o próprio monstro luta para recuperar o controlo que perdeu. Via isto como mais uma forma de poder atacar um outro monstro que era o meu objetivo. Esta nunca seria a minha forma principal de encarar um objetivo, prefiro sempre atacar um monstro pessoalmente do que ter de recorrer a uma outra criatura que tem um controlo errático.

Ainda há mais novidades, nomeadamente Rampage, um modo de jogo que encaixa na perfeição na narrativa de Monster Hunter Rise. Em Rampage, a vossa aldeia, Kamura, está prestes a ser invadida por monstros e vocês têm de defendê-la. De certa forma, isto é um modo Tower Defense onde têm de intervir ativamente ao longo da invasão de monstros. Este modo Rampage é uma forma de jogar muito mais concentrada e focada, onde acaba por não haver muito espaços para erros, senão juntam-se cada vez mais monstros e torna-se impossível afastar todos os invasores das nossas defesas. 

O que continua a ser excelente em Monster Hunter Rise é que o ciclo de jogabilidade principal manteve-se. Ou seja, vão matar monstros para poderem retirar os seus órgãos, ossos e carne que poderão transformar em armamento ou em armaduras. O design destes equipamentos continua fantástico e acaba por ser uma prova do vosso esforço e habilidade que podem exibir aos vossos amigos. 

Se forem experientes, os créditos do jogo vão passear mais cedo do que o esperado. Porém, o jogo não acaba quando o modo a solo termina. Há muito para fazer no multijogador e é preciso algum grinding até conseguirem o material todo que necessitam para construir os melhores equipamentos. E como haverá adição de novos monstros nos meses posteriores ao lançamento de Rise, o que não faltará é conteúdo suficiente para investirem horas neste jogo. Por isso, Monster Hunter Rise é um jogo que devem ter na vossa ludoteca, é uma das melhores experiências a ter na Nintendo Switch.

veredito

O jogo da Capcom está bem refinado para a Nintendo Switch, tem todos os ingredientes necessários para uma experiência memorável. Os monstros continuam a brilhar para a jogabilidade que nos é entregue. Têm aqui um dos melhores Monster Hunter que a Capcom produziu.
9 Modo Rampage acrescenta valor ao jogo. Caçar é muito mais dinâmico e linear. Novas formas de percorrer o mapa. Uma enorme quantidade de conteúdo.

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Monster Hunter Rise

para Nintendo Switch

Lançado originalmente:

26 March 2021