por - Aug 27, 2021

Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin – Análise

A casa de Resident Evil tem como ambição fazer de Monster Hunter um animé em formato de videojogo, onde há, felizmente, mais elementos do meio em que se insere do que da animação tradicional japonesa. Francamente, todos sabemos que a primeira tentativa, Monster Hunter Stories (Análise VideoGamer Portugal), lançada há meia década na Nintendo 3DS, não correu da melhor forma, porque o hardware não tinha capacidade suficiente para atingir a visão da Capcom. Com Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin, para a Nintendo Switch, a Capcom já consegue chegar ao seu objetivo com o spin-off da série que lançou em 2005 na Europa.

A narrativa começa por traçar as diferenças com o primeiro jogo, porque aqui colaboramos com os monstros em vez de termos de os aniquilar a todos. Vocês são um rider que pertence a uma tribo que pretende estar em harmonia com a natureza, tanto com a fauna como com a flora. Ou seja, a vossa comunidade quer viver em paz com os monstros, não em constante confronto. Contudo, esta intenção de querer levar-nos a ser amigo dos monstros é muito frágil, porque se estamos a aventura toda montados em monstros domesticados que acabam por ser como um animal de estimação, outros monstros, de ar mais temível, são declarados perigosos e inimigos que precisam de ser aniquilados. Há uma dualidade de critérios quanto ao que é um monstro que deve ser protegido ou outro que temos de exterminar.

A personagem que controlam é o neto de um lendário Monster Rider, notável pela sua bravura e pelo seu valor na comunidade. Este indivíduo começa a percorrer a sua jornada para ter um papel relevante na aventura depois de passar por um processo de aprendizagem das mecânicas do jogo, visto que sabe que se poderá realizar uma profecia: nasceu um Rathalos que será muito provavelmente a causa da destruição do mundo com as suas asas, denominadas de Wings of Ruin.

Como se prevê facilmente, vocês são o herói que terá de impedir que esta profecia se manifeste, num jogo que tem uma premissa tipicamente JRPG, com elementos da série Monster Hunter que lhe dão um outro ar. A exploração e o combate são bastante básicos, não há nada de realmente relevante, contudo, é complementado por um sistema de crafting retirado diretamente da série principal. O resultado desta mistura de géneros e sistemas é um jogo que acaba por ser bastante aprazível.

A Nintendo Switch é uma consola híbrida que pode muito bem ser utilizada como consola portátil (salvo uma ou outra exceção) – até é por isso mesmo que a Nintendo Switch Lite existe. Portanto, a Capcom aproveitou esta hipótese para produzir uma sequela do spin-off de Monster Hunter, que chegou a um pico de popularidade com Monster Hunter World. Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin é um jogo de ação com combates por turnos no qual vale a pena investir, quanto mais não seja pela jogabilidade cheia de estilo e pela narrativa com alguns momentos que nos consegue emocionar quanto baste.

Se estão à procura de uma versão animé de um qualquer jogo tradicional da série Monster Hunter, não será em Wings of Ruin que o vão encontrar. Até como já referi, aqui o combate é realizado por turnos, como num clássico RPG, onde a força dos nossos ataques se rege por um sistema de Pedra, Papel e Tesoura. Como seria expectável, também existem várias pequenas nuances que fazem de Wings of Ruin uma experiência Monster Hunter única.

Wings of Ruin é mais um exclusivo Switch, o que faz da consola da casa de Quioto um novo lar para a série da Capcom. Isto representa uma continuidade em relação ao trabalho que foi feito na 3DS, no entanto, por outro lado, também significa que se mantiveram problemas. Se a 3DS não tinha um analógico direito para controlar a câmara, a Switch não tem a bagagem necessária para alcançar as ambições técnicas do jogo da Capcom. Em algumas ocasiões, notei que há, muito raramente, um abrandamento nos fotogramas por segundo, que baixam repentinamente, o que não causa uma experiência má, mas que poderia ser bastante melhor para quem gosta de jogar no modo portátil.

Esteticamente, Wings of Ruin satisfaz bastante por aquilo que oferece. O conhecido design de monstros tem um bonito desenho feito com a técnica cell-shading, dando-lhes um aspeto de desenho animado japonês com muita cor e brilho. Apesar de ter encontrado raras falhas nos fotogramas por segundo, este é um melhoramento significativo quanto ao primeiro jogo da Nintendo 3DS. Até a própria interface está bem desenhada e clara para se perceber e navegar facilmente, algo que é de louvar visto que vão passar uma boa parte do vosso tempo no crafting de armas e no combate por turnos.

Uma grande parte de Monster Hunter é a exploração, que se faz montados em monstros, depois de estarem devidamente domados, para fazermos a descoberta do terreno. Depois dos ovos que recolheram de diversos ninhos terem eclodido, os monstros ficam imediatamente prontos para montar e lutar ao nosso lado. Conforme cada espécie de monstro, há criaturas com habilidades, vantagens e desvantagens entre si, cabe a vocês decidirem qual a melhor abordagem para a situação que vão enfrentar.

E como a exploração é uma parte integral de Wings of Ruin, convém ver quais os monstros que vos permitem chegar a áreas restritas. Por isso, será necessário manter uma boa variedade de monstros na vossa equipa, para assim poderem aceder a todas as áreas bloqueadas por um determinado obstáculo que só é suplantado por uma habilidade de uma criatura. Uma escolha acertada na variedade de criaturas a levar convosco também vos ajudará nas batalhas que terão de travar contra os monstros mais agressivos que se aproximam.

Assim, a estratégia a delinear é mais ampla, em termos de opções para equilibrar forças e fraquezas, o que vos permite chegar à vitória nas batalhas mais complicadas. O combate tem como base a fórmula Pedra, Papel e Tesoura, que representam em Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin Velocidade, Força e Técnica. Escolher o ataque adequado requer que conheçam e identifiquem as características e padrões de ataques dos vossos inimigos, assim como escolher dos monstros os que são vossos aliados.

Se optarem por atacar da mesma forma que os vossos monstros, poderão efetuar um golpe ainda mais poderoso em conjunto com um dos monstros da vossa equipa. À medida que aprendem todos os mecanismos necessários para serem os melhores que puderem no combate, vão também aprender a encher a barra de kinship e a montar os monstros durante a batalha. Isto desbloqueará técnicas ainda mais eficazes, o que adiciona mais uma camada de complexidade ao combate que também inclui habilidades aos próprios monstros e ao equipamento bélico.

Obviamente que o somatório de todas estas técnicas, quando bem utilizadas e aproveitadas, tornam as batalhas mais básicas muito fáceis. Já as batalhas com os bosses da campanha principal são outra história, já existe o desafio que deveria estar em todo o jogo. Nos bosses já vale a pena delinear estratégias mais complexas para sentirmos aquela recompensa pelos nossos esforços. E quem quer aquele desafio extra, para quem se sente confiante com a sua experiência que tem com videojogos, ainda há monstros denominados de Royal para satisfazer a vontade que temos de ter um oponente que teste as nossas capacidades.

Aniquilar monstros recompensa-vos de duas formas: recebem os preciosos pontos de experiência necessários para melhorarem as vossas capacidades físicas para serem capazes de enfrentar monstros cada vez mais temíveis e o essencial loot. O espólio é usado para transformar restos mortais de monstros em armas e armaduras, tal é o tradicional sistema da série Monster Hunter. A experiência afinada na série principal também mantém aqui presença, para melhorarem o vosso equipamento ou criarem algo novo para combater, aumentando assim as vossas hipóteses de sobrevivência contra monstros cada vez mais perigosos.

Cada um sabe de si e do quanto aguenta fazer grinding para conseguir fazer as armas e armaduras que quiser. O meu conselho é simples, basta focarem-se só num conjunto de equipamentos de cada vez ou melhorarem apenas o que já têm, apesar de assim vos passar ao lado outros processos de jogabilidade interessantes. Se têm tempo e disponibilidade para fazer mais, façam-no porque assim aproveitam tudo o que que Wings of Ruin tem para vos oferecer. Até porque assim passam-vos pelas mãos mais materiais e saberão qual a melhor opção para se sentirem confortáveis com o jogo.

Em suma, Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin é um bom JRPG que mistura a essência Monster Hunter com combates por turnos. A narrativa tem o seu interesse, mas não será aqui que vão encontrar algo nas linhas de um animé do Studio Ghibli. O grande gancho que vos irá agarrar firmemente é o ciclo de colheita dos espólios para transformar em diverso equipamento e a construção da vossa party com monstros. É uma boa alternativa à série principal, mas se não têm paciência para jogos JRPG, não será este que vos vai dar o que precisam para mudar de ideias.

veredito

Wings of Ruin consegue almejar os objetivos da Capcom para um spin-off de uma série fantástica. Fiquem pelo combate e pelo sistema de crafting que satisfaz como qualquer outro jogo da série principal.
8 Narrativa interessante. Sistema de crafting é um bom complemento da experiência. Bom grafismo. Algumas falhas de performance.

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Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin

para Nintendo Switch
Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin

Lançado originalmente:

31 December 2021