por - Sep 7, 2017

Monster Hunter Stories – Análise

Já não se pode afirmar que a série Monster Hunter seja propriamente associada a uma audiência restrita. A série da Capcom conseguiu, graças à grande popularidade da Nintendo 3DS, que cada nova entrada de Monster Hunter fosse notada pelo seu público. Prova deste maior interesse pelos títulos da Capcom é a própria produtora japonesa ter criado o spin-off Monster Hunter Stories. 

Stories vem dar mais ênfase à história de Monster Hunter, às narrativas dos aventureiros que têm a coragem de entrar na natureza para explorar o mundo de fantasia criado pela produtora de Street Fighter, Resident Evil e Devil May Cry. É esta lacuna que a série sempre teve, um argumento praticamente ausente, onde estamos livres à mercê das tarefas que temos de completar. 

Imagens Analise Monster Hunter Stories

Como qualquer história japonesa que se preze, esta coloca miúdos a quererem conquistar o mundo pelas mais variadas razões. No mundo de Monster Hunter, o que seria normal era desejarem também serem caçadores, como o próprio nome do jogo fez questão de salientar durante largos anos. Porém, este Stories introduz Riders junto dos corajosos Hunters, um grupo de pessoas que têm uma abordagem diferente à natureza, nomeadamente ao mundo animal. 

O que sempre interessou aos Hunters foi caçar pela glória e pelos equipamentos que os espólios do combate permitiam produzir: peguem nas vísceras, nos ossos e na pele do monstro que acabaram de eliminar e levem-nos aos artesãos para armaduras e espadas novas. Vestiam e equipavam o que tinham transformado, para assim serem reconhecidos por terem matado um poderoso monstro. 

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Já os Riders, pessoas com uma habilidade especial em domar monstros e torná-los no seu meio de transporte, dão prevalência à ligação entre Homem e Animal. Todavia, esta é uma relação forçada, pois temos de roubar os ovos para termos um monstro como aliado – é como ter um animal selvagem desde a sua nascença e criar uma relação de amizade sem que o animal conheça as suas verdadeiras origens. 

Seja como for, os Riders querem mostrar aos Hunters que é possível ter uma perspetiva muito diferente do que simplesmente impor os monstros ao corte das lâminas das suas ostentosas armas. Para esta relação funcionar, ou seja, para os monstros lutarem e darem a sua vida pelo dono, é necessário uma pedra muito peculiar: a Kinship Stone. Além de ser o elo de ligação entre vocês e o monstro em questão, é uma ferramenta essencial para derrotar criaturas mais poderosas, desbloqueando uma técnica especial.

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O combate é a parte que sofreu mais com o spin-off. Agora as batalhas decorrem por turnos, ou seja, se por acaso tocarem numa criatura enquanto deambulam pela natureza selvagem do jogo, inicia-se o combate propriamente dito. O que faz o combate ser uma das partes que mais sujeita foi à degradação por parte de quem desenvolveu Stories, é de este estar assente num modelo Pedra, Papel, Tesoura. Há bem mais que se lhe diga ao sistema, felizmente, mas nunca chega aos píncaros de satisfação que entrega Generations. 

Por isso, o jogo não se encaixa na estrutura de título de ação e aventura, mas sim de role playing game. Há três ataques predominantes: Tech, Power e Speed. A animação dada a cada um deles não lhes dá uma distinção, mas permite decidir quem vai ganhar em confronto direto: entre inimigo e jogador ou entre o monstro aliado e o inimigo. Caso tenhamos oportunidade, convém utilizar as combinações que nos são permitidas.

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 Porém, este é um sistema falível. Temos de ter a certeza que o combo que queremos efetuar passa obrigatoriamente por três turnos diferentes, caso contrário não conseguimos executar o golpe mais poderoso. Se por acaso o monstro tiver a intenção de nos atacar com outro golpe que não seja aquele que nos dá jeito para terminar o combo, não o efetuamos. Temos, por isso, de ter a sorte que as suas investidas estejam concentradas no nosso monstro que ataca de forma independente. 

O aspeto RPG do jogo confere um aumento do nosso nível e dos monstros que transportamos connosco. E isto permite dar mais poderes à criatura, poderes que estão representados por esferas numa grelha de três por três e se fizermos linhas horizontais ou verticais da mesma cor, recebemos um acréscimo do poder à nossa criatura. Isto acontece num processo de fusão em que um recebe os poderes de outro monstro qualquer, sem nenhuma oposição prévia, o que nos dá a liberdade de ter monstros de gelo que consigam cuspir fogo. Muito útil se o ovo que apanhamos é de um monstro que já temos repetido.

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São estas pequenas nuances que dão uma maior profundidade ao jogo. É isto que nos dá alento em afinar e acertar com monstros perfeitos para cada batalha. A utilização da Kinship Stone também oferece alguma variedade ao combate, aliás é a sua função que nos permite efetuar ataques devastadores, essenciais para eliminar inimigos com uma barra de saúde bastante generosa. 

Este novo título da Capcom é bonito, mas tenta ser o que não consegue atingir na Nintendo 3DS – um jogo com um estilo anime bastante pronunciado pelas cores e modelos de personagens característicos deste estilo de animação nipónica. Todavia, se estivermos a correr em locais mais povoados, os modelos das personagens demoram a carregar e vemos muitas vezes autênticos manequins cinzentos sem a textura que lhe confere o aspeto de personagem de um mundo de fantasia.

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Tirando este problema, que acontece mais vezes que o desejado, Monster Hunter Stories tem tarefas em quantidade assinalável, o que lhe dá uma longevidade bastante elevada. Trinta horas não vão ser suficientes para fazer tudo o que o jogo tem para oferecer. Porém, quando na série principal nos sentiamos motivados a progredir como um homem sozinho contra uma natureza imperdoável, a simplicidade dos sistemas de combate só vem introduzir demasiada facilidade ao jogo.

veredito

Um spin-off que se afasta daquilo que tornou esta saga emblemática: o combate. Ainda assim, Monster Hunter Stories acaba por ser um bom ponto de entrada para a série principal. 
7 Colecionismo de monstros. Personalização das habilidades. Falhas técnicas. Combate demasiado simples.

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Monster Hunter Stories

para Nintendo 3DS
Monster Hunter Stories

Lançado originalmente:

08 September 2017