A série Mortal Kombat existe há 23 anos e desde a sua estreia que se distinguiu dos demais jogos de luta pela sua natureza violenta. Esta herança tem sido carregada com orgulho ao longo dos anos e através de várias sequelas, umas mais grosseiras ou mais chocantes que outras. Mesmo assim, Mortal Kombat X é decididamente o mais violento de todos os jogos da série, no entanto, tem o seu charme e os ingredientes que compõe um bom jogo de luta.

Mortal Kombat X é, até certo ponto, uma reinvenção do jogo anterior, que vai buscar mecânicas de jogo ao seu antecessor como os X-Ray, e melhora essas interações. É muito familiar, se comparado com jogos como Mortal Kombat IX ou Injustice: Gods Among Us, quem os tiver jogado vai sentir-se em casa a jogar MK X.

A partir da primeira experiência com o jogo, podemos começar a conhecer os 24 lutadores disponíveis com o jogo, com mais 5 a poderem ser desbloqueados por meio de conteúdo transferível pago à parte. O número 24 pode não parecer muito impressionante, mas aliado ao facto de que cada personagem tem 3 estilos de luta diferentes, torna a escolha de um favorito um pouco mais complicada. Os estilos não são diferentes só em nome e escolher entre uma Jacqui Briggs com o estilo Full Auto, ou Shotgun faz realmente diferença em alguns ataques da personagem. Este tipo de pequenas mudanças criam assim mais possibilidades de uso diferente de cada um dos lutadores. Até nos habituamos a um tipo de luta, o que torna tudo muito satisfatório quando fazemos um combate perfeito, em que tudo encaixa.

Os combates são bastante rápidos, e podem acabar num piscar de olhos se não bloquearem os ataques dos oponentes. Mais do que nos anteriores os golpes parecem encaixar muito bem, e o sistema de combos é desafiante o suficiente para que seja preciso alguma prática até sermos mestres. Os X-rays geralmente são fáceis de acertar, e temos direito a animações bastante boas de cada um dos golpes desferidos. Estes últimos adicionam muito ao prazer de jogar, mas por outro lado, são muitas vezes tão inacreditáveis que só nos conseguimos rir do que está a acontecer. Mas afinal, é deste tipo de coisas que Mortal Kombat é feito.

Graficamente o jogo é bastante bom, os fundos são interessantes e podemos interagir com parte deles de modo limitado. As animações das personagens e das suas expressões faciais são as melhores da série, e tudo funciona bastante bem. Ao longo dos combates as personagens vão-se sujando e ficando com alguns cortes e lacerações e no fim é interessante ver em que estado ficou a nossa personagem. É tudo bastante detalhado ao ponto de nos níveis em que há água pelo meio, as personagens ficam molhadas e com as roupas mais escuras depois de rebolarem pelo chão molhado.

As novas personagens em geral adequam-se bastante bem à nova geração, e à excepção de Cassie Cage, tem estilos de combate variados e com algum interesse. A filha de Johnny Cage e Sonya Blade não é tão interessante porque é uma mistura destes dois, e não inova muito. Há ainda Erron Black, D'vorah e Ferra/Torr, este último uma dupla com uma relação simbiótica.

Em modo jogador único existem os modos de história, combate em torres e a Krypt, adequadamente escrito com a letra K. Este último modo é novo no jogo e é uma espécie de labirinto na primeira pessoa onde vamos desbloqueando conteúdo para o resto do jogo. Não há grande razão para este modo existir, mas é uma mudança interessante do frenesim das lutas.

O modo história é uma boa apresentação das novas personagens, mas no geral trata-se de um grande vídeo com lutas pelo meio, e para desespero de alguns, Quick Time Events, aquelas situações em que estamos a ver um vídeo e a meio, para salvar a nossa personagem temos de carregar nos botões que o jogo pede. No centro do conflito está Shinnok, um antigo deus que tem um amuleto que corrompe as forças de Earthrealm e Outworld e com a ajuda de versões adulteradas de antigos lutadores, como Kung Lao e Liu Kang quer tomar os dois reinos. É bastante previsível mas interessante quanto baste para nos manter a jogar.

No geral, o campo audio está tudo adequado, nada de extraordinário. Tudo encaixa bem com o jogo, e as vozes das personagens servem o seu propósito especialmente no modo história. O mesmo não pode ser dito no entanto, para a escrita dos diálogos em particular. Não só estão cheios de clichés, como de vez em quando um dos intervenientes profere frases próprias dos piores filmes de ação alguma vez feitos.

A parte multijogador tem os seus dias, tanto se consegue arranjar jogo atrás de jogo e conseguimos fazer combates satisfatórios, como há dias em que se arranjarmos uma luta sentimos que era melhor nem ter entrado porque toda a gente escolhe o mesmo lutador e usam a mesma combinação de golpes infalível.

Resumindo, Mortal Kombat X é um jogo de luta que fará os fãs da série felizes, e mesmo assim é acessível para pessoas novas. Algumas questões podem ser levantadas ao modelo de negócio, nomeadamente à existência de Easy Fatalities disponíveis para compra, que tornam esses golpes muito mais fáceis de executar. Mesmo assim, é um jogo que diverte bastante, muito bem polido e com mudanças suficientes para continuar a dar vida a uma série que já existe há bastante tempo.