Se Nightcrawler, o mutante da Marvel que se pode teletransportar, tivesse direito a um videojogo, Mr. Shifty não seria uma má representação para a personagem. Com elementos de Hotline Miami, a produtora australiana tem uma visão concreta para o seu jogo e conseguiu dar uma alternativa menos violenta e dinâmica ao título no qual se inspiraram.

A história não é o ponto forte da obra, mas sim um dos elementos que contextualiza o que vão fazer. Desde a arte, passando pelos momentos de ação proporcionados pelo jogo, que temos um produto inspirado no entretenimento de ação e aventura dos anos oitenta. Chairman Stone é o antagonista que tem na sua posse materiais radioativos altamente perigosos e o jogador, como espião contratado, tem de se infiltrar no seu arranha-céus e retirar-lhe o material tão perigoso para a humanidade, quando em mãos erradas.

Imagens Analise Shifty

A habilidade do protagonista é a de se teletransportar rapidamente para um local próximo. Se quiserem podem passar para uma outra divisão ao lado sem terem que abrir a porta, basta atravessarem a parede. Um método simples e eficaz para surpreender os vossos inimigos. Numa perspetiva igual à de Hotline Miami, ou seja, visto de cima para baixo, têm de ir para o vosso objetivo ultrapassando seguranças e vários tipos de inimigos que vão crescendo em dificuldade com o armamento que vão empunhando. 

Uns estão armados com pistolas em ambas as mãos, enquanto outros ficam à espera que passem pela sua mira da arma de longo alcance que têm pronta para disparar. É esta variedade de inimigos que introduz novos puzzles para ultrapassar, assim como alguns perigos e armadilhas como raios laser ou barris com líquidos inflamáveis que explodem com os disparos inimigos. Para os eliminar temos de recorrer aos nossos punhos, mas caso consigam apanhar algum bastão ou outra arma similar de combate corpo a corpo podem usar e abusar das vantagens que oferece. O tridente é uma das poucas armas que é uma excelente forma de arrumar com bastantes inimigos de uma só vez. 

Imagens Analise Shifty

Dada a particularidade do poder de Mr. Shifty e a morte com apenas um disparo, será necessário surpreender os inimigos. Apareçam atrás deles e após uns murros têm o assunto resolvido. Caso não consigam e percam o efeito surpresa, sobra-vos utilizar o vosso poder para desaparecer para outras divisões que estejam perto de vocês. Ou, se o espaço for mais amplo e com poucas divisões podem muito bem desviarem-se de balas e de projéteis explosivos. É por estas razões que Mr. Shifty está claramente dependente da criatividade a nível do level design dos seus criadores. E, neste aspeto, o título sofre de algumas oscilações.

A criatividade dissipa-se e volta com a introdução de novos elementos mecânicos, como por exemplo vilões com novas armas, armadilhas com raios laser ou andares com um novo layout das divisões. É divertido jogar até dominar-se o que o jogo nos propõe, mas uma vez ultrapassada essa fase, o jogo arrasta-se até exagerar com uma determinada mecânica. Como o tridente, que é excelente para eliminar vários inimigos de uma vez, todavia, se nos próximos níveis continuam-nos a oferecer esta facilidade sem alterar grande parte dos elementos que faz de Mr. Shifty uma experiência agradável, instala-se a monotonia - é inevitável.

Imagens Analise Shifty

Porém, convém mencionar que quase todas as divisões de Mr. Shifty são destrutíveis, um pormenor que vai acabar por dinamizar a ação e obrigar-nos a adaptar a uma nova realidade. É que as paredes são também uma proteção às balas dos nossos inimigos, uma vez desfeitas estamos nus perante uma chuva de balas e temos de estar sujeitos à nossa habilidade de utilizar o teletransporte, tal e qual Nightcrawler contra Angel em X-Men: Apocalypse.

Se são fãs incondicionais de Hotline Miami, esta é uma boa proposta para revisitar esta fórmula de design bastante interessante. Só que em vez de algo estratégico e visceral como foi a obra de Jonatan Söderström, temos algo rápido e explosivo como a verdadeira ação o exige.