O cenário pós-apocalíptico é frequentemente visitado por produtores de videojogos. Aparentemente, o planeta Terra em vários graus de decadência e destruição é uma das plataformas em que os jogadores mais gostam de estar para vivenciar uma aventura. Porém, a estagnação e a exploração de ideias nesta área já começam a ficar saturadas, contudo não invalida o aparecimento de projetos inovadores, incubados em Game Jams.

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Foi o feliz acaso do casal Itay Keren e Julia Keren-Detar, que se inspiraram numa TED Talk do micólogo Paul Stamets, durante uma Game Jam em Nova Iorque em que chegaram ao primeiro conceito de Mushrooom 11. Num outro evento de desenvolvimento de conceitos e projetos, juntou-se um segundo casal, Simon Kono e Kara Kono, para assim dar vida a este videojogo que cedo conquistou a atenção da imprensa.

Mushroom 11 não é um típico jogo que usa como pano de fundo um cenário posterior a um apocalipse. Aqui só se vêem vestígios da marca humana no planeta, que terá sucumbido após uma explosão nuclear. Estruturas de edifícios estão a aguentar-se até onde a sua resistência permite, formando uma paisagem caótica de ruínas de cimento e metal.

Vocês controlam com o cursor do rato um organismo pluricelular, uma espécie de amiba, que tem de se mover conforme o vão destruindo. O vosso cursor funciona como uma borracha que elimina partes do ser amórfico que vai crescendo em outras superfícies do seu corpo para recuperar o que perdeu. Uma mecânica tão simples que promove uma jogabilidade desafiante e única.

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No entanto, será necessário um período de habituação até entender algumas técnicas para fazerem crescer o organismo por onde querem e assim conseguirem proporcionar a sua locomoção. O botão esquerdo do rato é usado para uma superfície de maior dimensão a ser eliminada, para assim ser mais fácil fazer o organismo avançar mais rapidamente. Útil para quando chegarem a certos locais onde os edifícios estão a ceder obedecendo à lei da gravidade, onde a velocidade é a principal prioridade. Já o botão direito faz aparecer um apagador circular muito menor, para cortes de precisão ou uma eliminação mais controlada. Ser-vos-á recomendada a sua utilização quando querem chegar a sítios mais altos, ou chegar a um porto seguro com todo o cuidado.

Existem diversos perigos a evitar, Mushroom 11 não se limita a usar a sua jogabilidade só para passeios relaxados pelos últimos indícios da presença da civilização humana. Não faltarão poços de magma em ebulição, ácidos que vão digerir o ser pluricelular se não se livrarem da parte que ficou afetada. Ultrapassar estes obstáculos irá, por vezes, levar-vos a um sentimento de frustração - algo que vai correr sempre mal, seja na dificuldade em deslocar a amiba para onde querem ou descobrir a forma de avançar com o que temos pela frente. Quem está habituado a ter puzzles saberá bem que uma pausa no jogo, para voltarem de cabeça fresca prontos a abordarem o puzzle numa diferente perspetiva, é uma das formas mais comuns de chegar à solução.

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Os obstáculos físicos também são uma grande parte dos puzzles de Mushroom 11. Em vários locais vão encontrar vigas de metal enferrujado para poderem usar como catapultas, edifícios a ruir numa determinada direção que vos vão exigir colocar o organismo verde na certa posição para que este escape aos perigos que esta situação lhe impôs. Por muito difícil que seja o jogo, este nunca é injusto com o jogador. Quando um quebra-cabeças mais demorado ou complicado de resolver se coloca no vosso caminho, este é quase sempre precedido de um checkpoint ao qual retrocedem, na eventualidade de algo correr mal no processo.

Ao evoluírem no jogo vão aprendendo algumas técnicas e competências para resolver certos obstáculos, para no final de cada um dos sete capítulos defrontarem um boss que colocará à prova tudo o que absorveram desde o começo do capítulo onde se encontram. Uma vez eliminado, a sensação de recompensa é incrível. Todo o fruto do vosso trabalho que dedicaram até este momento crucial é finalmente recompensado com a justa vitória.

A música entregue pela banda britânica The Future Sound of London encaixa perfeitamente na temática do jogo. Esta obra não conta uma história feliz, a música acentua essa característica que pode não parecer muito presente visto que a história vai sendo contada pela exploração do ambiente. Porém, se estamos encalhados num puzzle, a música poderá repetir-se e tornar-se exaustiva.

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Mushroom 11 é um título de plataformas inteligente e que trata o seu público da mesma forma. Crescer gradualmente é importante, tanto para o jogo como para o jogador. E se o jogador corresponde aos ensinamentos que a obra da Untame tenta passar, a recompensa fica garantida, com puzzles brilhantes que nos colocam a pensar graças à sua jogabilidade simples e intuitiva. Porém, se nunca se interessaram por este género de videojogos, não será Mushroom 11 que vos vai convencer a experimentarem algo novo.