O Steam Greenlight foi extremamente benéfico para os videojogos, sobretudo, para os pequenos produtores - conhecem-se hoje muitas histórias de sucesso que nasceram no programa da Valve. Porém, há o reverso da medalha: são lançados semanalmente jogos no Steam que são autêntico lixo que abafa obras genuínas sem segundas intenções (como algumas que estão pejadas de microtransações). Pessoalmente, vi esta iniciativa a forçar a Sony, a Microsoft e, sobretudo, a conservadora casa de Quioto, a reverem as suas políticas de admissão de jogos às suas consolas.

Desde 2010 que estamos a assistir a um boom de novos jogos, através de todas as plataformas, passando quase sempre primeiro pelo PC até à Nintendo Switch. Por isso, é normal que alguns títulos nos passem ao lado, como foi o caso do primeiro Mushroom Wars. Agora que a sua sequela chegou à Nintendo Switch, não ficamos indiferentes à obra da Zillion Whales, até porque não há muitos jogos de estratégia em tempo real - ainda há toda uma comunidade de fãs certamente à espera da chegada de Pikmin à Nintendo Switch.

Mushroom Wars 2 é bastante direto, não esconde o que pretende entregar ao jogador desde o início da primeira partida: batalhas simples com uma pequena dose de profundidade para possibilitar sessões rápidas. Nós temos de conquistar e evitar sermos conquistados. Temos de ser capazes de pensar mais rápido do que a inteligência artificial. Assim, conseguimos dominar os edifícios do jogo, um a um, até obtermos o controlo total do campo de batalha. Em todos os mapas há diferentes dificuldades que são propostas ao jogador, que convergem para o objetivo unilateral do jogo de estratégia em tempo real: ter o total domínio e controlo do mapa após termos conquistado todos os locais do mapa.

O próprio título do jogo denuncia em que termos ocorre esta obra. Há uma guerra que está a ser travada no Reino Fungi, cogumelos personificados lutam contra outros e quem tiver a sua cor representada na totalidade do mapa vence. A narrativa não ajuda a entender o que realmente se está a passar, num mundo que parece ter sido idealizado pelo belga Pierre Culliford. A narrativa é maioritariamente expressada através de painéis de desenhos elaborados, que pouco ou nada servem para dar contexto às batalhas estratégicas de Mushroom Wars 2.

Mal começa o jogo, há um mapa com vários edifícios dispersos, uns controlados por nós e outros pelo inimigo, assim como uma outra parte pertencente a uma fação neutra. Neste jogo, o que é realmente importante é estar atento aos números próximos de cada uma das instalações existentes. Serão esses números que vão determinar a nossa capacidade de atacar ou de defender.

Na sua essência, Mushroom Wars 2 é um jogo de algarismos. Quem tiver o maior número ganha, mas não nos devemos esquecer que há outros aspetos a ter em conta e que podem influenciar a matemática da batalha que está a decorrer. Existem também importantes decisões a fazer para podermos afastar as hipóteses do inimigo ganhar terreno. Decidir entre atacar, defender ou evoluir um edifício vai alterar por completo a dinâmica da partida. Nenhuma opção é a mais acertada, desde que estejam minimamente precavidos contra eventuais aberturas que possam dar a quem vos ataca.

Uma das novidades mais marcantes em relação ao seu antecessor é a introdução de heróis. Estas entidades não entram diretamente na batalha em si, mas têm uma importante função. Os heróis fornecem um conjunto de habilidades que podem ser utilizadas durante o decorrer do jogo. Felizmente, nos picos de dificuldade mais elevada estes revelam-se bastante úteis.

Uma das principais funcionalidades em Mushroom Wars 2 é a componente multijogador. Aqui todos percebem o jogo da mesma forma e ninguém tem uma vantagem sobre os seus adversários, podendo aplicar as noções mais avançadas que se vão adquirindo no modo a solo.

Podemos diversificar muito as partidas, com uma generosa quantidade de mapas, assim como vários modos para diversão multijogador no sofá de casa. Porém, podem levar a vossa experiência das sessões amigáveis e do próprio multijogador local para lutar pelos lugares cimeiros das tabelas de classificação.

Tecnicamente, Mushroom Wars 2 faz o que deve: ou seja, é rápido na informação transmitida, sem enfiar lixo visual que é, obviamente, desnecessário para o decorrer das partidas. O mundo de jogo parece que nos leva, por vezes para o imaginário belga de Les Schtroumpfs.

Se querem um jogo de estratégia em tempo real, Mushroom Wars 2 é uma opção decente, principalmente se tiverem mais vontade de jogarem com uma sala cheia de amigos. Não existem ainda grandes opções neste segmento de estratégia na Nintendo Switch, mas esta é uma obra que satisfaz por aquilo que se compromete a entregar.