A indústria dos videojogos é um universo repleto de diversidade. Para cada Atirador na Primeira Pessoa vistoso e fotorrealista existe um pequeno título minimalista que capta atenção do público através daquilo que é a essência de qualquer experiência jogável, ou seja, a sua jogabilidade. N++ enquadra-se neste segundo grupo e é uma experiência que, embora agradável, não tem força para sustentar longas horas de jogo.

Tal como várias obras do género, a história é praticamente inexistente, sendo nos apenas dito que somos um ninja incumbido com a função de terminar as várias salas de treino que vão sendo colocadas no seu percurso. Com mais ou menos obstáculos, cada um destes desafios são concluídos através do contacto com um interruptor que abre a porta à qual têm de chegar para os terminarem com sucesso.

Tentar identificar a capacidade deste título para se manter como uma experiência interessante e, mais importante que isso, fresca com o passar das horas é algo apenas possível através do grau de apreciação por obras puras do género plataformas de quem o joga. Por um lado, isto significa que estamos perante uma obra extremamente competente dentro do género em questão, mas que por outro lado falha claramente no que diz respeito a diversificar a sua jogabilidade para manter o jogador interessado.

Para fãs do género, N++ é um obra que oferece dezenas de níveis capazes de testar a destreza e a tenacidade de quem se proposer a batê-los e, por consequência, inúmeras horas de jogabilidade de plataformas no seu estado mais puro. Evitando os vários obstáculos como explosivos e mísseis através da única habilidade do nosso ninja, o salto, o jogador terá a sua disposição inúmeras séries de cinco níveis de dificuldade e complexidade crescentes que o prometem levar ao limite das suas capacidades.

Se este género de experiências não faz parte das vossas preferências, então a sequela de N+ dificilmente oferecerá algo capaz de vos manter investidos na obra durante mais do que um bom par de horas. Nem mesmo uma jogabilidade sólida e exigente é capaz de resistir à ausência de adição de novas mecânicas à formula inicial, sendo que para aqueles cuja gratificação de superar níveis uns atrás dos outros não é suficiente para os motivar a continuar a jogar ficará sempre a sensação de que fica algo para elevar e diversificar a experiência.

No que diz respeito aos modos de jogo, N++ divide os seus níveis em três categorias: solo, corridas e cooperativos. Se a primeira categoria compreende os níveis mais tradicionais, as corridas colocam até 4 jogadores a tentar concluir o mesmo nível no menor tempo possível e os modos cooperativos obrigam dois jogadores a trabalhar em conjunto para um objetivo comum. É importante salientar que as componentes multijogador apenas podem ser desfrutadas localmente, não existindo componente online.

Para além dos níveis originais disponibilizados pela produtora Metanet Software, esta obra oferece também um editor de níveis para os jogadores poderem testar a sua habilidade na criação dos seus próprios percursos de obstáculos. Ainda assim, este modo de jogo acaba por ser um pouco desaproveitado pela ausência de um verdadeiro tutorial que sirva de auxílio ao processo de criação, algo importante pois serão os níveis partilhados pelos jogadores que vão estender a jogabilidade do título após todos os níveis originais serem concluídos.

Em termos visuais, N++ opta por um estilo visual minimalista, mantendo dessa forma o foco sempre na jogabilidade e conseguindo uma apresentação limpa e sem grande distrações. Se assim desejarem, podem alterar, sempre que o quiserem, as cores do cenário para diversificar esteticamente a experiência. Já a banda sonora acompanha na perfeição a jogabilidade, conjugando-se bastante bem com o ritmo rápido de tentativa e erro dos seus inúmeros níveis.

Em suma, estamos perante um bom título de plataformas que se serve de uma jogabilidade simples mas competente para entregar uma experiência sólida e com potencial para queimar várias horas do vosso dia. No entanto, mesmo depois de ter superado inúmeros dos níveis que o jogo tem para oferecer, não posso deixar de afirmar que falta algo mais para distanciar esta obra de tudo o resto atualmente disponível no mercado, acabando por acusar alguma falta de frescura após algumas horas de jogo.