A série videojogável conhecida por ter apresentado a alternativa mais próxima da realidade retratada na Manga e Anime de Naruto Shipudden volta a atacar o mercado, desta vez para uma proposta algo diferente, apresentando-se como um pacote de conteúdos transferíveis, num formato que se aproxima àquele que uma edição Game of the Year poderia eventualmente ter tido. Apesar disso, recomendo os fãs a não ficarem precocemente desiludidos. Afinal de contas, como diria o irlandês Edmund Burke, "ninguém comete erro maior do que não fazer nada porque só pode fazer pouco".

Assim, como poderão calcular, a análise que hoje vos apresentamos não encara Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 3 Full Burst como um todo, dadas as similaridades com a versão lançada durante o final do primeiro trimestre deste ano, que apresentava um título em duas palavras mais curto. Em vez disso, a perspetiva apresentada foca-se principalmente em relatar as diferenças registadas entre cada um dos lançamentos, tão mínimas que a produtora optou por lançá-las em formato de conteúdo transferível no caso das consolas.

A restrição feita no final da última frase deve-se a uma razão muito simples e que é um dos principais pontos positivos deste novo título: o lançamento no PC. Finalmente os jogadores que preferem trocar comandos por teclados vão ter a sua oportunidade para se aventurarem digitalmente na vida complexa do ninja mais famoso do planeta. Por falar em trocar comandos por teclados, creio que muito provavelmente essa não tinha sido a melhor escolha de palavras. Jogar Full Burst através de um teclado é uma experiência que poderá tornar-se rapidamente dolorosa, uma vez que os controlos - cuja disposição deverá ser organizada pelo próprio jogador - nunca chega a funcionar a um nível ergonomicamente semelhante àquele que é proporcionado por um comando vulgar. Talvez seja melhor esquecerem a parte de da troca entre acessórios, ligar um controlador ao vosso PC vai poupar-vos muitas dores de cabeça.

Como já tinha sido visto em Ultimate Ninja Storm 3, Full Burst apresenta uma quantidade de conteúdo imensa, fazendo assim jus à qualidade da Manga de Masashi Kishimoto, cada vez mais popular em terras ocidentais. Continuamos a ter à nossa disposição o modo de aventura principal e os modos de combate propriamente dito (incluindo a vertente multijogador). O enredo segue à risca os acontecimentos dos formatos já referidos anteriormente nesta análise, numa combinação que não dá as boas-vindas aos novos jogadores, uma vez que serão imediatamente colocados no meio de todos os problemas, sem terem direito a apresentações relativas às personagens ou aos acontecimentos anteriores.

Ao por si só já extenso leque de conteúdos apresentados na versão vanilla do jogo, a CyberConnect2 acrescenta algumas adições extra, sob a forma de um capítulo extra para o modo principal, cujo conteúdo vai ser principalmente do agrado dos fãs do desenho de cabelo louro que mais aguerridamente conhecem a história. Baseando-se na épica luta que envolve Sasuke, Itachi e Kabuto, os jogadores são levados a experimentar vários momentos de grande frenesim de movimentos, aliados a belas sequências cinematográficas que realçam a importância do momento para a história em si. Porém, se não se sentem particularmente atraídos pelo enredo, o estúdio preparou um conjunto de mais de cem missões de desafio que chegam para ocupar várias horas de jogabilidade. Este conteúdo apresenta-se dividido em dez categorias diferentes, progressivamente desbloqueadas à medida que avançam na percentagem de missões completadas. Caso estejam fartos de dedicar tempo à campanha, ou de ser derrotados no modo Online, têm aqui um forte aliado na adição de maior variabilidade às vossas sessões de jogo, principalmente pelo facto de as diferentes missões estarem organizadas pelo seu grau de dificuldade.

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Aliado a tudo isto, poderão ainda contar com dezenas de novos fatos bem distribuídos entre todas as personagens do jogo, a que se junta Sage Kabuto, a grande novidade em forma de nova adição ao plantel. Tudo apresentado de forma a que, mesmo que seja apenas por instantes, o jogo consiga apresentar uma nova face, pronta a receber os jogadores que o tinham abandonado.

Apesar da constante referência feita às afinações ao nível da jogabilidade feitas pela produtora no período que antecedeu o lançamento oficial desta obra, devo dizer que não tenha notado modificações dignas de nota. Ainda que só tenha tido oportunidade de jogar Ultimate Ninja Storm 3 durante poucas horas, não creio que tenham sido feitas mudanças significativas, que tenham um impate direto na prestação do jogador. Todo o sistema continua a apresentar uma jogabilidade que se foca em cada um dos combates, aproveitando algumas sequências cinematográficas para apresentar novos adversários e situar os jogadores na história propriamente dita.

Respondendo a alguns dos tópicos que referi nos primeiros parágrafos do texto, considero que Naruto Shipudden: Ultimate Ninja Storm 3 Full Burst se apresenta como uma boa adição à série. Com um preço mínimo para os jogadores de Xbox 360 ou PlayStation 3 que já tivessem adquirido o original, Full Burst é facilmente encarado com um pacote de conteúdos transferíveis bastante chorudo. Para os outros, que agora iniciam a sua aventura no PC, esta proposta continua a ser francamente tentadora. O estúdio podia ter-se limitado a colmatar a ausência nesta plataforma com uma adaptação simples e direta do sucesso lançado em março, mas em vez disso, optou por arriscar mais e o resultado é recompensador. Aliando a bem sucedida fórmula criada no início do ano à adição de conteúdos extra e de alguns toques ligeiros na componente gráfica, o pacote da CyberConnect2 fica assim aprovado.