Naruto já viu muito desde que a sua jornada na sétima geração de consolas foi iniciada. Foi marionete para milhões de jogadores, entusiasmados por um Universo que explodiu noutro meio, mas que rapidamente criou metáteses na indústria dos videojogos.

Ao longo dos últimos anos, a CyberConnect2 foi responsável por grande parte das entregas - tendo na mão as ferramentas necessárias para criar histórias que tivessem a capacidade de fazer jus a um nome que conseguiu ganhar um peso considerável, até mesmo no ocidente.

Seis anos depois da primeira incursão na PlayStation 2, Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm Revolution apresenta-se como a reta final no percurso da série. Pelo caminho, ficaram algumas iterações que vinham a acumular uma tendência clara para a reciclagem de elementos que outrora fizeram sucesso, mas que já não conseguiam passar despercebidos perante um dos júris mais exigentes do mundo - os fãs acérrimos do ninja de cabelos dourados.

O tempo parece ter voado desde a última vez que tive um jogo da série Naruto entre as mãos. Já passou quase um ano - na altura por culpa da análise da versão Full Burst de Ultimate Ninja Storm 3, para o PC - mas a porta de entrada para este mundo continua a apresentar-se de forma semelhante.

O que salta à vista de imediato é a vivacidade com que a CyberConnect2 continua a dar as boas-vindas aos jogadores, estabelecendo bem alta a fasquia da qualidade visual que ao longo dos últimos anos nos tem vindo a acompanhar.

Com efeito, toda essa exuberância com que a componente gráfica nos brinda logo à partida continua bem presente, transpondo quase na perfeição o sentimento que paira nos episódios do Anime propriamente dito. Mas tudo isso já se tinha tornado prata da casa para os fãs que acompanharam o desenvolvimento das últimas entregas. Na realidade, o primeiro ponto de rutura digno de nota assenta na modificação da oferta no que aos modos de jogo diz respeito.

A primeira grande novidade foi batizada com o nome de Torneio Mundial, e é aqui que vão poder tirar teimas e descobrir finalmente quem é o melhor lutador de um catálogo que já ultrapassa a centena de opções disponíveis. Cruzando diferentes estilos de luta, arcos narrativos, temporadas e muitas outras caraterísticas, Revolution apresenta um sólido conjunto de cento e dezoito lutadores.

O número parece chorudo à partida, mas após algumas horas de batalhas as hostes vão sendo diminuídas através de um processo de seleção natural que tem como consequência o facto de os jogadores rapidamente se verem empurrados a selecionar determinados semblantes, por apresentarem capacidades mais vantajosas.

Como disse, as fileiras são numerosas mas o cardinal não se traduz propriamente na mesma qualidade. É certo que ter um extenso catálogo de personagens disponíveis ajuda na criação de uma maior sensação de envolvência no universo Naruto, mas na realidade acaba por se transmitir a ideia de que existem personagens despidas de grande interesse e que não servem para mais do que engrossar o já referido número.

As mecânicas de jogo base continuam a conseguir juntar o melhor de dois mundos e propor o sistema balançado de complexidade e acessibilidade pelo qual a série já vinha a ser conhecida. Porém, neste modo de jogo as típicas barras de vida dão lugar a um sistema que se serve de um total de "orbes" que os jogadores deverão conservar, sofrendo o mínimo de dano possível durante a batalha que junta quatro jogadores, cada um por si. Ainda que à partida esta nova mecânica possa dar indícios de fomentar a rebaldaria no ecrã, no geral as partidas continuam a apresentar-se fluídas e bastante pormenorizadas em termos de movimentos.

O ritmo acelerado com que a ação se desenvolve sofreu ligeiras modificações com a adição de algumas mecânicas específicas, num conjunto em que se destaca a possibilidade de contra-atacar os inimigos com o timing certo, ou ter a oportunidade de quebrar a sua posição defensiva. Ambas as técnicas servem para inserir novos elementos com os quais os jogadores terão de contar, favorecendo a maior heterogeneidade dos combates.

Se vêm para Revolution à procura de um modo de campanha propriamente dito, o jogo poderá revelar-se uma desilusão precoce. O modo de torneio que abordámos no parágrafo anterior consiste na vertente mais composta que a CyberConnect2 tem para oferecer nesta obra.

Todas as outras opções podem ser encaradas como modos extra, de que é exemplo uma pequena adição que explora histórias alternativas relacionadas com parte do elenco - a organização Akatsuki ou a nova personagem Mecha Naruto são dois dos exemplos do leque de contemplados.

O desempenho ao longo das diversas jornadas no torneio mundial vai servir de chave para desbloquearem novos artigos e revelarem zonas desconhecidas da ilha que serve como cenário para toda a obra. Aí está outra novidade, assim que queiram, poderão tirar algum tempo para descontrair nos cenários sedutores que Revolution estabelece e contribuir para o aumento da longevidade do jogo através da exploração desta componente com fortes elementos de um pequeno role-playing game.

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Essa mescla de experiências criadas pela CyberConnect2 para Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm Revolution conjuga uma série de elementos que são capazes de entreter os fãs, dando-lhes novas ferramentas para que possam passar algum tempo de qualidade videojogável ao comando do ninja mais célebre do planeta.

Porém, o jogador comum não pode evitar em notar que o conteúdo apresentado na obra não representa mais do que o esgaravatar da superfície para toda uma experiência com potencial para ser explorado com muito mais pormenor - sendo esta a principal consequência do afastamento de um modo de história que siga os compêndios do género.

A derradeira experiência de Naruto na geração de consolas que se apresentou ao mundo há quase dez anos pedia muito mais do que o remisturar de uma série de conceitos que já tinham sido explorados ao detalhe em jogos anteriores. O modo Torneio Mundial poderia ser uma adição muito positiva se fosse atirada para segundo plano, mas não dispõe de armas capazes de funcionar como pedras basilares de todo o jogo.

O resultado final é um produto algo genérico que não tem força para conquistar novos fãs nem para propor uma experiência verdadeiramente refrescante aos que já vinham acompanhando o nome ao longo dos últimos anos.