Facilitismo é a palavra-chave utilizada pelos designers de videojogos, para assim poderem atrair um novo público que nunca pensaria experimentar um qualquer produto que está agora sujeito a facilidades. O mais recente jogo sujeito a tais incrementos é New Super Mario Bros. U Deluxe, mais um título da Wii U que é adaptado à Switch. E esta decisão de incluir algumas facilidades é fulcral para os jogadores que estão indecisos em adquirir novamente este jogo e passar, mais uma vez, por toda esta experiência que só a Nintendo sabe construir. 

Relembramos que New Super Mario Bros. U Deluxe engloba o jogo original, tal como a expansão New Super Luigi U. Dois jogos (sim, a aventura de Luigi equivale a um jogo por si só) excelentes que já foram comercializados, em conjunto, por cerca de vinte e cinco euros para a Wii U. Já há vários anos que quem quisesse jogar um dos melhores títulos de plataformas que o podia fazer na Wii U, mas como a consola nipónica foi um fracasso comercial, justifica-se levar New Super Mario Bros. U à mais recente consola da Nintendo.

As novidades desta versão, apelidada de “Deluxe”, estão centradas em duas novas personagens: Toadette e Coelharápio. São estas duas personagens que introduzem dois novos modos de dificuldade para quem tem problemas em ler o meticuloso design do título da Nintendo. Com Toadette, o jogo fica “fácil”, já com Coelharápio fica “muito fácil”. São, por isso, adições que rompem completamente com a visão dos criadores do título e eliminam a exigência dos jogadores serem habilidosos. 

Toadette é, simplesmente, a melhor desta dupla de novas personagens. Apesar de ser muito mais fácil jogar com esta personagem feminina, é divertido explorar as mecânicas que permitem ultrapassar certas dificuldades. A principal vantagem, que deu origem ao meme Bowsette, é de se poder transformar em Peachette. Esta transformação faz de Toadette uma autêntica princesa Peach, pelo menos em termos estéticos. Mas o que é importante a reter é a possibilidade de, se apanharmos uma coroa, podermos dar um salto bem mais elevado com o duplo salto que nos é permitido executar. Na prática não é bem um duplo salto, mas um salto seguido de uma impulsão ainda maior, enquanto estamos no ar após um pulo normal. 

Isto é, obviamente, muito útil para alcançarmos locais mais afastados. Pois, quando não conseguimos perceber o que é preciso fazer para lá chegar, sem mergulhamos no fundo abismo que separam a superfície onde nos encontramos e a que queremos alcançar, dá muito jeito. E caso tenham uma certa tendência para cair nestes profundos precipícios, é-vos dada uma salvação com um salto idêntico àquele que conseguem fazer. É neste sentido que utilizar Toadette torna o jogo mais fácil, pois permite chegar ao inacessível, quando não percebemos ou sentimos dificuldade em recriar os passos necessários para chegar onde queremos. 

Com o Coelharápio, New Super Mario Bros. U fica totalmente diferente. Há uma alteração bem evidente quanto ao design do jogo, porque esta personagem não sofre qualquer dano dos inimigos, passa por eles como se fossem autênticos fantasmas. Contudo, Coelharápio continua vulnerável a abismos e a poços de lava incandescente. Usar Coelharápio só é bom naquelas alturas em que a linguagem visual e a mecânica do jogo é, num determinado momento, confusa para quem a lê. 

Todavia, ao contrário de Toadette, dada a excessiva facilidade oferecida, Coelharápio é tudo menos divertido de se utilizar. Coelharápio é, tal como a própria personagem, um ladrão mas que vos rouba a diversão de jogar com uma das principais, ou com a nova Toadette. Coelharápio, ou Nabbit como é conhecido nas versões em inglês, não é uma adição de valor. Esta personagem desvaloriza a experiência que New Super Mario Bros. U Deluxe pretende entregar ao jogador, tornando claro que não vale a pena passar pelo menu de seleção de personagens para trocarmos para o modo “muito fácil”.

A série “New Super Mario Bros.” entrega aquilo que de melhor se faz em design de videojogos, sobretudo num género onde já foi feito tanto desde que a NES foi o palco para tantos jogos de plataformas. Este jogo celebra o que de melhor se fez na série e, principalmente, o género que integra. É por isso que foi revigorante a expansão onde Luigi é a estrela, uma expansão que lhe foi permitido exibir o que consegue alcançar com uma pequena alteração nas jogabilidade e, como seria de esperar, aos níveis para sublinhar a sua importância enquanto ícone dos videojogos e não uma mera sombra do seu famoso irmão. 

Quem já jogou o original de 2012 vai, certamente, questionar-se sobre uma eventual compra da edição Deluxe, que oferece pouco mais do que duas personagens. Este tipo de jogos, onde personagens de ação saltam de plataforma em plataforma num plano bidimensional, encaixa na perfeição em consolas portáteis como a Nintendo Switch. A rapidez com que se completa um nível é pensado para partidas curtas que não nos ocupam grande porções de tempo, ou seja, a realidade perfeita para uma consola portátil. Porém, serão poucos jogadores que vão colocar essa questão, visto que quem comprou uma Switch (provavelmente no Natal que passou há menos de um mês) nunca teve uma Wii U. 

New Super Mario Bros. U continua em excelente forma nesta versão Deluxe e recomenda-se vivamente a quem quer enriquecer o seu catálogo de jogos. Graficamente, não há soluços, mas uma fluidez e definição que promovem o que o jogo oferece: um desafiante jogo de plataformas.