A Housemarque tem cultivado e cimentado uma simpática legião de fãs e cravado o seu lugar na indústria nos últimos dez anos há custa dos seus atiradores estilo arcada que transportam os jogadores para uma era em que os tempos livres eram passados em salões de jogos a perder moedas para máquinas especificamente construídas para penalizar os nossos erros e infectar-nos com o bichinho da constante procura por colocar o nosso nome na lista das pontuações mais elevadas. Ao estúdio finlandês junta-se agora o talento de Eugene Jarvis, produtor que colocou o seu nome nos créditos de Robotron e Smash TV, para um projecto que prometia capitalizar em todo o sucesso e conhecimento amealhado com as suas obras mais recentes.

Nex Machina Analise Imagens

Nex Machina não é um quebrar com a tradição, muito pelo contrário, é uma ode a tudo o que chegou antes de si e ao que foi beber inspiração, uma homenagem à simplicidade de processos que criam uma experiência fácil de jogar, mas difícil de dominar e uma celebração da frase feita que diz que a jogabilidade é, ou deve ser, rainha de toda e qualquer experiência jogável. Não surpreende naquilo que oferece e não conseguirá convencer aqueles que não se identificam com o género da qual a produtora europeia é dona e senhora, contudo, também não é essa a sua missão ou objetivo.

A missão de Nex Machina é entregar a experiência mecanicamente imaculada, o ritmo frenético e o constante incentivo para melhorar o nosso desempenho que se espera de uma obra da Housemarque e nesse departamento não existem quaisquer defeitos a apontar ao título. São precisos poucos minutos com o jogo para que a sua jogabilidade nos agarre pelos colarinhos e nos ofereça uma alternância de mestre entre uma sensação de desafio e a doce gratificação de mais um nível superado e de mais uns milhares adicionados à pontuação que converte a nossa prestação num valor numérico.

Nex Machina Analise Imagens

Tal como Resogun, Alienation, Dead Nation ou as várias edições Super Stardust HD antes de si, o mais recente título casa finlandesa é um twin-stick shooter, o que essencialmente significa que controlam os movimentos da personagem pelo cenário numa perspetiva aérea através do analógico esquerdo e disparam e direcionam as vossas munições através do analógico direito. Como a própria produtora o referiu antes do seu lançamento, todo o jogo é construído com base na ideia de que o jogador nunca tenha de retirar os seus polegares dos analógicos, evitando assim quebras de ritmo da jogabilidade ou que o jogador se sinta prejudicado pelos controlos.

O facto de toda a sua ação estar assente nos dois analógicos, embora possam utilizar os gatilhos para ativar ataques especiais e para evadir rapidamente às investidas dos inimigos, explica o porquê do título ser considerado fácil de jogar, mas incrivelmente difícil de dominar. Os controlos são acessíveis e fáceis de compreender, no entanto, isso não faz de Nex Machina uma experiência fácil, mesmo nas dificuldades mais baixas. 

Nex Machina Analise Imagens

Através do constante destaque dado à pontuação, o jogo incentiva o jogador a aprender e a melhorar, a conhecer os seus níveis de uma ponta à outra, a memorizar o percurso e estratégia mais indicada para obter os melhores resultados possíveis. É certo que, tal como outros títulos da produtora, se não ligam muito à tabela de líderes, é possível que esta seja uma obra algo pobre em conteúdo, uma vez que todos os seus modos baseiam-se nos mesmos cinco mundos distintos, cada um deles composto por 15 níveis que culminam com o confronto com um boss que testa ao máximo as nossas habilidades.

Se a vontade de melhorar e o desejo de perseguir as melhores pontuações são parte integrante da razão pela qual dedicam tanto tempo a este tipo de obras, então Nex Machina tem conteúdo suficiente para vos manter entretidos durante dezenas de horas. Seja através dos diferentes níveis de dificuldade ou dos modos de jogo à disposição, o título sabe como fazer os jogadores regressar para mais uma sessão, mais uma prova de superação, mais um desafio que em tempos pareceu impossível.

Nex Machina Analise Imagens

Em termos de modos de jogo, a obra não introduz nada de novo, concentrando esforços nos elementos habituais que compõem experiências deste género. O modo Arcada é o local onde poderão desbloquear o acesso livre, no modo Mundo Único, aos cinco mundos diferentes de forma sequencial, sendo que recomenda-se que o superem na dificuldade mais baixa numa primeira fase para que todo o conteúdo fique desde logo desbloqueado, uma vez que nas restantes dificuldades o jogo limita o número de vezes que podem perder todas as vidas e mesmo assim continuar no mesmo nível - apesar da pontuação voltar a zeros. Em Experiente têm 99 tentativas - não confundir com vidas - para concluir os cinco mundos, enquanto em Veterano o número baixa para 10 e em Mestre para 5.

Para além do modo Arcada e Mundo Único - o nome esclarece o seu conceito -, existe ainda um modo Arena que se assemelha ao Mundo Único, mas que coloca um foco maior na obtenção da maior pontuação possível com uma única série de vidas. A vossa prestação neste modo premeia-vos também com moedas que podem depois ser utilizadas para desbloquear variantes de cada mundo, como por exemplo, uma maior velocidade ou um limite de tempo de 4 minutos. Nada de revolucionário, mas suficiente para dar mais motivos aos jogadores para regressarem com frequência ao título. Importa salientar que tanto o modo Arcada, como o Mundo Único podem ser jogados em modo cooperativo local.

Nex Machina Analise Imagens

Bem ao estilo de Resogun, os níveis de Nex Machina colocam-nos em recintos fechados sucessivos cuja progressão está dependente da eliminação de todos os inimigos que o título coloca no nosso caminho. Pelo meio, existem humanos para resgatar e bónus para obter através da destruição de elementos do cenário, sejam eles um escudo que vos permite resistir a um ataque sem perderem nenhuma vida, uma vida extra ou ataques especiais como lasers, rocket launchers ou bombas. De notar que sempre que perderem uma vida são forçados a recomeçar o nível em que se encontram, sendo que a única exceção a esta regra são as já mencionadas batalhas com os bosses que concluem cada mundo de forma épica e extremamente exigente.

No departamento técnico, a Housemarque volta a entregar uma obra bastante competente, perfeitamente ciente de que o mínimo soluço técnico pode ter consequências graves na experiência que pretende oferecer. Pode não ser um título visualmente memorável, mas o grafismo de Nex Machina prima pela sua atenção ao detalhe, pelas cores vibrantes e contrastantes que muitas vezes iluminam os seus ambientes, pela quantidade de pequenas partículas em que tudo o que é destruído se desfaz durante a jogabilidade. No fundo, temos um grafismo sólido que não procura desviar atenções da ação, mas sim enaltecê-la. Por sua vez, a sonoplastia alimenta com eficácia o ritmo frenético da jogabilidade através de sonoridades que tornam tudo o que se passa no ecrã mais épico e espetacular.

Nex Machina Analise Imagens

Sem grandes surpresas, Nex Machina é mais um título de excelsa qualidade da autoria do estúdio finlandês que desta vez não ficará limitado a uma exclusividade nas plataformas PlayStation, uma vez que também está disponível no PC. Pegando em tudo aquilo que torna os seus jogos especiais e adicionando-lhe o toque de Midas de Eugene Jarvis, Nex Machina é uma obra que premeia constantemente a nossa dedicação e que tem sempre um desafio ainda maior para colocar no nosso caminho. Não convencerá aqueles que não morrem de amores por títulos do género, mas este é um jogo para aqueles que gostam de imortalizar os seus nomes no topo da tabela de líderes.