Quando Nidhogg chegou ao mercado em 2014, a produtora Messhof apanhou meio mundo de surpresa com um título extremamente simples e acessível que transformou inúmeros escritórios de trabalho e encontros de amigos em autênticos duelos de gladiadores virtuais. Com um esquema de controlos assente em poucos botões e com os jogadores sempre a iniciar as partidas em plano de igualdade, o peculiar jogo afirmou-se como uma experiência de eleição para aqueles que procuravam uma obra para partilhar com amigos, conhecidos ou outros jogadores.
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Com Nidhogg 2, o desafio para o estúdio fundado por Mark Essen e Kristy Norindr passava por conservar aquilo que tornou o original tão especial, isto é, a acessibilidade e a capacidade para proporcionar uma diversão rápida e sem perdas de tempo, enquanto tentavam simultaneamente expandir o conceito base da obra para que a sequela não se transformasse apenas em mais do mesmo. Passadas algumas horas com o título, fica claro que esse objetivo não foi totalmente alcançado e que, embora estejamos perante um sólido esforço, a nova iteração da fórmula não tem a mesma magia do antecessor.
Uma prova que mais e maior nem sempre se traduz em algo melhor, a sequela tem o mérito de introduzir elementos que conferem uma maior diversidade e profundidade à sua jogabilidade de duelos, infelizmente, as suas novidades nem sempre têm o melhor resultado e acabam por sacrificar a simplicidade que estava no cerne do sucesso do título original. Sim, continuam apenas a utilizar dois ou três botões na vossa demanda para chegar ao lado contrário do nível para terem a honra de serem sacrificados para a Nidhogg, a gigante minhoca voadora que dá nome aos jogos, mas existem também novos elementos para aprender a dominar.
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Desses novos elementos, as diferentes armas que o jogo coloca à nossa disposição são o principal destaque. Agora, sempre que morrerem, regressam com uma arma diferente daquela com que começaram a partida. O sabre do primeiro título está de regresso, juntando-se a ele uma espada de maiores dimensões, um dagger e o arco e flecha. Obviamente, as diferentes armas têm vantagens e desvantagens, uma vez que oferecem diferentes posições de ataque, afetam a velocidade da personagem de forma diferente e têm alcances distintos.
Apesar da diversidade de opções ser agradável e obrigar o jogador a adaptar a sua estratégia consoante a arma que tiver em posse e a arma do seu oponente, o confronto direto entre diferentes armas não é muito equilibrado. Claro que nenhuma arma anula por completo qualquer uma das outras, mas nota-se que a constante troca de armas faz com que haja muito mais alterações no rumo das partidas do que antes. Isso não é necessariamente mau, mas acaba por transmitir a sensação de que as partidas dependem mais da arma que cada personagem tem em posse do que da nossa habilidade ou performance.
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O arco e flecha, por exemplo, permite aos jogadores atacar quase de imediato os inimigos no momento de respawn, não dando grande tempo para que estes se possam esquivar ou bloquear a nossa investida. Por outro lado, a broadsword, embora esteja longe de ser uma arma rápida, permite desarmar facilmente os inimigos, dando desde logo uma enorme vantagem quando em confronto com outras armas de curto alcance.
A experiência de Nidhogg não precisa necessariamente de que as suas partidas sejam curtas, mas participei em demasiadas partidas online que tiveram de ser concluídas em morte súbita após 10 minutos de duração e em quase todas estabeleceu-se um ciclo de progressão e recuo dos dois jogadores à medida que se ia procedendo a troca de armas. Devido ao facto dos dois jogadores estarem sempre em plano de igualdade, o título original gozava de uma imprevisibilidade e de recuperações fantásticas assentes simplesmente numa melhoria da performance do jogador que nem sempre estão presentes em Nidhogg 2, o que é uma pena.
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Para além da diversidade de armas, a sequela confere também um maior dinamismo aos seus níveis, seja através de perigos ambientais ou de elementos que introduzem alguma verticalidade aos mesmos. Apesar de servirem igualmente para complicar um pouco mais a experiência, o seu impacto é mais aceitável, uma vez que os dois jogadores têm de lidar com eles da mesma forma. Visualmente, os níveis de Nidhogg 2 são também mais variados e coloridos. É certo que podiam ser mais, mas os que estão disponíveis atualmente são interessantes e suficientemente diferentes entre si.
No que diz respeito aos modos de jogo, tal como o seu antecessor, a sequela é algo pobre. O modo arcada limita-se a levar-nos ao longo de todos os níveis do jogo sem grande desafio ou espetacularidade - precisei de pouco mais de 30 minutos para concluí-lo na primeira tentativa -, sendo esta a única opção para aqueles que quiserem jogar contra a inteligência artificial que, diga-se, deixa algo a desejar, estando quase sempre mais interessada em batalhar o jogador do que em seguir caminho para a vitória.
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Sem surpresas, é no multijogador que residirá o sucesso da obra, seja localmente ou online. Infelizmente, o modo online está longe de funcionar nas melhores condições. Para além de demorar algumas vezes demasiado tempo a encontrar partidas, não é raro estas serem afetadas por uma latência notória que afeta, obviamente, de forma negativa a jogabilidade, sobretudo em cenários que envolvam perigos ambientais sob os quais têm de saltar. É provável que estes problemas venham a ser resolvidos, mas se não tiverem possibilidade de jogarem com amigos localmente, é importante ter estas questões em conta.
Aquando do seu anúncio, um dos aspetos de Nidhogg 2 que mais celeuma provocou foi o seu peculiar estilo visual. Abandonando o grafismo altamente pixelizado do título original, a sequela optou por visuais mais detalhados, mas de beleza altamente questionável. Muito embora o estilo visual resulte melhor em movimento do que nas imagens que acompanham este texto, o título destaca-se mais pelo cenário que rodeia a ação do que pelo confronto propriamente dito. Mesmo sendo possível personalizar a aparência do nosso gladiador, o jogo nunca consegue evitar a sensação de que estamos a jogar com clones contrafeitos de Homer Simpson.
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Nidhogg 2 é um sólido sucessor de um dos mais populares party games dos últimos anos que tenta dar mais substância à fórmula inicial com resultados mistos. A diversidade de armas dá uma maior componente estratégia aos duelos, mas também sacrifica a simplicidade que estava no centro da magia do jogo original. Pode facilmente argumentar-se que Nidhogg não precisava de uma sequela, mas o que é certo é que o seu sucessor oferece uma experiência assente nas mesmas bases mas bastante diferente. Continua a ser uma recomendação fácil para sessões de multijogador local, contudo, os problemas da componente online e o modo arcada pobre fazem com que o título tenha um público alvo algo reduzido.

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