Nights of Azure 2: Bride of the New Moon é um jogo estranho, um jogo que envia constantemente sinais contraditórios ao jogador e que aparenta sofrer de uma crise de identidade. Quando o estamos a jogar, a obra é uma experiência simples, confortável que permite desligar o cérebro por alguns minutos e trabalhar quase em piloto automático para uma gratificação imediata. Quando o controlo nos é retirado e somos forçados a prestar atenção às suas cinemáticas, esta sequela é tudo menos confortável e, escusado será dizer, também não é particularmente interessante.

Nights of Azure 2 Imagens Analise

Ao longo da minha dezena de horas com o título da Gust publicado pela Koei Tecmo dei por mim constantemente dividido, a alternar de forma constante entre o entretenimento proporcionado por um competente RPG de ação do género musou e o constrangimento provocado sempre que a atenção era desviada para a história e as suas personagens. O resultado final deste atribulado casamento é um jogo com bons momentos que nos força a suportar vários pontos negativos e decisões questionáveis para retirar alguma diversão da experiência que oferece.

Tal como referi no sumário desta análise, Nights of Azure 2 está no seu melhor quando o estamos a jogar, servindo-se de ideias interessantes e de uma jogabilidade sólida. No entanto, um jogo é muito mais que as suas mecânicas e, em praticamente todos os outros departamentos, a sequela vai alternando entre o medíocre e o simplesmente mau. Obviamente, o problema mais óbvio passa pela sua narrativa e a caracterização das suas personagens.

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Mesmo que quisesse ignorar o facto de praticamente todas as personagens, com a protagonista Aluche em destaque, apresentarem designs altamente sexualizados - algo que é incrivelmente difícil, uma vez que o título aproveita todas as oportunidades que tem para colocar as personagens em fatos de banho reveladores sem motivo aparente ou para deixar a câmara fixar-se nos seus decotes pronunciados -, a obra coloca de tal forma um foco na sexualidade das personagens e nos interesses românticos das mesmas pela protagonista, que é quase impossível não revirar os olhos sempre que as cenas já exemplificadas acontecem.

Mais uma vez, existem aqui ideias interessantes. A relação entre o trio de amigas de infância composto por Aluche, Liliana e Ruenheid tinha potencial para contar uma narrativa emocional alicerçada no facto de o objetivo principal da história passar por evitar o sacrificar de Liliana como método de destruição da Moon Queen, a antagonista da obra. Infelizmente, o título está mais interessado em destacar as curvas dos corpos das protagonistas e em colocá-las em situações sexualmente sugestivas do que propriamente em dar uma real profundidade a estas personagens e às suas relações.

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Essencialmente, tudo isto faz com que, nas poucas vezes em que a obra tenta uma abordagem mais séria e madura às temáticas abordadas, seja muito difícil levá-la a sério. Uma conversa sobre o futuro, ou falta dele, da relação entre as raparigas - sim, Liliana tem apenas 17 anos - perde rapidamente o impacto quando logo de seguida o jogo volta a focar atenção no corpo das personagens com mais uma cena na piscina. Sem grandes surpresas, esta tentativa de foco nas relações, que se alastra à jogabilidade, sofre com os diálogos pobres e o tom inconsistente da obra, sendo que o próprio arco narrativo está longe de ser cativante.

Aplicando a fórmula de inúmeras outras obras musou, Nights of Azure 2 coloca-nos em pequenos mapas recheados de inimigos que, de uma forma geral, são geralmente carne para canhão até à batalha com o Boss que encerra o capítulo. Pelo meio há segredos para obter, caminhos para desbloquear com habilidades que serão obtidas posteriormente e inúmeras atividades secundárias para realizar que podem servir tanto para obter mais pontos de experiência de forma a explorar a árvore de habilidades da protagonista, como para aumentar a afinidade entre Aluche e a personagem que a estiver a acompanhar no campo de batalha.

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Na verdade, esse é um dos melhores aspectos da obra. Com um elenco de personagens secundárias robusto e vários ajudantes que têm as habilidades necessárias para desbloquear o acesso a novas áreas dos mapas, Bride of the New Moon faz um bom trabalho em motivar-nos a alternar com frequência os vossos dois ajudantes e a vossa companheira. Apesar de serem controlados pela inteligência artificial, o facto de existirem vários tipos de ataques especiais específicos para cada personagem faz com que esta seja uma forma interessante de diversificar um pouco o combate.

Assente na combinação de ataques rápidos e ataques poderosos, para além das habilidades dos ajudantes e dos ataques especiais que ficam disponíveis após atingirem determinado grau de cooperação com a vossa “Lily” nas batalhas, o combate não foge ao registo do que outros jogos do género oferecem, mas é suficiente dinâmico e satisfatório para nunca se tornar aborrecido. É certo que não sofre grandes alterações ao longo da aventura, mas não vale a pena tentar reparar o que não está estragado.

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Assim sendo, o principal fator diferenciador de Nights of Azure 2 é a forma como utiliza a sua narrativa para introduzir limites de tempo à jogabilidade. Seja o tempo que podem passar a explorar e combater antes de sucumbirem ou o número de dias que têm para concluir o próximo objetivo principal da história, o título força o jogador a tomar decisões, a decidir, por exemplo, quantos dias pode utilizar para realizar atividades secundárias - tentando maximizar a sua eficiência ao realizar o maior número delas possível. 

Uma vez que diferentes missões implicam a utilização de diferentes Lily e a deslocação a diferentes locais, há que saber rentabilizar o tempo para realizar o máximo número de missões no menor tempo possível. Não é um sistema propriamente inovador e poderá frustrar aqueles que gostam de completar tudo a 100%, mas serve para dar uma sensação de urgência às nossas ações e também para dar uma maior importância às opções que tomamos antes de partirmos em direção aos inimigos.

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No departamento técnico, Nights of Azure 2 está longe de ser um portento. A sua framerate mantém-se sólida, mesmo quando o número de inimigos no ecrã é assinalável, mas é difícil ignorar as texturas desenxabidas de cenários que já por si são bastante desinspirados. O estilo visual anime da modelagem das personagens também não consegue dar uma identidade própria à obra. A banda sonora faz o seu trabalho no acompanhamento da ação, mas pouco mais. De notar que a vocalização da obra está apenas disponível em japonês.

Nights of Azure 2: Bride of the New Moon é um competente RPG de ação que se deixa perturbar por uma fraca representação e caracterização das suas personagens. De uma forma geral, as ideias que aplica para suportar a sua jogabilidade resultam para manter o jogador motivado a continuar, mas a sua fraca narrativa, o pobre diálogo e a constante obsessão com a sexualidade das suas muitas personagens femininas retiram todo o impacto aos momentos mais sérios e maduros que a obra tenta proporcionar. Se apenas estão à procura de um sólido jogo de ação para queimar algumas horas, esta é uma obra que poderá satisfazer. Se querem algo mais que isso, então o melhor é mesmo evitarem esta oferta.