O treino diário é importantíssimo para cumprir objetivos e, consequentemente, evoluir numa determinada área. Por exemplo, ganhar resistência física para uma maratona que se avizinha ou para estar com a mente preparada para conseguir uma boa nota no próximo teste de matemática. Façam exercício físico para terem uma melhor estrutura muscular ou incontáveis exercícios para dominar matrizes e determinantes, em qualquer uma das situações existem sempre fatores externos que vos podem fazer falhar o que vocês pretendem alcançar, como condições biológicas ou psicológicas.

O novo título de gestão desportiva da Nintendo, Nintendo Pocket Football Club, não ignora estes mesmos fatores exteriores, mas não nos deixa controlá-los, focando a sua jogabilidade no treino. Para depois a batalha das estatísticas dos jogadores começar dentro das quatro linhas. O que a Nintendo quer oferecer aos jogadores é uma versão leve deste género, retirando a imensidão de detalhes a que um verdadeiro treinador tem que estar atento. Joguei mais de 40 horas deste jogo, o que por si só é um bom sinal, mal dei pelo tempo passar quando estava em mais uma das minhas sessões de jogo.

O objetivo é simples, subir as quatro divisões e pelo caminho ganhar todas as restantes competições possíveis numa única temporada. Existem quatro divisões - Beginner League, Advanced League, Pro League 2 e Pro League 1 - e três taças: Federation Cup, European Challenge Cup e World Club Classic - para conquistar. No entanto, não pensem que por ter adiantado que este título tem uma falta de profundidade que será tarefa fácil chegar ao topo. Como já disse o foco do jogo está no treino, mas vamos por partes.

Começo o jogo e antes de me apresentar ao clube, sou guiado pela minha secretária e pelo pessoal responsável por cada departamento para me aconselharem na minha futura carreira de gestor desportivo. Uma vez esclarecidos estes pormenores, posso começar a personalizar o meu clube, desde mudar o nome a cada jogador, passando pelo nome do clube, até ao símbolo do mesmo. Enfim, vão poder criar a vossa identidade para o jogo a solo, como também para o multijogador, componente que abordarei mais tarde. A personalização não tem o espectro de escolhas que encontrar na criação de uma personagem num Role Playing Game, contudo, como podem verificar aqui, consegui dar um aspeto razoável a uma equipa inspirada no nosso site.

O treino, como nunca será o suficiente insistir na sua importância, é a alma do jogo - sem este aspeto as derrotas serão constantes e não progredirão. O processo de treino é curioso e original, apesar de mal executado. Quando entrarem no campo de treinos, depois de clicarem num jogador aparece-vos a opção de treino e aí têm de selecionar uma carta, ou uma combinação de duas ou três cartas. Estas cartas estão divididas em diferentes categorias - Tático, Técnico, Físico e Suporte - e podem assumir uma imensa quantidade de combinações (125 no total).

Todavia, não têm nenhuma informação de quais cartas é que funcionam entre si, ou quais dão os aumentos mais significativos em cada um dos diferentes atributos de cada jogador. Por isso, senti-me perdido e ciente de que estava a desperdiçar demasiadas cartas sem poder extrair o máximo de cada uma delas. Sempre que tinha de escolher uma nova combinação de cartas tinha que percorrer na consola a lista de cima a baixo, entre os 125 diferentes agrupamentos , sem nenhum filtro - como por exemplo um que reorganizasse as combinações disponíveis consoante as cartas que temos no baralho - para facilitar o processo. Para um jogo que tem um foco agrupar cartas, a produtora fez um péssimo trabalho nesse campo.

Neste momento, poderão estar a perguntar-se de que forma é que se recebem cartas. Basta jogarem partidas de futebol, sejam em jogos amigáveis, em jogos para treino ou em jogos de competições oficiais. Enquanto um destes decorre, o vosso Mii - o gestor do clube - vai comentando a partida quando os vossos jogadores estão nos seus piores momentos, como por exemplo, quando falham um remate ou perdem uma corrida para chegar à bola. E nesse instante o vosso Mii recomenda-vos exercícios em forma de cartas para melhorar o desempenho dos jogadores. Teoricamente, para receberem as cartas que precisam têm de adequar o vosso jogo para recebê-las. Apostem no ataque e recebem cartas para treinar remates e corrida, incidem na defesa e ganham cartas que irão melhorar os cortes e bloqueios.

Nas restantes áreas Nintendo Pocket Football Club é muito mais comedido. Podem elaborar a formação a vosso bel-prazer, com algumas sugestões como o clássico inglês 4-4-2 ou o esquema 5-4-1 focado essencialmente na defesa. Têm apenas três níveis de mentalidade para levar dentro das quatro linhas: uma forte na defesa, que vos leva a tomar riscos apenas em momentos sem o mínimo de risco; outra forte no ataque, onde os vossos jogadores rematam constantemente à mais pequena oportunidade; e uma última intermédia entre estas duas, para um jogo mais equilibrado. Existe a possibilidade de fazer a marcação de jogadores, no entanto só podem escolher quais é que querem marcar, mas não quem é que de vossa equipa é que o faz. E por fim ainda têm a liberdade de escolherem a zona de atuação do vosso grupo. Uma área larga de atuação prolonga a resistência dos jogadores, enquanto uma mais curta promove a troca de passes certeiros, com a penalização dos jogadores sofrerem de fadiga mais cedo. Porém, durante as partidas não é possível fazer nenhuma alteração tática. Só podem alterar estes aspetos táticos quando fizerem uma substituição, ou antes de começar cada uma das partes do jogo.

Neste gestor de futebol da Nintendo ainda podem pesquisar novos jogadores para integrar na equipa no mercado de transferências. Porém os preços estão fixos, vocês não fazem essa escolha. Se têm dinheiro compram, com uma resposta se o pedido foi aceite nas semanas seguintes. Ainda a salientar é a inclusão de um mercado de amigos. Se têm amigos registados na vossa 3DS que jogam Nintendo Pocket Football Club podem ir lá comprá-los, o que é particularmente vantajoso caso necessitem rapidamente de um jogador que não encontram no mercado da consola.

Ainda na onda do multijogador, importa referir como é que tudo funciona. Os jogadores têm a opção de abrir uma partida local, onde são necessárias duas cópias digitais do jogo, uma em cada consola. Depois de seguir os passos, é jogar a partida normalmente como o fazem na vossa carreira a solo. Já nos Ranking Match têm de estar ligados à Internet para desafiar jogadores para subir na tabela classificativa. Existem três tabelas pela qual lutam: a europeia, a nacional e entre a lista dos vossos amigos. Mas primeiro têm de determinar alguns parâmetros de comportamento dos vossos jogadores - que por muito estranho que pareça, não se encontram na carreira a solo - e do treinador. Todavia, se não quiserem perder os vossos pontos ganhos, têm que inserir a identificação da equipa adversária. Uma tarefa que podia ser muito mais simples pela seleção prévia do tipo de jogo de queríamos. O SpotPass serve para receberem equipas para treinarem em jogos amigáveis ou em jogos de treino. Eventualmente, a Nintendo organiza eventos extra, como a Welcome Cup, onde competem contra equipas de toda a Europa dentro de um prazo pré-estabelecido. Poderá esta ser uma mais-valia para a Nintendo se lançar mais destes torneios para alargar a longevidade da experiência da componente online, nomeadamente se escolherem épocas como esta em que acabaram as principais competições europeias e está para começar uma das grandes competições internacionais entre países.

Tecnicamente, este tipo de títulos não procura dar a melhor experiência visual possível, mas o que é importante salientar é a sua organização dos menus. Aqui, como já o sublinhei duas vezes, a ParityBit deveria ter simplificado este aspeto. As partidas têm também o seu pequeno encanto, fazendo lembrar clássicos como Sensible Soccer, porém, foi o famoso jogo de mesa Subbuteo que mais me veio à memória ao ver as partidas a desenrolarem-se com animações mínimas. Já o departamento sonoro não imprimiu um trabalho notável. Temos partidas sem música de fundo, mas com todos os efeitos sonoros de qualidade razoável que se esperam ouvir dentro das quatro linhas e nas bancadas.

Nintendo Pocket Football Club é uma entrada simpática na eShop da 3DS, quando consideramos o seu preço aceitável, €14,99, pela quantidade de horas de diversão que proporciona. Contudo, se são exigentes com os detalhes a falta de organização não vos vai deixar satisfeitos. Nem mesmo pela sua maior funcionalidade - os treinos com combinações de cartas - assim o exige.