por - Dec 15, 2020

Oceanhorn 2: Knights of the Lost Realm (Switch) – Análise

Depois de estar em grande destaque no serviço Apple Arcade, Oceanhorn 2 chegou finalmente à Nintendo Switch. Curiosamente, esta é uma série fortemente inspirada em The Legend of Zelda o que é bom, pois é na consola da casa nipónica que deverá estar a maior fatia da sua audiência.

O primeiro Oceanhorn é uma pérola que muitos jogadores ainda não descobriram na eShop, onde algumas características de Zelda foram colocadas num jogo isométrico bem desenhado. Knights of the Lost Realm é designado como Oceanhorn 2 apesar de ser uma prequela que se passa mil anos antes dos eventos ocorridos na obra original.

Por muito que seja uma sequela, os eventos ocorridos são anteriores ao jogo original, o que não é algo completamente descabido ou uma novidade nos videojogos, mas Oceanhorn 2 não deixa de ser um dos casos notáveis mais recentes. Porém, o que importa responder, na sua qualidade de jogo inspirado na popular série da Nintendo, é como se comporta na consola da casa onde nasceu Zelda.

Primeiro, Oceanhorn 2 é um belo jogo com um aspeto adorável, e que é uma clara homenagem a uma mesclagem de Wind Waker com Skyward Sword. Os ambientes brilhantes e coloridos são impressionantemente detalhados, até mesmo as paisagens que se veem ao longo do horizonte. No fundo, apesar da plataforma em que Oceanhorn 2 está, que tem limitações técnicas evidentes, o jogo é bastante bonito e com um desempenho com raros soluços técnicos.

A narrativa Knights of the Lost Realm é uma aventura tipicamente à la The Legend of Zelda. O vosso herói, que por coincidência é muito parecido com Link, seja no seu aspeto físico ou na forma como se veste, tem de colaborar com os campeões de determinadas regiões de Gaia para recuperar três emblemas e, consequentemente, devolvê-los aos seus locais específicos para que estes possam dar energia ao grande núcleo debaixo da cidade principal. Sinceramente, esta narrativa é praticamente irrelevante e serve para dar uma mera contextualização à vossa aventura.

Tal como acontece com a série Zelda, vão combater contra uma entidade maléfica, mas este evento, supostamente climático, só é atingido depois de completarem uma série de missões. Estas demandas vão levar-vos por várias masmorras, onde irão encontrar um objeto ou power-up essencial à continuação da vossa aventura. Esta estrutura faz Oceanhorn 2 ser, indiscutivelmente, uma verdadeira definição de sequela, comparativamente ao que Breath of the Wild alguma vez foi para a série The Legend of Zelda.

No início estarão equipados somente com a vossa fiel espada, não muito mais tarde ganham um escudo e a versátil pistola Caster para juntar ao vosso equipamento. Também vão desbloquear bombas e um gancho à medida que avançam na vossa jornada, para usá-los na resolução de puzzles com interruptores, alavancas e botões. A pistola será o equipamento que vos dará acesso a puzzles de dificuldades mais avançadas e onde terão de interagir com gelo e electricidade. Não é demais frisar que isto faz-nos sentir que estamos a resolver puzzles que podiam muito bem terem sido desenhados por Eiji Aonuma.

Os ambientes são de leitura clara e, por isso, fáceis de navegar, embora tenha havido alguns momentos em que não sabia para onde ir. Isso não quer dizer que Oceanhorn 2 tenha sido pera doce na sua totalidade, quando temos de fazer um pleno uso do nosso equipamento para solucionar quebra-cabeças as situações tornam-se facilmente complicadas.

O combate é bastante frequente e é, na maior parte dos casos, simples de perceber. Podem começar por disparar à distância ou aproximarem-se rapidamente dos vossos inimigos disparando o gancho, mas se preferirem podem desembainhar a vossa espada e escudo para uma ação clássica como um bom RPG. A falta de uma forma de podermos fixar a câmara no inimigo é um bocado frustrante, mas habituamo-nos bem às regras que estão aqui definidas. O problema é que terão de associar o vosso escudo ao mesmo botão para os vossos itens, um detalhe que não favorece, de todo, a jogabilidade.

Como não podia deixar de faltar, há as típicas batalhas com bosses, porém, na maior parte das vezes, não vos será pedido para as abordar com combate. O essencial destas lutas mais longas é encontrar o ponto fraco do inimigo para que possam derrotá-lo facilmente. Nem sempre é óbvio como chegar ao ponto fraco do inimigo, todavia, mais tarde ou mais cedo, as suas fragilidades serão expostas para que possamos tirar vantagem do combate ou do puzzle em questão. Infelizmente, os bosses menos memoráveis ​​foram os dois últimos, o que acabou por retirar pontos à narrativa que não culminou para um clímax mas para um encerramento morno.

Oceanhorn 2 deve muito à série Legend of Zelda, a sua grande fonte de inspiração, não há forma de não reparar nas semelhanças. Só quem não conhecer a série da casa de Quioto é que não fará, imediatamente, as comparações. Quem só conheceu Zelda através de Breath of the Wild vai ficar satisfeito com Oceanhorn 2, visto que toma uma atitude mais clássica, em relação ao seu design, sem se debruçar nos elementos mais contemporâneos dos jogos em mundo aberto.

Isto quer dizer que vão passar mais tempo na exploração de dungeons, do que a explorar um mundo vasto com mecânicas mais viradas para a ação. Este jogo pode preencher o vazio que Breath of the Wild deixou antes da sequela chegar ao mercado – e isso é uma mais valia para o jogo da Cornfox & Bros.

veredito

Apesar das comparações com Zelda, Oceanhorn 2 é um bom jogo por si só. Contudo, se continuarmos a comparar este jogo indie ao colosso da Nintendo, salienta-se uma jogabilidade mais romba e detalhes que o jogo finlandês não consegue ter.
7 Foco na exploração de masmorras. Bons puzzles.

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Oceanhorn 2: Knights of the Lost Realm

para iOS

Lançado originalmente:

01 January 2018