Este título norueguês é o resultado de nove anos de produção. E a espera valeu a pena, mesmo o tempo adicional que os jogadores da Nintendo Switch tiveram de aguardar. Owlboy é uma obra fantástica, um grande exemplo de como se deve abordar o género metroidvania e incluir uma história comovente. 

O protagonista deste jogo é o jovem Otus, um rapaz-mocho, como o próprio título indica, mudo e que ainda está a aprender a voar como um verdadeiro mestre do voo. Contudo, esta não é uma história que segue um rapaz que quer ser perfeito naquilo que faz. É um jogo sobre o erro; a inevitabilidade de errar. Não há aspeto mais comum a todos nós, afinal errar é o que nos faz crescer. 

Imagens Analise Owlboy

Certo dia, após uma lição ter corrido mal, fomos incumbidos de proteger Vellie, a nossa aldeia, dos piratas do céu. Nem tudo corre bem, aliás há muitos momentos que vão correr mal, mas isto não significa que seja o fim de Otus. O elenco de personagens é bastante admirável, com os seus diálogos e animações expressivas obtemos uma narrativa que nos faz querer ficar mais tempo a contemplar as peripécias dos nossos heróis. Ficamos investidos com o tom forte das emoções que nos são transmitidas, sem que caiam em exageros. Não há cá uma narrativa que se torna lamechas ou uma comédia desbragada. 

Nós controlamos Otus, um rapaz que voa, porém sem um repertório de movimentos propriamente rico. O que consegue é poder levar os seus amigos consigo. Agarra-os pelos ombros e leva-os para o objetivo que temos a cumprir. Assim, em vez de ser uma aventura solitária, temos sempre alguém ao nosso lado que vive esta jornada connosco. 

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Estes seus amigos partilham o mesmo sentimento de revolta contra os piratas, prestando-lhe ajuda. Por exemplo, Geddy pode disparar contra o inimigos mais próximos, enquanto que outro amigo, que se junta à sua causa, pode disparar um potente tiro de caçadeira e emitir lume na ponta do cano da arma, como se esta fosse um isqueiro. 

As dungeons para as quais viajamos têm alguns quebras-cabeças para que o jogo não seja uma linha recta até à sua conclusão. Temos de arranjar formas de progredir com um caminho bloqueado por portas trancadas, pedregulhos que não nos permitem avançar ou até um vento demasiado forte que não nos permite avançar. Felizmente, não há quebras-cabeças exageradamente complicados. Aumentam gradualmente de dificuldade, mas nada que suplante a vossa habilidade de jogador para os superar. Porém, existem alguns momentos frustrantes. 

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Há um certo momento do jogo, por exemplo em que controlamos uma cobra de pedra gigantesca, onde o nosso objetivo passa por evitar embater contra as laterais do túnel. É uma tarefa que se revela praticamente impossível. Podemos passar esta fase, como é óbvio, mas com uma fração da nossa saúde reduzida. Ainda existem outras raras situações em que o jogo nos faz perder a paciência. Mas nada que não seja intransponível. 

Um dos grandes momentos do jogo são as batalhas com bosses. São inimigos enormes, com um padrão de comportamento que influencia a estratégia a adoptar para os vencer. As animações que têm também lhes dá bastante vida e personalidade. Eliminar estes autênticos monstros é recompensador, mas também um impressionante espetáculo visual.

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Um dos aspetos mais interessantes do jogo é o seu grafismo. De forma a replicar as consolas como a SNES ou a Mega Drive, temos uma palete rica de cores. E esta variedade de cores vê-se, sobretudo, no ciclo dia e noite do jogo. É algo fenomenal, nomeadamente quando estamos em ambientes quentes como o interior de um vulcão onde correm rios de magma ou quando estamos no frio polar marcado pela neve e gelo que imprimem tons brancos e azulados. 

As personagens, sejam elas heróis ou antagonistas, têm modelos com um grande leque de expressões sejam elas faciais ou corporais. Isto tudo faz com que o mundo seja credível, que tenha uma caracterização que lhe dá uma identidade muito própria.

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Não estava à espera de ouvir, também, uma Banda Sonora capaz de reforçar todos os seus momentos sentimentais, principalmente as situações cómicas. Otus não fala, todavia, o somatório de todos os elementos técnicos que foram dados à personagem, incluindo todas melodias que acompanham a sua aventura, tornou-o num herói improvável, num protagonista com design fabuloso. 

Owlboy é, assim, um dos melhores títulos a chegar à Nintendo Switch até agora. Mesmo com algumas situações que sejam frustrantes, não impedem que esta seja uma obra formidável. Otus falha e nós falhamos com ele, o que não significa um game over imediato, mas um crescimento que acompanhamos com os erros e conquistas desta personagem.