No grande panteão dos clássicos de videojogos está a obra de Toru Iwatani que fez furor nas máquinas arcade. Pac-Man tornou-se um fenómeno pela sua simples mecânica controlada por um joystick e era uma proposta tão fascinante para os jogadores como para quem rentabilizava o jogo que rapidamente enchia os cestos de moedas das máquinas dos salões de jogos.

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Continuar a série da Namco significava levar o protagonista amarelo para consolas domésticas - adaptar o jogo para um novo público. Porém, não foram tentativas de grande sucesso, com a fórmula original completamente alterada. Até uma versão feminina do devorador de bolas brancas foi criada, totalmente fora de contexto. É por isso que gosto quando uma companhia aceita o facto das suas ideias já não resultarem e colocar a sua série tão estimada em outsourcing. Não foi por acaso que achei muito interessante os outros caminhos trilhados pela Vlambeer, Capybara Games e People Can Fly para Serious Sam, Might & Magic e Gears of War, respetivamente. Não foram ideias revolucionárias ou brilhantes, mas tentativas de agitar algo estagnado, com mais ou menos sucesso, conseguiram-no.

Já a Hipster Whale, produtora de Crossy Road, fez com que Pac-Man fosse novamente relevante no mundo dos videojogos. Juntamente com a 3 Sprockets, criadores da série Cubemen, foi lançada a primeira versão para dispositivos Android e iOS. Agora temos uma nova versão destinada ao PC, PlayStation 4 e Xbox One. Inspirado no famoso glitch do jogo original das máquinas arcade, quando o nível 256 era alcançado, temos agora Pac-Man num endless runner genial. O objetivo é o mesmo: comer o maior número de bolas brancas, frutas, e fantasmas quando a bola especial é ingerida. Tudo para que a maior pontuação possível seja atingida. Todavia, há uma diferença notável: o caminho a percorrer é sempre para cima, senão o devorador de bolas brancas será eliminado pelo glitch que o persegue.

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São várias as formas de obter pontuação, o que promove diferentes abordagens ao longo de uma partida. O processo mais simples, que toda a gente conhece, é ingerir bolas brancas. À medida que as vão apanhando a pontuação evolui o dobro, ou seja, a primeira vale um ponto, a segunda dois, a terceira quatro, a quarta oito e assim sucessivamente. Todavia estas estão colocadas estrategicamente pelo espaço do jogo.

Há fantasmas a evitar, frutas e poderes que vos aliciam ou obrigam a desviarem-se do caminho. Muitas das vezes serão opções forçadas pelos fantasmas que estão a dirigirem-se pelo local que já assumiram mentalmente que por lá vão passar. Mas há soluções. Apanhem o raio laser que está ali perto e aniquilem-nos para receberem alguns pontos pelo compasso de pontuação que foi quebrado. Há também fruta que aumenta bem o mostrador numérico da vossa habilidade.

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A produtora construiu o jogo como tão bem fez o seu Crossy Road. Pac-Man 256 é um título de consumo a longo-prazo, há assim moedas para amealhar. Moedas essas que vos vão servir de investimento nos vossos poderes. Estes estão em boa quantidade, diversificados e que vão com certeza mudar abordagens à partida e adaptarem a estilos diferentes de jogo. Não pensem que terão tudo ao vosso dispor, a aparição nos corredores labirínticos é ocasional, mas em frequência suficiente para vos salvarem de situações de emergência. Também estarão limitados a um loadout de três poderes por partida.

Detestam os fantasmas que vos vêm a perseguir quem nem uns polícias atrás de um ladrão? Usem o poder de fogo para espalhar labaredas atrás de vocês. Um fantasma em particular tem uma vocação em adivinhar quase sempre para onde vão, qual a próxima curva que vão transpor. Porém, se apanharem o poder que vos transforma num Pac-Man gigante, podem atropelar tudo e todos e deixar um rasto de fantasmas esmagados.

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O raio laser é o meu favorito, principalmente para limpar corredores pelos quais ainda vou passar, é eficiente e um terror para os fantasmas que ousam colocar-se na minha frente. Esta é a minha escolha pessoal, mas ainda há um poder que coloca armadilhas de espigões aleatoriamente pelo labirinto. Um que também gostei muito foi da bomba que explode quando forem de encontro a um fantasma e dizima tudo o que estiver no seu alcance.

Algo que também eleva a experiência do jogo são os seus inimigos. Os fantasmas de diferentes cores representam diferentes tipos de inimigos. O cor de rosa, o qual com o que tive de ter mais atenção, é o mais rápido. Escondido num canto estratégico se passarem pelo seu campo de visão, este corre até vocês para vos transformar numa explosão de cubos amarelos. Não arrisquem irem por um corredor comprido caso este fantasma vos tenha determinado como vossa presa, este apanhar-vos-á.

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O fantasma vermelho também tem a sua habilidade única de ter uma das melhores inteligências artificiais. Se este não vos alcança, então irá muito provavelmente fechar-vos o caminho numa saída mais à frente quando um outro fantasma já se encontra atrás de vocês. Ficar encurralado é uma situação que ocorrerá muitas vezes caso não reconheçam o comportamento do inimigo que se aproxima. Há muitas formas de os evitar, escolhendo caminhos que levam a uma menor pontuação, pois à medida que sobem, o importante é manterem-se vivos e o mostrador numérico aumentará inevitavelmente com tantas bolas brancas espalhadas pelo cenário.

Ainda há possibilidade de mudarem o cenário para vários estilos. Temos o clássico, Crossy Road ou ainda a Championship Edition repleta de cor néon. A música é inspirada na tradicional que muitos jogadores, como também muitas outras pessoas que deixaram o seu hobby nos anos noventa, reconhecem aos primeiros acordes. Contudo esta contém um toque muito próprio que lhe confere um tom moderno. Não será o aspeto de Pac-Man 256 que vos afastará da vossa lista de desejos, apelará certamente à vossa curiosidade.

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Pac-Man 256 oferece muito para além do esperado para um jogo de cinco euros. Caso tenham mais três comandos, preparem-se para uma boa dose de diversão a quatro exclusiva desta nova versão. As missões para receber mais moedas, a luta constante para uma pontuação mais elevada e descoberta de novas surpresas são só alguns dos elementos que fazem deste título realmente inovador, sem mexer na consagrada fórmula.