Gozando já de uma longevidade assinalável nesta indústria, a Sony tem no seu catálogo inúmeras obras de forte cariz nostálgico para toda uma geração que cresceu com as suas consolas, com as suas séries, com as suas personagens e mascotes e cuja primeira exposição a este meio de entretenimento surgiu por via dos seus títulos. Tal como a Nintendo antes de si, a produtora com sede em Tóquio tem na nostalgia uma poderosa arma para se manter relevante e para recompensar aqueles que acompanharam a sua evolução ao longo destas duas décadas, bem como para voltar a captar a atenção daqueles que, por um ou outro motivo, ficaram pelo caminho.

Ao lado de nomes como Crash Bandicoot, Spyro, Ratchet & Clank e Sir Daniel, entre outros, PaRappa The Rapper é encarado por muitos como um clássico de uma era entretanto esquecida, uma experiência que, como tantas outras, há muito se afastaram da consciência dos jogadores. Amado por uns, conhecido apenas pelo nome por outros (mais novos), este título musical tem finalmente uma oportunidade para brilhar novamente, para se introduzir a uma nova audiência de jogadores e de inundar num mar de nostalgia aqueles que experienciaram na sua infância esta carismática aventura lançada há 20 anos.

PaRappa The Rapper Imagens Analise

Infelizmente, depois de jogada e terminada a versão remasterizada para a PlayStation 4, fica uma clara sensação de que estamos perante uma obra de importância menor no catálogo de exclusivos da atual consola caseira da Sony. Olhe-se para o trabalho realizado pela Activision com a trilogia de obras da Naughty Dog e percebe-se rapidamente que o retrabalhar da demanda deste rapper canino até ao coração da miúda dos seus sonhos, Sunny, não recebeu o empenho e dedicação que muito provavelmente merecia.

Uma das críticas mais fáceis de apontar a PaRappa The Rapper é a sua curta longevidade. Nunca tendo jogado o original e sendo bastante medíocre em jogos de ritmo, terminei os seis níveis que compõem a sua campanha em cerca de uma hora e trinta minutos. Mesmo assim, a equipa responsável pelo trabalho de remasterização optou por ignorar por completo as cinemáticas e apenas elevar a resolução e a qualidade das texturas durante os segmentos de jogabilidade. Ora isto não só dá um aspeto de amadorismo e de trabalho feito à pressa ao pacote completo, como leva a um constante choque visual sempre que se dá a transição entre cinemáticas e jogabilidade.

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Dito isto, é inegável que os visuais mais limpos, vibrantes e coloridos que acompanham os seis níveis desta obra musical são uma significativa melhoria relativamente ao grafismo da obra na PlayStation One, oferecendo ao seu inspirado estilo visual uma vivacidade que antes não estava lá. Por isso mesmo, torna-se uma desilusão ainda maior a ausência de quaisquer melhorias às curtas vinhetas narrativas que antecedem e sucedem a cada um dos seus níveis. Como é óbvio, o áudio recebeu também melhorias, sendo que podem inclusivamente fazer acompanhar as letras que alguns ainda saberão de cor com arranjos musicais alternativos.

Enquanto um jogo de ritmo musical, PaRappa The Rapper está muito longe de ser a mais competente, aprimorada ou espetacular obra do género, contudo, possui um charme muito próprio que é difícil não apreciar. As músicas, apesar das suas temáticas e letras juvenis, são extremamente memoráveis e ficam rapidamente no ouvido. Cada uma com ritmos distintos, não fiquem surpreendidos se derem por vocês a bater o pé ao ritmo da música ou a entoar as suas letras.

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Com apenas seis níveis de crescente dificuldade, a obra nunca se torna verdadeiramente exigente, sendo especialmente benevolente na forma como deixa o jogador enveredar pelo improviso para compensar a sua falta aparente de ritmo. Uma vez que nem sempre é fácil medir o ritmo através da música ou da pauta no ecrã - por diversas ocasiões fiquei confuso sobre o porquê da minha pontuação estar a subir ou descer -, improvisar premindo botões que respeitem o ritmo oferece-vos bónus de pontuação que vos poderão salvar quando estiverem em dificuldades para terminar a música com uma avaliação positiva.

Por sua vez, os caçadores de Troféus ficarão contentes em saber que PaRappa The Rapper Remastered possui um muito cativante Troféu de Platina e que a sua lista de Troféus, embora pouco diversificada, incentiva os jogadores a obter a avaliação máxima em todos os níveis para desbloquear segredos e a tentar a sua sorte em desafios opcionais como transformar uma atuação Péssima numa atuação Fixe - a pior e melhor avaliação possível, respetivamente. Não será suficiente para conferir várias horas adicionais aos jogo, mas é uma forma inteligente de alargar, ainda que de forma ligeira, a sua curta duração.

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Sucintamente, a nova edição do clássico título da PlayStation One é um esforço competente, mas algo minimalista para dar uma nova vida a uma personagem e série que muitos achavam estar morta. Teria sido mais agradável jogar uma experiência completamente adaptada à nova consola e que fosse capaz de responder aos defeitos do original, mais especificamente a sua longevidade, mas aquilo que mais interessa é que os fãs de PaRappa The Rapper poderão finalmente jogar e cantar as músicas nostálgicas desta obra na PlayStation 4, enquanto a possibilidade de uma nova entrada da série permanece incerta.