A PlayStation Portable, a original consola portátil da Sony e, como evidenciaram os anos que se seguiram, a mais bem sucedida experiência da gigante nipónica nessa secção do mercado, foi casa para muitas experiências peculiares que cativaram jogadores através da fusão inesperada de géneros e propostas sem medo de arriscar. A Sony Studio Japan foi responsável por alguns desses títulos, uma lista onde se incluem, como é óbvio, o trio de obras Patapon.

Depois da adaptação do original à PlayStation 4, em 2017, agora é a vez da sequela receber o mesmo tratamento e a oportunidade de brilhar na atual consola caseira da Sony. Patapon 2 é uma evolução segura em relação à interessante combinação de elementos de estratégia com uma jogabilidade de ritmo para executar ações num campo de batalha bidimensional. Não é, no entanto, uma obra capaz de fugir a alguns dos principais problemas do seu antecessor, ainda que aplique algumas alterações à fórmula nesse sentido.

Em primeiro lugar, há a destacar o abandono da mecânica de permadeath. Em Patapon, o jogador era forçado a reestabelecer as suas tropas sempre que perdia alguns dos seus guerreiros em confrontos com os bosses, uma vez que os Patapon derrotados em batalha ficavam perdidos para sempre, juntamente com o possível equipamento melhorado que tivessem equipado nesse momento. Isto significava que, após uma tentativa falhada numa missão, havia a necessidade de voltar a repetir missões já realizadas para obter os recursos necessários à produção de novos guerreiros e para voltar a obter melhor equipamento.

Na sequela já não existe essa preocupação, contudo, o problema da necessidade de repetir missões por diversas vezes continua presente. Isto porque Patapon 2 tem uma extensa árvore de desenvolvimento dos nossos guerreiros que permite não só desbloquear e alterar a sua classe para melhor se ajustar às necessidades da missão, como também de elevar o nível de cada uma dessas classes para fortalecer o guerreiro em questão. No fundo, é agora possível moldar os nossos Patapon, escolhendo a classe que oferece o melhor conjunto de características para a batalha em questão e melhorando a mesma para fortalecer os seus atributos.

A questão é que, para além do Hero que pode, em algumas situações, regressar à batalha após ser derrotado, o nosso exército de Patapon é composto no máximo por 18 guerreiros - seis de ataque de curto alcance (espadas e machados), seis de ataque intermédio (lanças e espigões) e seis de ataque de longo alcance (arco e flecha). Ora tendo em conta que existem mais de uma dezena de classes distintas e que cada uma deve ser fortalecida para aumentar o nosso leque de opções, percebe-se rapidamente que o jogo volta a estar muito dependente do grinding, ou seja, da repetição de missões de caça, de treino e outras já concluídas.

Isto porque, como é óbvio, é necessário acumular os recursos necessários para desbloquear as classes e melhorá-las, processo que é, de uma forma geral, aleatório. Há minijogos e missões secundárias que envolvem superar um Boss num determinado limite de tempo que são mais fiáveis na obtenção de recursos, mas ainda assim fica sempre a sensação de que estamos a progredir pela aventura de uma forma demasiado lenta, tal é a repetição de conteúdo a que somos sujeitos.

É certo que o jogo faz um bom trabalho em ir aumentando o nível de dificuldade das missões após cada tentativa bem sucedida, preservando assim a sensação de desafio, mas isso não é suficiente para disfarçar o facto de estarmos a enfrentar as mesmas batalhas apenas em versões mais alongadas devido ao maior poderio inimigo. No fundo, Patapon 2 sofre, tal como o original, por colocar constantes entraves ao nosso avanço, por não saber fazer uma gestão adequada entre exigência e recompensa.

Dito isto, quando não estamos amarrados ao ciclo de grinding, a obra combina os seus elementos de forma bastante interessante, ou seja, a forma como esta nos força a entrar no ritmo dos tambores, mudando a sequência de botões pressionados consoante a ação que queremos realizar é extremamente eficaz. Atacar, proteger, avançar no campo de batalha ou provocar alterações climáticas, como chuva ou tempestades, são algumas das opções à nossa disposição, assumindo especial preponderância contra os Bosses.

Tudo isto é acompanhado pelos cânticos das ordens por parte dos nossos guerreiros, cânticos esses que ficarão rapidamente presos no nosso cérebro e que damos por nós a entoar para melhor acompanharmos o ritmo da música. Visualmente, Patapon 2 Remastered destaca-se pelo colorido que oferece, servindo-se de formas geométricas para caracterizar a ação e criar uma experiência esteticamente apelativa com uma abordagem minimalista e sem uma complexidade desnecessária.

Assim, Patapon 2 Remastered é uma sequela sólida que remove da sua fórmula um dos principais pontos de frustração do original, mas não consegue esquivar-se de cair em alguns hábitos algo cansativos que já estavam presentes no antecessor. A combinação de ritmo e estratégia continua a oferecer uma experiência distinta que cativará aqueles que gostaram do primeiro título, embora a necessidade de repetir missões torne a progressão mais lenta do que seria desejável.