Persona 4 chegou originalmente à PlayStation 2 em 2009, já com a sua sucessora disponível no mercado. Desde então, seis anos passaram, uma edição aprimorada do título foi disponibilizada para a PlayStation Vita e catapultou à série para uma popularidade de que até aí nunca tinha gozado e uma miríade de spin-offs inspirados no seu universo foram mantendo os jogadores investidos numa experiência que, ao que tudo indica, verá a sua próxima entrada chegar à PlayStation 4 no próximo ano.

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Depois de investidas com algum sucesso em géneros como combate e dungeon-crawlers distribuídas por várias plataformas, Persona 4 Dancing All Night leva as personagens queridas dos fãs numa aventura recheada de música e ritmo, apresentando-se quase como uma despedida final para o elenco que tem protagonizado a série nos últimos anos e o encerrar de um ciclo que será substituído por um novo quando Persona 5 chegar finalmente às lojas.

Apesar das deambulações por diferentes géneros, todas as obras que compõe aquilo a que se pode denominar a experiência Persona 4 possuem uma forte componente narrativa. O exclusivo PlayStation Vita não é exceção e oferece-nos uma história longa e complexa com a premissa peculiar e surreal que fará certamente as delícias dos aficionados de anime e, acima de tudo, dos que se apaixonaram pela obra que lhe deu origem. Mais do que a narrativa em si, que volta a envolver um mistério relacionado com uma estranha realidade alternativa, são os protagonistas e as suas interações que deixarão o jogador de sorriso na cara e o manterão investido na experiência do princípio ao fim.

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Ainda assim, é impossível negar que a vossa apreciação da narrativa será bastante superior se já tiverem colocado inúmeras horas em Persona 4 e a partir daí estabelecido ligações com cada um dos elementos do grupo de Yu Narukami, pois são eles a verdadeira estrela de todos os títulos subsequentes, ou seja, estamos perante mais uma obra em que a narrativa serve as personagens e não o contrário, fazendo com que a história seja apenas um veículo para passarmos mais tempo com o grupo de amigos que cada vez conhecemos melhor.

Dito isto, o arco narrativo de Persona 4 Dancing All Night não requer de vocês qualquer tipo de conhecimento relativamente às entradas anteriores desta saga, uma vez que as constantes referências a acontecimentos do passado das personagens são, na sua maioria, vagos o suficiente para poderem passar completamente despercebidos por aqueles menos conhecedores do universo que tem como pano de fundo a cidade rural de Inaba.

Por si só, o modo de história oferece conteúdo suficiente para ocupar cerca de 10 horas e, embora grande parte seja dedicado a diálogos entre os protagonistas, o equilíbrio entre tempo dedicado à narrativa e o tempo de jogabilidade propriamente dita é gerido de forma a que os períodos de passividade nunca sejam demasiado longos e levem ao dispersar de atenção do jogador. No entanto, três a cinco minutos de jogabilidade entre blocos de 20 minutos de diálogos e narrativa podem não agradar os mais ansiosos pelo próximo momento de "ação".

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Tal como o nome indica, Dancing All Night retira o combate da equação e força os protagonistas a ultrapassar obstáculos e derrotar inimigos através do poder da forma de expressão que é a dança. Se acham que dançar para assegurar a sobrevivência é um conceito estranho, é muito provável que a vossa opinião não se altere com o rolar dos créditos. Mas como é óbvio, isso tem importância diminuta para o sucesso e qualidade da obra, isto porque a jogabilidade é sólida o suficiente para acompanhar aquela que é a sua melhor componente, ou seja, a narrativa.

De uma forma simplista, a jogabilidade segue a estrutura habitual de outras obras de música e ritmo, assentando essencialmente no pressionar do botão correto no momento certo e na busca interminável de combos cada vez mais longos e pontuações cada vez maiores. Assim como podem ver nas imagens que acompanham este texto, as notas partem do centro do ecrã em direção às barras laterais que indicam o botão que deve ser premido, sendo que existem as habituais variações, que vão desde pressionar dois botões ao mesmo tempo até manter o mesmo premido até ao momento certo de o largar, que servem para diversificar e dificultar o vosso trabalho.

Consoante o vosso desempenho, o entusiasmo do público que assiste à performance oscilará e, caso o deixem cair a níveis demasiado baixos durante a atuação, poderão inclusivamente ver o bailado sofrer um final abrupto. Igualmente, conseguir terminar a atuação não significa necessariamente que tenham conseguido superar a prova e avançar para a batalha seguinte, existindo um mínimo de entusiasmo para poderem continuar a aventura. Ainda assim, nas dificuldades mais acessíveis - Fácil e Normal - não deverão ter problemas de maior com os complexos passos de dança que terão de realizar.

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Embora a sua jogabilidade seja simples e envolva apenas prática para ser dominada, a quantidade de elementos no ecrã em simultâneo a compor um cintilante pano de fundo de público entusiasmado com a nossa atuação poderá por várias vezes ser uma distração capaz de perturbar o desempenho do jogador e a identificação da próxima nota a premir com a antecedência necessária para que o possam fazer no momento adequado. O mesmo pode ser dito da coreografia das personagens que acaba por ser ignorada quase na totalidade devido ao nosso foco total nas notas que surgem no ecrã. Como seria de esperar, estes problemas são notórios sobretudo nas dificuldades mais elevadas.

Com cada atuação, o jogador será também premiado com uma maquia de dinheiro que poderá depois ser investida em itens que podem ser ativados no modo Free Dance para ter efeitos positivos ou negativos na jogabilidade base da obra. Podem por exemplo ativar uma opção que diminui de forma significativa a velocidade das notas dificultando a tarefa de perceber a ordem correta segundo a qual devem ser premidas ou então ativar um item que eliminará a possibilidade de a vossa atuação ser terminada antes do tempo, independentemente da qualidade da mesma, sendo que a utilização destes itens resultará num aumento ou diminuição da pontuação e dinheiro obtido no final da performance. O dinheiro pode ainda ser gasto numa variedade gigantesca de trajes e acessórios adicionais à espera de serem adquiridos

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Sem grandes surpresas, enquanto jogo musical e de ritmo, Persona 4 Dancing All Night conta com uma banda sonora de excelência que faz regressar os principais temas da obra original e que despertarão memórias naqueles que jogaram o título da Atlus e introduz também uma quantidade considerável de versões remixadas dessas músicas populares que tornam a experiência no seu todo bastante mais agradável. Ouvir novamente músicas como "Your Affection" e "Time to Make History" relembram-me das horas passadas a percorrer as ruas de Inaba e do tempo passado a combater shadows no mundo da TV.

Em suma, Persona 4 Dancing All Night é um sólido título de música e ritmo que se serve da narrativa e das personagens que o compõe para entregar uma experiência bastante agradável e altamente recomendável para os fãs de Persona. Para os restantes, existe uma banda sonora de qualidade e uma jogabilidade competente o suficiente para se manter fresco durante um bom par de horas. As coreografias são praticamente ignoradas em momentos de jogabilidade e toda a informação no ecrã pode por vezes ser caótica, mas são pormenores que acabam por não prejudicar de forma significativa a experiência final.