Depois de ter celebrado o seu vigésimo aniversário de existência com uma das suas melhores entradas, a série Pro Evolution Soccer parece finalmente ter-se reencontrado após ter sido relegada para segundo plano durante praticamente toda a duração da anterior geração de consolas. Recuperando lentamente a popularidade de que gozou na era da PlayStation 2, a série de simulação de futebol afirma-se cada vez mais como a propriedade intelectual de maior sucesso da Konami e, quem sabe, talvez uma das principais razões pela qual a produtora nipónica ainda não abandonou o espaço AAA da indústria dos videojogos.

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Tal como PES 2016 já o havia sido, PES 2017 é um passo na direção certa para uma série cada vez mais bem equipada para competir e tentar travar a hegemonia da incrivelmente popular série da Electronic Arts. As vendas indiciam claramente que FIFA continua uns furos acima do seu rival japonês, mas isso não significa que o mesmo seja verdade para a ação dentro das quatro linhas que ambas oferecem. Sem cair em exageros na sua procura de criar a versão virtual mais realista do desporto rei, a nova entrada de Pro Evolution Soccer é uma excelente representação daquilo que torna o futebol tão apreciado, ou seja, a espetacularidade dos golos, dos falhanços, das reviravoltas e da emoção associada à incerteza do resultado.

Se na temporada anterior o foco estava nas movimentações dos atacantes à procura de se libertarem das marcações acesas dos defesas contrários, procurando recuar no terreno para dar linhas de passe aos companheiros dos setores mais recuados ou então explorar o espaço vazio entre linhas e nas costas da defesa adversária para receber passes em desmarcação rasteiros ou por alto, o novo título vira atenções para o trabalho dos defesas e a forma como estes antecipam e reagem a essas movimentações graças a uma melhoria clara na inteligência artificial dos oponentes.

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Claro que continua a ser possível - e uma estratégia bastante viável - tentar surpreender a equipa adversária com passes a rasgar a defesa, sobretudo em momentos de contra-ataque em que a recuperação da bola ocorre ainda no meio campo atacante, mas a taxa de eficácia destas solicitações para os avançados está claramente mais baixa, obrigando o jogador a ser mais seletivo e a temporizar melhor estes passes para evitar as interceções por parte dos defesas.

Isto significa que ao contrário do que sucedia em PES 2016, onde a maioria dos meus golos surgia em lances de um contra um com o guarda-redes após passes em profundidade, dou por mim a marcar de formas mais variadas em PES 2017 e a ter de trabalhar mais para chegar com perigo à grande área adversária. Seja através de cruzamentos, rotações sob os marcadores diretos, tabelas ou remates de meia distância, independentemente de como conseguirem fazer balançar as redes do vosso oponente, uma coisa é sempre certa: marcar golos continua a ser tão satisfatório como sempre foi nesta série.

Contudo, nem todos os elementos da jogabilidade da nova iteração de Pro Evolution Soccer estão à altura do acontecimento e alguns deles acabam por gerar alguns momentos incómodos. Na maioria dos casos, estes problemas advêm de árbitros que continuam de apito demasiado fácil perante entradas de carrinho, mas depois deixam passar em claro lances de colisões que estendem consideravelmente a definição de carga de ombro. Amarelos e vermelhos saem do bolso com igual facilidade, pelo que qualquer carrinho que seja falhado resultará quase sempre num jogador amarelado.

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Para além disso, os guarda-redes, embora melhorados relativamente à obra do ano passado, continuam algo irregulares, reagindo muitas vezes tarde ao remate quando os forçamos a sair da baliza para fazer a mancha ao avançado e defendendo demasiadas vezes à bola para a frente e deixando-a bem a jeito para a recarga. Mesmo com estes problemas, os guardiões são depois capazes de demonstrar reflexos incríveis em situações de cabeceamentos à queima roupa, sendo por isso difícil antever quando é que estes vão estar à altura do acontecimento ou ceder perante a pressão.

Infelizmente, e como se tem provado nos últimos anos, o sucesso destes simuladores de futebol não depende apenas da qualidade e satisfação da jogabilidade. O mesmo é dizer que são os modos de jogo que mantêm os jogadores a regressar vezes sem conta aos títulos e é neste departamento que PES 2017, tal como as entradas mais recentes da série, deixa a desejar.

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FIFA encontrou um sucesso estrondoso em Ultimate Team, modo que, entretanto, se tornou um autêntico fenómeno, como se percebe com uma rápida pesquisa no YouTube. Já PES 2017 continua a não inovar ou aumentar significativamente os modos de jogo disponíveis e myClub, aquele modo de jogo que se apresenta como resposta ao Ultimate Team, continua sem convencer o suficiente para conseguir sequer retirar o protagonismo à Liga Master.

Comparativamente a PES 2016, os modos myClub, Rumo ao Estrelato e Liga Master permanecem praticamente inalterados e, embora cada um deles ofereça uma experiência diferente e capaz de proporcionar várias horas de jogo, a sua longevidade estará sempre mais dependente da vossa dedicação do que propriamente do conteúdo oferecido. Se myClub vos permite construir o vosso clube quase como se fosse uma coleção de cromos, mas com mais mecânicas do que apenas colocar os melhores a jogar em permanência, Rumo ao Estrelato coloca-nos no controlo de um único jogador em busca de chegar, como diz o nome, ao estrelato, enquanto a Liga Master é o tradicional modo carreira e mantém-se como a proposta mais apetecível das três a longo prazo.

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Como é óbvio, PES 2017 conta ainda com um modo de desafios que serve essencialmente como um muito eficaz e menos tedioso tutorial e a tradicional componente multijogador online. Os modos são os mesmos que se encontravam disponíveis no título anterior, o que significa que variedade não falta para os interessados em provar as suas habilidades contra outros jogadores. Ainda assim, é de notar que desde a abertura dos servidores na passada quinta-feira tive alguma dificuldade em encontrar partidas com uma ligação estável, tendo participado em vários encontros claramente afetados por conexões menos famosas.

Graficamente, a série da Konami continua a retirar máximo proveito do poderoso Fox Engine, motor de jogo de obras como Metal Gear Solid V, apresentando as melhores representações digitais dos melhores jogadores do mundo e um sólido trabalho na recriação da atmosfera que envolve as partidas de futebol em estádios icónicos como Camp Nou. As animações em momentos externos à jogabilidade nem sempre é a melhor, mas esse é um problema que pouco ou nada afeta a experiência. Já a banda sonora volta a ser composta por uma mistura entre artistas bem conhecidos do público geral e outros mais desconhecidos e, excetuando algumas opções estranhas, enquadra-se bem na experiência e estilo do jogo.

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PES 2017 não representa um salto qualitativo muito significativo relativamente ao seu antecessor, mas é inegável que oferece uma experiência mais completa, fluída e equilibrada que aquela encontrada em PES 2016. No que diz respeito à ação dentro das quatro linhas, o título da Konami é sem dúvida um dos melhores simuladores de futebol de sempre, sendo que apenas a falta de inovação nos seus modos de jogo o impede de se apresentar como uma obra excecional em todos os departamentos. Divertido, acessível e satisfatório, são estas as características que melhor definem PES 2017.

Nota: A falta de licenças, que esta época inclui até equipas como o F.C. Porto e o Real Madrid, continua a ser um problema gritante em PES 2017, mas a introdução de equipamentos editados pela comunidade está mais acessível e rápida que nunca. Para adicionarem os equipamentos e símbolos oficiais de equipas da liga inglesa, italiana, espanhola e portuguesa podem seguir este guia.