Na indústria dos videojogos, há pormenores curiosos que sabemos antes destes acontecerem. Já se sabe que este ano haverá um novo FIFA, um novo Call of Duty e que ainda não será este ano em que Star Citizen será lançado. Aparentemente, há um jogo que também é uma rotina anual, imaginem que estão a comprar uma revista anual de sudoku, mas em vez de sudoku vão jogar Picross. Picross S4 saiu este ano e é recomendável como os anteriores.

Picross, para quem nunca experimentou, pode parecer sudoku, mas é um jogo de descoberta dos quadrados a preencher numa grelha para, no fim, formar uma imagem. Nas extremidades de uma grelha há números que vos indicam quantos quadrados de uma linha ou coluna é que têm de preencher e marcam a preto os quadrados brancos segundo as indicações dos números. 

Por exemplo, se uma linha de cinco quadrados tiver os números 1 e 3 sabem que haverá um quadrado que ficará vazio. Ou seja, preenchem um quadrado, deixam um em branco e marcam mais três seguidos e têm uma linha feita. O mesmo se aplica para colunas e a partir daqui a dificuldade aumenta com a quantidade de quadrados da grelha, assim como com a sequência de números que vos aparecer. É raro haver uma imagem que altere profundamente a dificuldade. 

Podem começar pelo puzzle que quiserem, contudo, recomenda-se começarem pela ordem sugerida, visto ser do mais fácil para o mais difícil. Se jogam Picross desde a era da majestosa 3DS, então não se sintam obrigados a completar os puzzles 5x5 (são os mais pequenos). Porém, se gostam de ver tudo completo e limpo façam tudo, até porque há puzzles maiores, divididos em diversas partes, que só ficam totalmente desbloqueados quando todos os puzzles de um determinado grupo estão feitos. 

Contudo, não conseguimos estar permanentemente concentrados e há alturas em que é mais complicado estar com paciência para fazer os puzzles maiores ou mais difíceis. Por isso, é bom deixar os mais fáceis desenferrujar as mecânicas do jogo e entrar em sintonia com a obra, mas se não optarem por fazer isto podem sempre regressar aos mais fáceis para melhorar o vosso recorde de tempo e tirando as ajudas que utilizaram anteriormente (se for esse o caso). 

Picross S4 também inclui novos desafios que se chamam de Color Picross e que são uma muito boa adição à série, como também são surpreendentes. Normalmente, adicionam quadrados pretos à grelha, conforme os números que aparecem de lado. Quando completarem o puzzle, é-vos revelada a imagem em pixel art que acabaram de fazer numa pequena animação, onde o preto e o branco dão lugar a cores vivas. No Color Picross continuam a guiarem-se pelos números, mas tem que escolher a cor correta na grelha de acordo com a cor do número. 

Estes novos desafios não são absurdamente mais difíceis, mas requerem que pensem de uma forma diferente. Porém, tal como os desafios monocromáticos originais, é dfiícil de conceber uma ideia daquilo que o desafio esconde. Felizmente, os controlos são simples e intuitivos neste modo de jogo - não nos perdemos entre números e cores. Aliás, os controlos e a navegação são pragmáticos para a nossa experiência não se tornar frustrante. Color Picross não é como o clássico jogo, mas altera suficientemente a fórmula para conseguirmos retirar uma grande dose de diversão a resolver estes quebra-cabeças diferentes do habitual.

Picross pode não ser extremamente desafiante ou algo que nos faça puxar pelas habilidades desenvolvidas na nossa massa cinzenta. Picross é um jogo que nos consome tempo, é um passatempo que nos permite pensar em mais do que uma coisa ao mesmo tempo. Picross S4 não tem uma banda sonora memorável, nem precisa de a ter. Oiçam a vossa música favorita enquanto jogam ou, se fizerem como eu, ouvem vários episódios de um interessante podcast. Picross S4 pode ser mais do mesmo, mas a relação entre o preço pedido e a longevidade dos seus puzzles, vale bem os dez euros.