Filipe Urriça por - Feb 3, 2022

Picross S7 – Análise

Durante a minha adolescência, no verão, era a altura perfeita para comprar um conjunto de revistas com sopa de letras, sudoku e palavras cruzadas, para assim não morrer de aborrecimento na praia. Se não havia bandas desenhadas Hyper Disney, ou se já estava farto de reler as que tinha, então exercitava a massa cinzenta com jogos de lógica e de dedução aritmética. Sempre que sai um novo Picross na Nintendo eShop é como se voltasse a um verão da década de noventa, com um novo fascículo de jogos para exercitar o intelecto nas mãos; um novo jogo Picross traz mais uma conjunto de quebra-cabeças com a mesma fórmula imaculada. Por isso, já adivinhava que Picross S7 ia ser bom, apesar de ser essencialmente mais do mesmo.

Um jogo deste género não precisa de fazer muito para melhorar. Manter o conceito e as suas mecânicas originais é um ponto fulcral, mas também pode e deve arriscar em novos quebra-cabeças, não só em imagens diferentes (que constituem os puzzles de Picross), como em estrear conceitos nunca antes vistos, como já foram os casos de Mega Picross, Color Picross e Clip Picross. Infelizmente, aqui já não há novidades, mas puzzles com mecânicas bem estabelecidas. A única grande novidade, que já devia ter sido implementada em Picross S, lançado em 2017, é de ter controlos através do ecrã tátil muito bem integrados com alguns botões dos Joy-Con. Assim, jogamos um Picross de forma muito confortável e isso faz toda a diferença.

Para quem não sabe jogar Picross não há problema, porque é bastante simples experimentá-lo na Nintendo Switch. O objetivo do jogo é revelar a imagem escondida na grelha. Para saber que imagem se esconde temos de marcar os vários quadrados, conforme as indicações que nos são dadas pelos números na periferia da grelha. É fácil perceber como se joga, mas nem sempre é fácil chegar à solução. À medida que vão resolvendo mais puzzles, acabam por conseguir construir alguns estratagemas simples para resolver os próximos problemas. Por vezes, isto é muito similar ao sudoku, visto que temos de, à falta de uma estratégia mais eficiente, ir por tentativas.

O sucesso de um jogo como Picross passa, sobretudo, pelo seu tutorial conseguir agarrar os jogadores ao gameplay loop dos níveis mais complicados. Felizmente, os tutoriais não aparecem só quando iniciamos um novo tipo de jogo. Quando as grelhas começam a ficar maiores, portanto, quando o jogo fica mais exigente, é introduzido um novo tutorial para aprendermos algumas estratégias, dicas ou truques para completar os desafios.

Picross é um tipo de jogo excelente se dão valor às horas de conteúdo que fornece pelo preço que é vendido. É daqueles jogos ideais para se ouvir um bom podcast ou uma lista previamente preparada de músicas escolhidas a dedo. O próprio jogo tem música, como é óbvio, mas acaba por ser um simples ruído de fundo do que propriamente algo que podemos vir a gostar. Um jogo como Picross S7 não vos rouba muito a atenção, incluir uma boa música prog rock, ou um bom comentário político é o complemento perfeito para este título. Em termos de exercício mental, só temos de pensar nos números que estão nos limites da grelha para saber que quadrados é que temos de preencher a preto. Assim, o jogo não retira muito do nosso processamento cerebral, aliás, uma música instrumental, como Bad Asteroid da banda de Guthrie Govan, The Aristocrats, é um exemplo excelente para entrar no ritmo da obra.

Se são fãs de Picross, com alguns títulos instalados na Switch, o jogo recompensar-vos-á pela vossa lealdade à série com mais alguns puzzles. E mais um puzzle é sempre mais um motivo para permanecerem em Picross S7. Caso o queiram, também podem resolver os puzzles no menor tempo possível e com uma estrela, que só é entregue a quem não errar uma única vez, nem tenha usado ajudas. Para além disto, não há muito mais a fazer, embora o jogo tenha uma longevidade considerável.

Em 2022, os jogos já têm um nível de complexidade notável, mas Picross S7 continua estagnado a um modelo que a Jupiter já usa há décadas, como já vimos, por exemplo, na 3DS. Desta forma, não há novas funcionalidades ou experiências, é o clássico Picross como já o podem jogar desde 2007, exceto alguns jogos como Color Picross que só foram introduzidos mais tarde – mas a lógica de jogo continua a ser a mesma. Assim, Picross acaba por ter o mesmo valor de um fascículo cheio de quebra-cabeças: joga-se, acaba-se, deita-se fora (neste caso desinstala-se). Porque não permitir os jogadores criarem os seus próprios desafios? A partir daqui podia-se criar comunidades e valorizar um jogo com funcionalidades de socialização.

Resumidamente, Picross S7 é para os jogadores que gostam de um bom desafio onde têm de usar raciocínio e dedução lógica. Gostam de Matemática? Vão adorar Picross S7, tal como gostam, muito provavelmente, de sudoku. Por menos de dez euros têm aqui um jogo para inúmeras horas. Liguem os vossos auriculares a um bom podcast – fica aqui a recomendação do excelente 45 Graus de José Maria Pimentel – e a Switch ligada a Picross S7 e têm uma tarde ou um serão muito bem passado.

veredito

Resolver puzzles em Picross S7 é uma experiência fantástica e, dada a quantidade de conteúdo, terão muitas horas pela frente para terminá-los.
8 Controlos táteis. Quantidade de puzzles. Fórmula imaculada. Não há novidades.

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Lançado originalmente:

27 de dezembro, 2021